Ela, antes de conhecer a maçã do Éden, era inocentíssima.
Achava que tudo era uma grande brincadeira, que ninguém tava falando sério sobre nada e que a vida era assim mesmo, só ela levava de vez em quando a sério.
Daí ela mordeu a maçã e descobriu que muita gente leva a sério; que não é só ela que pensa na vida, que todo mundo tá pensando o tempo todo. Na verdade, descobriu que todo mundo é um bando de filho da puta, por que apesar de pensar tanto na vida, consegue fazer tão mal aos outros.
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Do cheiro
E esse cheiro que me invade os sentidos, de onde veio?
Ora. Ela sozinha aqui na sala, sem trocar a roupa por mais de três dias, me parece meio óbvio.
Cheiro maravilhoso. Meio salgado. Um odor assim de.. pele.
Mesmo a urina e a bosta já me têm um cheiro bom. Posso ser doido assim por ela?
Dura pouco essa loucura. Até a gente acabar com a palhaçada. A gente faz assim ó, abre os sentimentos do vivente e pisa em cima que nem se fosse fazer vinho.
No fim sobra um bagaço amargo, isso a gente chama de coração.
O sumo daquilo ali a gente bebe. O bagaço a gente toca no bueiro mais próximo, é um negócio interessante que se une com outros assim e tenta formar um ser humano denovo.
Vou te dizer que às vezes até consegue.
É bonita toda essa luta, né, mas não me interessa, por que sou eu quem faço o vinho. Pra mim o negócio é espremer.
Ora. Ela sozinha aqui na sala, sem trocar a roupa por mais de três dias, me parece meio óbvio.
Cheiro maravilhoso. Meio salgado. Um odor assim de.. pele.
Mesmo a urina e a bosta já me têm um cheiro bom. Posso ser doido assim por ela?
Dura pouco essa loucura. Até a gente acabar com a palhaçada. A gente faz assim ó, abre os sentimentos do vivente e pisa em cima que nem se fosse fazer vinho.
No fim sobra um bagaço amargo, isso a gente chama de coração.
O sumo daquilo ali a gente bebe. O bagaço a gente toca no bueiro mais próximo, é um negócio interessante que se une com outros assim e tenta formar um ser humano denovo.
Vou te dizer que às vezes até consegue.
É bonita toda essa luta, né, mas não me interessa, por que sou eu quem faço o vinho. Pra mim o negócio é espremer.
Ciúme
E vou te contar mais um negócio.
Só te escrevo por que sinto tua falta, cacete.
Queria tua opinião sincera, não essa cheia de adorno. Tua opinião de criança. Queria meu pai de seis anos de idade, que brincava naquelas ruas da benjamin sem medo, brigava pelo irmão, levava as irmãs na festa.
Pra quem tu reserva tua opinião? Quem é que tem a chave pra essa fortaleza que tu criou ao teu redor? Acho que ninguém mais.
Talvez aquela mulher lá dos teus vinte tivesse. Agora que ela morreu, morreu junto tua vida, por que tu virou condicionado dessa fábrica de máscaras.
Às vezes peço pra ela te visitar. Ir lá te sacudir. Te fazer chorar, te abalar. Tu acha que pode controlar todo mundo, até eu, seu idiota, tu não consegue controlar nada. Todo mundo aqui tá fazendo o que bem entende de ti. Abusando de toda essa tua suposta bondade. Pois eu sei bem que isso não é bondade coisa alguma, isso é teu jeito de se vingar dessa gente que tu finge querer tão bem.
Tu te presta a pagar e se sacrificar tanto pra manter esse padrão, acaba virando o escravinho de todas elas. E eu aqui, te olhando e chorando. Que me resta fazer? Hein?
Já tentei te falar. Tu não sabe escutar. Nem sabe mais amar. Não sabe nada, pai. Me sinto muito triste por ti, por essa tua carência de sentimentos. Disso não posso te curar, só tu sozinho cara. Te fudeu.
Só te escrevo por que sinto tua falta, cacete.
Queria tua opinião sincera, não essa cheia de adorno. Tua opinião de criança. Queria meu pai de seis anos de idade, que brincava naquelas ruas da benjamin sem medo, brigava pelo irmão, levava as irmãs na festa.
Pra quem tu reserva tua opinião? Quem é que tem a chave pra essa fortaleza que tu criou ao teu redor? Acho que ninguém mais.
Talvez aquela mulher lá dos teus vinte tivesse. Agora que ela morreu, morreu junto tua vida, por que tu virou condicionado dessa fábrica de máscaras.
Às vezes peço pra ela te visitar. Ir lá te sacudir. Te fazer chorar, te abalar. Tu acha que pode controlar todo mundo, até eu, seu idiota, tu não consegue controlar nada. Todo mundo aqui tá fazendo o que bem entende de ti. Abusando de toda essa tua suposta bondade. Pois eu sei bem que isso não é bondade coisa alguma, isso é teu jeito de se vingar dessa gente que tu finge querer tão bem.
Tu te presta a pagar e se sacrificar tanto pra manter esse padrão, acaba virando o escravinho de todas elas. E eu aqui, te olhando e chorando. Que me resta fazer? Hein?
Já tentei te falar. Tu não sabe escutar. Nem sabe mais amar. Não sabe nada, pai. Me sinto muito triste por ti, por essa tua carência de sentimentos. Disso não posso te curar, só tu sozinho cara. Te fudeu.
Medo
Te amedronta esses demônios que rondam o escuro, né querido.
Pois vou te dizer que eles são de verdade, tão aí pra puxar o pé da gente mesmo.
Bater a cabeça contra a parede e ficar gritando, CARALHO VELHO, acorda.
Tão aí pra te tirar dessa letargia. De ficar com a bunda o dia todo sentado numa almofada apertando botão. É isso que tu sonhou com teus vinte? Apertar botão?
Claro que não é. Não me mente que tu quer ganhar dinheiro. Vai fazer o que com todo o dinheiro? Sentar em cima? Limpar a bunda? Só pra isso que serve. O resto do tempo tu passa lá, apertando botão, sendo escravo de gente que nem te quer.
Não tô falando de teu chefe, nem do governador, presidente, o filho da puta que for.
Tô falando da tua mulher, da tua filha, da tua sogra.
É pra elas que tu dá todo esse dinheiro de apertar botão, é delas que tu virou escravo. E tudo isso por que tu quis e ainda quer. É muito bobo mesmo.
Pois vou te dizer que eles são de verdade, tão aí pra puxar o pé da gente mesmo.
Bater a cabeça contra a parede e ficar gritando, CARALHO VELHO, acorda.
Tão aí pra te tirar dessa letargia. De ficar com a bunda o dia todo sentado numa almofada apertando botão. É isso que tu sonhou com teus vinte? Apertar botão?
Claro que não é. Não me mente que tu quer ganhar dinheiro. Vai fazer o que com todo o dinheiro? Sentar em cima? Limpar a bunda? Só pra isso que serve. O resto do tempo tu passa lá, apertando botão, sendo escravo de gente que nem te quer.
Não tô falando de teu chefe, nem do governador, presidente, o filho da puta que for.
Tô falando da tua mulher, da tua filha, da tua sogra.
É pra elas que tu dá todo esse dinheiro de apertar botão, é delas que tu virou escravo. E tudo isso por que tu quis e ainda quer. É muito bobo mesmo.
Da direção
O que me incomoda nessa vida é gente sem tino. Sem energia pra coisa.
Pode fazer um trabalho dos diabos, uma porcaria dos cacetes.
Mas, meu chapa, se pegar o negócio direito, tiver paixão por aquela porra, se dedicar desde a raiz pra fazer o negócio direito; dá pra sentir o valor no trabalho.
E não digo que vai sair bom, não, porra, pode sair bem que um cocô. Mas a pessoa teve tino pra ser alguém, pra se impôr e dizer como são as coisas ali e que ninguém ia passar por cima não. O valor de ser sincero é uma puta virtude.
Quantos cabras aí não ficam se fazendo de vítima, de cansados, de explorados, puta que os pariu. Sejamos sinceros, cá, vamos se esforçar, dar cada gota de suor por um trabalho.
E não digo que meu trabalho é assim, o máximo. Tá muito longe de ser. Várias gotas de suor já tão por aí em chão que não é de trabalho. Tenho muito que aprender dessa disciplina, mas sinto que tô no caminho pra coisa. Fiz o melhor que pude enquanto tava naquela porra de faculdade, mas certamente não é o melhor que ainda vou dar.
Não tô sem consciência que nem uns e outros nessa porra de vida. Tô vivo.
Pode fazer um trabalho dos diabos, uma porcaria dos cacetes.
Mas, meu chapa, se pegar o negócio direito, tiver paixão por aquela porra, se dedicar desde a raiz pra fazer o negócio direito; dá pra sentir o valor no trabalho.
E não digo que vai sair bom, não, porra, pode sair bem que um cocô. Mas a pessoa teve tino pra ser alguém, pra se impôr e dizer como são as coisas ali e que ninguém ia passar por cima não. O valor de ser sincero é uma puta virtude.
Quantos cabras aí não ficam se fazendo de vítima, de cansados, de explorados, puta que os pariu. Sejamos sinceros, cá, vamos se esforçar, dar cada gota de suor por um trabalho.
E não digo que meu trabalho é assim, o máximo. Tá muito longe de ser. Várias gotas de suor já tão por aí em chão que não é de trabalho. Tenho muito que aprender dessa disciplina, mas sinto que tô no caminho pra coisa. Fiz o melhor que pude enquanto tava naquela porra de faculdade, mas certamente não é o melhor que ainda vou dar.
Não tô sem consciência que nem uns e outros nessa porra de vida. Tô vivo.
E essa casa
Assim começou o dia 31 de dezembro de 2009. Uma boa conversa, vinho e muitas idéias malucas. Ah, hoje viajou para o Peru, visitou aquelas vilas antigas, depois foi à Florianópolis; precisava salvar o pai de alguma enrascada de ano novo.
Aqueles tios ricos, que ele, sim, ele, não conseguia deixar em paz. Ah, que mentira essa de "sou obrigado a ir". Pura carência, praticamente implorava que o filho estivesse lá ao seu lado. Mas bem capaz. Conviver com os mesmos tios que correram dele como se fosse um mendigo pedindo esmola, que negaram que vivesse na sua própria casa, ah não.
Escutem o que o seu Lins tem pra nos dizer naquele livro muitas vezes chato de Fogo Morto. Alguma coisa tem que se aprender com os compadres, ser cabra macho, não se dobrar diante de afronta de parente.
Me cansa esses rodeios todos. Pra mim o negócio é já. Vamo logo que o baguio tá quente. Não quero saber de contrato com imobiliária alguma. Vocês são minha família, não um bando de desconhecidos. Eu respeito vocês, por mais que me desrespeitem. E não vou dar uma de bundão e não pagar o aluguel, seu bando de pau no cu.
E meu pai lá, pagando pau. Tudo por que uma mulher de nada afrouxara ele. Santa cacetada.
Aqueles tios ricos, que ele, sim, ele, não conseguia deixar em paz. Ah, que mentira essa de "sou obrigado a ir". Pura carência, praticamente implorava que o filho estivesse lá ao seu lado. Mas bem capaz. Conviver com os mesmos tios que correram dele como se fosse um mendigo pedindo esmola, que negaram que vivesse na sua própria casa, ah não.
Escutem o que o seu Lins tem pra nos dizer naquele livro muitas vezes chato de Fogo Morto. Alguma coisa tem que se aprender com os compadres, ser cabra macho, não se dobrar diante de afronta de parente.
Me cansa esses rodeios todos. Pra mim o negócio é já. Vamo logo que o baguio tá quente. Não quero saber de contrato com imobiliária alguma. Vocês são minha família, não um bando de desconhecidos. Eu respeito vocês, por mais que me desrespeitem. E não vou dar uma de bundão e não pagar o aluguel, seu bando de pau no cu.
E meu pai lá, pagando pau. Tudo por que uma mulher de nada afrouxara ele. Santa cacetada.
À Delicadeza
Hoje senti vontade de voltar à delicadeza; aquela de abraçar o mundo.
Por esse breve momento cansei de ser um brutamontes, de rir na tua cara, não levar o povo a sério.
E me arrependi de tudo até ali. Mesmo das coisas que sou só remotamente culpado, como a péssima alimentação da minha irmã (que mora só com ignorantes). Esses ignorantes são parte da minha família e por isso culpa minha. Se ao menos soubesse como tratar, como fazer pra que me escutassem. Como fazer pra que me respondessem, não peço nem que mudem. Só que escutem e me respondam com sinceridade. Atravessando o muro de máscaras que eles fizeram ao longo dos anos.
Bah. E em breve ia me arrepender de atravessar esse muro todo e tocar neles. Quanta responsabilidade. Quando o brutamontes voltasse, ia esmagar tudo com um murro daqueles. Ia ser a vingança da minha máscara. Abrir o coração deles todos e pisar em cima.
Não. Não quero que seja assim. Quero que seja diferente. Denovo.
A próxima vez, claro, vai ser diferente. Quando chegar no coração de alguém, denovo, vou cuidar. Vou tratar com todo o mimo.
Pra logo pisar em cima depois, é. Por que no fim sou meio louco. Gosto do gosto que fica depois que a gente magoa; só pode.
Isso é mentira, faz parte daquela máscara. Daquela depressiva que diz "tu não vai amar".
Não é que não vá amar. Amar, no fim, é uma força. Ela existe, ou não, e a gente alimenta, ou não.
Bah, não sei de nada. E tenho muita vergonha disso. Parece que todo mundo sabe alguma coisa. Ó, tchê, isso aí que tu tá fazendo não se faz não. É, certo. Como se precisasse fazer o que se faz. Ficar preso nesse mundo de máscaras e tititi.
Vocês é que não sabem de nada. Eu e meu ego vamos nos virar muito bem; por um tempo.
É óbvio que daqui nós vamos brigar. E daí vou perguntar denovo o que fiz de errado.
Por esse breve momento cansei de ser um brutamontes, de rir na tua cara, não levar o povo a sério.
E me arrependi de tudo até ali. Mesmo das coisas que sou só remotamente culpado, como a péssima alimentação da minha irmã (que mora só com ignorantes). Esses ignorantes são parte da minha família e por isso culpa minha. Se ao menos soubesse como tratar, como fazer pra que me escutassem. Como fazer pra que me respondessem, não peço nem que mudem. Só que escutem e me respondam com sinceridade. Atravessando o muro de máscaras que eles fizeram ao longo dos anos.
Bah. E em breve ia me arrepender de atravessar esse muro todo e tocar neles. Quanta responsabilidade. Quando o brutamontes voltasse, ia esmagar tudo com um murro daqueles. Ia ser a vingança da minha máscara. Abrir o coração deles todos e pisar em cima.
Não. Não quero que seja assim. Quero que seja diferente. Denovo.
A próxima vez, claro, vai ser diferente. Quando chegar no coração de alguém, denovo, vou cuidar. Vou tratar com todo o mimo.
Pra logo pisar em cima depois, é. Por que no fim sou meio louco. Gosto do gosto que fica depois que a gente magoa; só pode.
Isso é mentira, faz parte daquela máscara. Daquela depressiva que diz "tu não vai amar".
Não é que não vá amar. Amar, no fim, é uma força. Ela existe, ou não, e a gente alimenta, ou não.
Bah, não sei de nada. E tenho muita vergonha disso. Parece que todo mundo sabe alguma coisa. Ó, tchê, isso aí que tu tá fazendo não se faz não. É, certo. Como se precisasse fazer o que se faz. Ficar preso nesse mundo de máscaras e tititi.
Vocês é que não sabem de nada. Eu e meu ego vamos nos virar muito bem; por um tempo.
É óbvio que daqui nós vamos brigar. E daí vou perguntar denovo o que fiz de errado.
segunda-feira, dezembro 21, 2009
domingo, dezembro 20, 2009
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Desesperança
Daquilo que era pra ter sido e não foi; que era pra durar e não durou; que era pra voltar e não voltou..
O que resta é um sentimento seco e um gosto ruim na boca. Como logo depois de acordar num dia de ressaca e só ter o resultado de tudo, sem lembrar. Então por quê..?
Por que se quer esquecer que já amou.
O que resta é um sentimento seco e um gosto ruim na boca. Como logo depois de acordar num dia de ressaca e só ter o resultado de tudo, sem lembrar. Então por quê..?
Por que se quer esquecer que já amou.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
terça-feira, dezembro 08, 2009
Confissão
"Se não a vejo e o espírito a afigura
Cresce este meu desejo de hora em hora...
Cuido dizer-lhe o amor que me tortura,
O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.
Cuido contar-lhe o mal, pedir-lhe a cura...
Abrir-lhe o incerto coração que chora,
Mostrar-lhe o fundo intacto de ternura,
Agora embravecida e mansa agora...
E é num arroubo em que a alma desfalece
De sonhá-la prendada e casta e clara,
Que eu, em minha miséria, absorto a aguardo...
Mas ela chega, e toda me parece
Tão acima de mim... tão linda e rara...
Que hesito, balbucio e me acobardo."
Manuel Bandeira
Cresce este meu desejo de hora em hora...
Cuido dizer-lhe o amor que me tortura,
O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.
Cuido contar-lhe o mal, pedir-lhe a cura...
Abrir-lhe o incerto coração que chora,
Mostrar-lhe o fundo intacto de ternura,
Agora embravecida e mansa agora...
E é num arroubo em que a alma desfalece
De sonhá-la prendada e casta e clara,
Que eu, em minha miséria, absorto a aguardo...
Mas ela chega, e toda me parece
Tão acima de mim... tão linda e rara...
Que hesito, balbucio e me acobardo."
Manuel Bandeira
sábado, novembro 28, 2009
sexta-feira, novembro 27, 2009
Buenos Aires
Agora me deu uma vontade incrível de comer empanadas e alfajores.
Lembro que em Buenos Aires paramos num local que o dono jurava ter as melhores empanadas da cidade (eram boas mesmo, mas não devem ser as melhores, né) e depois entrou numa discussão sobre Pelé e Maradona; na qual ele dizia que o Maradona era melhor jogador, mas o Pelé era melhor exemplo para as crianças. Conversa típica de quem não tem o que conversar na Argentina.
Agora seria bom comer umas empanadas ali, sim, depois tomar um café (não precisa ser expresso, nem em super cafeterias de lá, podia ser café passado dali mesmo) e então procurar uns alfajores - digamos dois - então caminhar até uma praça qualquer, sentar, olhar as pessoas sendo atacadas pelas pombas e comer denovo.
Depois podia passar o resto da tarde ali, olhando o movimento.
Uma hora apareceria uma senhora com a neta e um gato preso pela coleira. Daí ele ficaria louco correndo atrás das pombas até se soltar da corrente, mas não ia conseguir pegar nenhuma pomba (ele é bem pequeno). Talvez a vó estivesse satisfazendo a vontade da menina de ter um cão, tratando o gato como um(e ele cresceria com sérios problemas de personalidade). Não sei.
Lembro que em Buenos Aires paramos num local que o dono jurava ter as melhores empanadas da cidade (eram boas mesmo, mas não devem ser as melhores, né) e depois entrou numa discussão sobre Pelé e Maradona; na qual ele dizia que o Maradona era melhor jogador, mas o Pelé era melhor exemplo para as crianças. Conversa típica de quem não tem o que conversar na Argentina.
Agora seria bom comer umas empanadas ali, sim, depois tomar um café (não precisa ser expresso, nem em super cafeterias de lá, podia ser café passado dali mesmo) e então procurar uns alfajores - digamos dois - então caminhar até uma praça qualquer, sentar, olhar as pessoas sendo atacadas pelas pombas e comer denovo.
Depois podia passar o resto da tarde ali, olhando o movimento.
Uma hora apareceria uma senhora com a neta e um gato preso pela coleira. Daí ele ficaria louco correndo atrás das pombas até se soltar da corrente, mas não ia conseguir pegar nenhuma pomba (ele é bem pequeno). Talvez a vó estivesse satisfazendo a vontade da menina de ter um cão, tratando o gato como um(e ele cresceria com sérios problemas de personalidade). Não sei.
quinta-feira, novembro 26, 2009
Das tuas manias
Eu não vou em festas.
Ok, vou.
De má vontade.
Entro lá com aquela cara emburrada de quem é obrigado a fazer cocô em banheiro químico, o lugar tá cheio que nem sempre (nada mais espanta as pessoas, Ele já tentou de tudo).
O primeiro passo é sempre em direção ao bar, rum, úisque, vodka, algo forte, por que cerveja é cara demais e não deixa bêbado. Claro, pra agüentar gente te empurrando, pisando no teu pé, te xingando, te olhando feio, derramando bebida, vomitando e apagando cigarro em ti; só muito bêbado (e ainda precisa fingir que tá curtindo e "dançar").
Então chega um momento, bem breve, que você se sente bem. Isso se dá lá por umas quatro da manhã e cinqüenta reais a menos na conta. Às quatro e meia tem duas opções: beber e esquecer o que acontece depois ou ir pra casa.
E tu ainda insiste em ir.
Ok, vou.
De má vontade.
Entro lá com aquela cara emburrada de quem é obrigado a fazer cocô em banheiro químico, o lugar tá cheio que nem sempre (nada mais espanta as pessoas, Ele já tentou de tudo).
O primeiro passo é sempre em direção ao bar, rum, úisque, vodka, algo forte, por que cerveja é cara demais e não deixa bêbado. Claro, pra agüentar gente te empurrando, pisando no teu pé, te xingando, te olhando feio, derramando bebida, vomitando e apagando cigarro em ti; só muito bêbado (e ainda precisa fingir que tá curtindo e "dançar").
Então chega um momento, bem breve, que você se sente bem. Isso se dá lá por umas quatro da manhã e cinqüenta reais a menos na conta. Às quatro e meia tem duas opções: beber e esquecer o que acontece depois ou ir pra casa.
E tu ainda insiste em ir.
Na boca
"Sempre tristíssimas estas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer
Felizmente existe o álcool na vida
E nos três dias de carnaval éter de lança-perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
E gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
- Na boca! Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
Outras porém faziam-lhe a vontade.
Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados
Dorinha meu amor...
Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro:
[Na boca! Na boca!"
Manuel Bandeira
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer
Felizmente existe o álcool na vida
E nos três dias de carnaval éter de lança-perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
E gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
- Na boca! Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
Outras porém faziam-lhe a vontade.
Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados
Dorinha meu amor...
Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro:
[Na boca! Na boca!"
Manuel Bandeira
segunda-feira, novembro 23, 2009
Como quando as coisas só vão até a metade
A gente é e não pára nunca pra pensar que não conseguimos
ter alguém, contar com alguém, amar alguém.
Só metade.
E ainda precisa fingir que se sente bem.
ter alguém, contar com alguém, amar alguém.
Só metade.
E ainda precisa fingir que se sente bem.
segunda-feira, novembro 09, 2009
Se não tivesse amor
A vida ia continuar sem muita graça, como tinha sido até então, talvez um dia até se matasse de tanto tédio. Ela não sei. Talvez os namorados continuassem a crescer os chifres e um dia descobrissem e de tanta raiva matassem (por que eram desse tipo, que mata de raiva).
Apesar de todo o esforço que fizeram - viver, iam chegar no fim fracassados e muito cansados, como se não tivessem valor e só restariam lágrimas - derramadas no colo de alguém que não entenderia o peso de cada uma (e se entendesse, que peso!).
Apesar de todo o esforço que fizeram - viver, iam chegar no fim fracassados e muito cansados, como se não tivessem valor e só restariam lágrimas - derramadas no colo de alguém que não entenderia o peso de cada uma (e se entendesse, que peso!).
sexta-feira, outubro 30, 2009
Paixão Platônica
Ela gostava de picolé de uva,
os lábios chupavam com delícia.
Aí espremiam os de outro,
me deixava com ciúme.
Não deixa mais.
os lábios chupavam com delícia.
Aí espremiam os de outro,
me deixava com ciúme.
Não deixa mais.
quinta-feira, outubro 29, 2009
Giros
- Não sei o que acontece com o mundo gay. Lá se consegue sexo em qualquer lugar. Absolutamente. Parada de ônibus, supermercado, banca de revistas, cinema, colégio, festa da tua irmã de dez anos. É muito simples e qualquer um com menos de 90kg consegue. Questão de usar uma calça jeans mais justa, uma camiseta mais justa (de preferência.. rosa) e um cabelo moderninho. Ah, sem barba (às vezes com, assim como a cor da camiseta pode variar.. mas não estamos fazendo distinções. O objetivo do experimento é sair de casa e arranjar sexo gay grátis).
- As gordas são mais carentes em 99% dos casos. Em 100% dos casos que você desconfiar que ela está afim, você está certo. Não precisa de muito. Ainda não pude comprovar com números, mas creio que quase todas são fofoqueiras. Isso se aplica as que já nasceram gordas, é claro. Existe o caso das que ficaram gordas depois, daí varia com a idade, tamanho, sexo rodado, etc.
- Fiquei imaginando um gordo gay. Mas gordo mesmo, de 120 kgs e 1m70. Não sei se vocês já conferiram aquele filme Ano Um, com aquele ator gordinho engraçado. Bom, não é dele que estou falando, mas de um sacerdote que aparece lá pelas tantas, é aquilo que imagino sendo um gordo gay. Grande, guloso e peludo.
- O que se faz quando as pessoas têm bafo? Já tentei dar indiretas (tu precisa de um copo d'água? Não? Mas eu busco pra ti. Sério mesmo. Coloco gelo. Não? Quem sabe coca? Não tem? Eu pego ali no mercadinho..), não funciona. Tentei demonstrar que não gosto de ficar perto com expressões de desagrado, virando a cara, tapando o nariz, também não adiantou nada. E o pior é que a pessoa se cansa fácil e começa a arfar aquele bafo quente conservado durante dez anos na tua cara. Bafo é sempre quente, né? Não lembro de sentir um bafo frio. Já hálito bom sempre tem relação com frio e refrescância.
- São poucas as pessoas que não me importei de sentir o bafo na cara. Tipo dormir com a cara no bafo. Bem poucas.
- Animais domésticos sempre têm bafo. Bah, meu gato quando boceja, preciso virar a cara pro lado, muito difícil suportar. Ia ser difícil dormir cara a cara com ele. Falando em dormir com animais domésticos: como cachorro fede, jesus! Ok, fiquem no chão, no pátio, nos meus pés, mas dormir na mesma cama... Quase pior que a pilha de meia suja no meio do meu quarto.
- As gordas são mais carentes em 99% dos casos. Em 100% dos casos que você desconfiar que ela está afim, você está certo. Não precisa de muito. Ainda não pude comprovar com números, mas creio que quase todas são fofoqueiras. Isso se aplica as que já nasceram gordas, é claro. Existe o caso das que ficaram gordas depois, daí varia com a idade, tamanho, sexo rodado, etc.
- Fiquei imaginando um gordo gay. Mas gordo mesmo, de 120 kgs e 1m70. Não sei se vocês já conferiram aquele filme Ano Um, com aquele ator gordinho engraçado. Bom, não é dele que estou falando, mas de um sacerdote que aparece lá pelas tantas, é aquilo que imagino sendo um gordo gay. Grande, guloso e peludo.
- O que se faz quando as pessoas têm bafo? Já tentei dar indiretas (tu precisa de um copo d'água? Não? Mas eu busco pra ti. Sério mesmo. Coloco gelo. Não? Quem sabe coca? Não tem? Eu pego ali no mercadinho..), não funciona. Tentei demonstrar que não gosto de ficar perto com expressões de desagrado, virando a cara, tapando o nariz, também não adiantou nada. E o pior é que a pessoa se cansa fácil e começa a arfar aquele bafo quente conservado durante dez anos na tua cara. Bafo é sempre quente, né? Não lembro de sentir um bafo frio. Já hálito bom sempre tem relação com frio e refrescância.
- São poucas as pessoas que não me importei de sentir o bafo na cara. Tipo dormir com a cara no bafo. Bem poucas.
- Animais domésticos sempre têm bafo. Bah, meu gato quando boceja, preciso virar a cara pro lado, muito difícil suportar. Ia ser difícil dormir cara a cara com ele. Falando em dormir com animais domésticos: como cachorro fede, jesus! Ok, fiquem no chão, no pátio, nos meus pés, mas dormir na mesma cama... Quase pior que a pilha de meia suja no meio do meu quarto.
quarta-feira, outubro 21, 2009
Um teto triste
Uma escada incolor que leva sempre pra cima.
Ou sapos caindo do céu.
São só idéias. Como me formar ou passar no vestibular. Não passam da minha cabeça.
Às vezes parece que nunca vou parar de imaginar que entro nesse teto triste.
Ou sapos caindo do céu.
São só idéias. Como me formar ou passar no vestibular. Não passam da minha cabeça.
Às vezes parece que nunca vou parar de imaginar que entro nesse teto triste.
Amor
Não vai parar nunca. Depois de meses sem tocar teu corpo, o encaixe ainda é perfeito e o amor é o mesmo.
Como se o universo se dobrasse em volta da gente e tudo que a gente pensou até então fosse tão ridiculamente pequeno. Deixo de ser quem me conhecem, como o sol saindo das nuvens e te acaricio a pele com calor.
Choro quente pelo amor que já se foi. (e pelo que ainda não foi)
Como se o universo se dobrasse em volta da gente e tudo que a gente pensou até então fosse tão ridiculamente pequeno. Deixo de ser quem me conhecem, como o sol saindo das nuvens e te acaricio a pele com calor.
Choro quente pelo amor que já se foi. (e pelo que ainda não foi)
quarta-feira, outubro 14, 2009
Úisque
A garrafa de úisque no quarto me chama, provocante.
Só afogar tudo em grandes goles num desses copos de requeijão. Os únicos que sobraram inteiros aqui em casa. Me sinto ridículo tomando úisque nesses copos, mas a outra opção são as xícaras de plástico do inter, o que não me atrai nem um pouco; o úisque merece ser tratado com o mínimo de dignidade.
Hoje senti vontade de fumar no cinema, estava com uma sensação horrível, misto de ridículo - denovo, não por acaso, essa palavra - e nervosismo. Pensei naqueles cinemas parisienses (os sonhadores) que as pessoas fumam à vontade na sala. Ia ser ruim voltar pra casa com cheiro de noite alternativa, lavar as roupas e tudo o mais três vezes. Mas.
Ainda voltei de táxi pra casa. A noite agradável, implorando pelos meus pés e uma conversa pós-filme; não. Táxi, silêncio, uma sensação estranha. Depois, copos de requeijão.
Num sonho ruim quebro todos eles. Jogo pela janela, encho a calçada ao redor do edifício, ninguém mais entra, nada mais sai. Ninguém pra me perguntar como foi o dia, o que tem sido a minha vida, o que vai acontecer no final de semana. Nada pra sair, nem uma palavra pra chamar.
No fim, o desespero. Ia pular pela janela e me arrebentar nos cacos, buscando aliviar essa mão dentro da minha garganta, que me sufoca desde sempre e me dá medo, muito medo, de me levar um dia. O úisque iria entrar direto, sem ter que passar pela boca, pela garganta sufocada, pelo estômago enjoado. A embriaguez completa, enfim; buscada desde o primeiro gole, ainda na cadeira do computador.
Sem ressaca. Sem responsabilidade. Só o alarme tocando no outro dia pra me trazer de volta.
Só afogar tudo em grandes goles num desses copos de requeijão. Os únicos que sobraram inteiros aqui em casa. Me sinto ridículo tomando úisque nesses copos, mas a outra opção são as xícaras de plástico do inter, o que não me atrai nem um pouco; o úisque merece ser tratado com o mínimo de dignidade.
Hoje senti vontade de fumar no cinema, estava com uma sensação horrível, misto de ridículo - denovo, não por acaso, essa palavra - e nervosismo. Pensei naqueles cinemas parisienses (os sonhadores) que as pessoas fumam à vontade na sala. Ia ser ruim voltar pra casa com cheiro de noite alternativa, lavar as roupas e tudo o mais três vezes. Mas.
Ainda voltei de táxi pra casa. A noite agradável, implorando pelos meus pés e uma conversa pós-filme; não. Táxi, silêncio, uma sensação estranha. Depois, copos de requeijão.
Num sonho ruim quebro todos eles. Jogo pela janela, encho a calçada ao redor do edifício, ninguém mais entra, nada mais sai. Ninguém pra me perguntar como foi o dia, o que tem sido a minha vida, o que vai acontecer no final de semana. Nada pra sair, nem uma palavra pra chamar.
No fim, o desespero. Ia pular pela janela e me arrebentar nos cacos, buscando aliviar essa mão dentro da minha garganta, que me sufoca desde sempre e me dá medo, muito medo, de me levar um dia. O úisque iria entrar direto, sem ter que passar pela boca, pela garganta sufocada, pelo estômago enjoado. A embriaguez completa, enfim; buscada desde o primeiro gole, ainda na cadeira do computador.
Sem ressaca. Sem responsabilidade. Só o alarme tocando no outro dia pra me trazer de volta.
terça-feira, outubro 06, 2009
Rahel
"Quando terminou a escola, conseguiu entrar numa Faculdade de Arquitetura medíocre em Délhi. Não era resultado de nenhum interesse sério em Arquitetura. Na verdade, nem mesmo de um interesse superficial. Aconteceu simplesmente de fazer o exame de admisssão, e passar. Os examinadores ficaram mais impressionados com o tamanho (enorme) do que com a habilidade de suas naturezas-mortas esboçadas a carvão. Os traços descuidados, soltos, foram erroneamente confundidos com segurança artística, embora, na realidade, sua criadora não fosse artista.
Passou oito anos na faculdade, sem terminar o curso de graduação, nem tirar o diploma. As mensalidades eram baixas e não era difícil arranjar o suficiente para viver, morando num albergue, comendo nos restaurantes subsidiados para estudantes, indo raramente às aulas, em vez disso trabalhando como desenhista em obscuras firmas de arquitetura que exploravam a mão-de-obra estudantil barata para ilustrar seus projetos e levar a culpa quando as coisas davam errado. Os outros estudantes , principalmente os rapazes, ficavam intimidados com a transviada, quase feroz, falta de ambição de Rahel. Deixavam-na em paz. Não era nunca convidada para suas casas agradáveis e festas ruidosas. Até os professores tinham certa cautela com ela por causa de seus projetos bizarros, nada práticos, apresentados em papel pardo barato, e da indiferença com que recebia suas críticas acaloradas."
O Deus das Pequenas Coisas - Arundhati Roy.
Passou oito anos na faculdade, sem terminar o curso de graduação, nem tirar o diploma. As mensalidades eram baixas e não era difícil arranjar o suficiente para viver, morando num albergue, comendo nos restaurantes subsidiados para estudantes, indo raramente às aulas, em vez disso trabalhando como desenhista em obscuras firmas de arquitetura que exploravam a mão-de-obra estudantil barata para ilustrar seus projetos e levar a culpa quando as coisas davam errado. Os outros estudantes , principalmente os rapazes, ficavam intimidados com a transviada, quase feroz, falta de ambição de Rahel. Deixavam-na em paz. Não era nunca convidada para suas casas agradáveis e festas ruidosas. Até os professores tinham certa cautela com ela por causa de seus projetos bizarros, nada práticos, apresentados em papel pardo barato, e da indiferença com que recebia suas críticas acaloradas."
O Deus das Pequenas Coisas - Arundhati Roy.
sexta-feira, outubro 02, 2009
Vinho
O vinho me faz duplicar as linhas do blog.
Enquanto escrevo dez páginas, ele vinte.
É a maravilha das editoras, inventa à vontade para poder apagar bem depois.
É a seleção natural, terrível, inevitável, indestrutível?
Talvez ainda passe a perna em si mesma. Muitas vezes, como tem sido até agora.
Enquanto escrevo dez páginas, ele vinte.
É a maravilha das editoras, inventa à vontade para poder apagar bem depois.
É a seleção natural, terrível, inevitável, indestrutível?
Talvez ainda passe a perna em si mesma. Muitas vezes, como tem sido até agora.
Das minhas bolas preferidas
Meu sabor favorito é uva. Roxa e grande, daquelas bolas inchadas que enchem o copo e dão água na boca.
sábado, setembro 26, 2009
sexta-feira, setembro 25, 2009
Cheiro
A verdade é que, às vezes, você não cheirava bem.
Então tivemos que acabar.
A seguinte fedia quando voltava do banheiro. Parece esquisito, mas é verdade. Tinha um cheiro de bunda terrível.
Depois vieram pessoas muito cheirosas. Love. perfume importado.
Não sei, sei que cheiravem bem.
Parei nelas. No cheiro. O vício, talvez, final.
Então tivemos que acabar.
A seguinte fedia quando voltava do banheiro. Parece esquisito, mas é verdade. Tinha um cheiro de bunda terrível.
Depois vieram pessoas muito cheirosas. Love. perfume importado.
Não sei, sei que cheiravem bem.
Parei nelas. No cheiro. O vício, talvez, final.
quinta-feira, setembro 24, 2009
Gostar
É muito difícil gostar das pessoas, ainda mais hoje, que tudo é público.
Acaba sendo um exercício de confiança constante.
Pra um dia levar uma cagadinha na cara.
Acaba sendo um exercício de frustração constante, você insiste em acreditar na não-cagadinha e sempre leva uma.
Chega uma hora em que você começa um relacionamento se perguntando onde e quando vai ser a cagadinha. As pessoas que se perguntam isso são as que chamo de "fodidas ninfomaníacas".
As fodidas ninfomaníacas perderam qualquer interesse no amor e não tem brilho no olhar. Se leva muito tempo pra estabelecer qualquer tipo de relacionamento com elas e geralmente não vai a lugar algum. Alguns exemplos de nichos onde costumam se acumular: universidades, agências de publicidade, boates alternativas. São de sexo fácil e amizade difícil. Em geral utilizam ou já utilizaram em larga escala algum tipo de droga ilícita do momento. Claro que existem vários estágios de uma fodida ninfomaníaca, mas não cabe descrever isso num texto curto como esse.
Existem algumas alternativas para não se tornar (ou deixar de ser) uma dessas. A primeira coisa a se pensar é se você gosta ou não de ser assim. Tem gente que gosta de ser uma fodida ninfomaníaca e vai levar isso por um bom tempo, não discuta com eles. A segunda coisa é pegar uma dessas pessoas que ainda tem brilho no olhar (dependendo do grau vai ser necessário que esse alguém tenha muita disposição). Então estabeleça uma meta: vou me manter nesse relacionamento pelos próximos três meses. Faça o necessário (denovo, pode ser necessário métodos drásticos dependendo do seu grau fodido). Tenha certeza que a pessoa gosta de si, mas não seja psicopata. Se não funcionar em três meses, tente mais seis com um psicólogo.
Quando voltar a acreditar na não-cagadinha, você está a um passo do amor.
Acaba sendo um exercício de confiança constante.
Pra um dia levar uma cagadinha na cara.
Acaba sendo um exercício de frustração constante, você insiste em acreditar na não-cagadinha e sempre leva uma.
Chega uma hora em que você começa um relacionamento se perguntando onde e quando vai ser a cagadinha. As pessoas que se perguntam isso são as que chamo de "fodidas ninfomaníacas".
As fodidas ninfomaníacas perderam qualquer interesse no amor e não tem brilho no olhar. Se leva muito tempo pra estabelecer qualquer tipo de relacionamento com elas e geralmente não vai a lugar algum. Alguns exemplos de nichos onde costumam se acumular: universidades, agências de publicidade, boates alternativas. São de sexo fácil e amizade difícil. Em geral utilizam ou já utilizaram em larga escala algum tipo de droga ilícita do momento. Claro que existem vários estágios de uma fodida ninfomaníaca, mas não cabe descrever isso num texto curto como esse.
Existem algumas alternativas para não se tornar (ou deixar de ser) uma dessas. A primeira coisa a se pensar é se você gosta ou não de ser assim. Tem gente que gosta de ser uma fodida ninfomaníaca e vai levar isso por um bom tempo, não discuta com eles. A segunda coisa é pegar uma dessas pessoas que ainda tem brilho no olhar (dependendo do grau vai ser necessário que esse alguém tenha muita disposição). Então estabeleça uma meta: vou me manter nesse relacionamento pelos próximos três meses. Faça o necessário (denovo, pode ser necessário métodos drásticos dependendo do seu grau fodido). Tenha certeza que a pessoa gosta de si, mas não seja psicopata. Se não funcionar em três meses, tente mais seis com um psicólogo.
Quando voltar a acreditar na não-cagadinha, você está a um passo do amor.
terça-feira, setembro 22, 2009
Comum
Todo mundo faz ->
- Eaí, que vai fazer hoje?
- Tô pensando em ir no xx
- Hmm.. vou lá também. Quer carona?
- Ah.. não.. acho que vou caminhando.. gosto de olhar.. hã.. os postes na rua..
- Certo o.O
- Eaí, que vai fazer hoje?
- Tô pensando em ir no xx
- Hmm.. vou lá também. Quer carona?
- Ah.. não.. acho que vou caminhando.. gosto de olhar.. hã.. os postes na rua..
- Certo o.O
segunda-feira, setembro 21, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
Besteira demais
Não gosto quando faço besteira demais. Parece meio ridícula essa frase, mas acho tão necessário expressar ela pra mim. "Besteira demais".
Dá um caráter quase de confessionário: "perdoe Deus, pois pequei. Bati umazinha em casa, depois fiquei de pau duro quando minha prima assistia ao rei leão comigo". (isso foi aos 14)
Dá um caráter quase de confessionário: "perdoe Deus, pois pequei. Bati umazinha em casa, depois fiquei de pau duro quando minha prima assistia ao rei leão comigo". (isso foi aos 14)
quinta-feira, setembro 17, 2009
Astronauta
Nunca entendi esse teto de ser astronauta. Nunca quis, nem quando colecionava aquelas figurinhas do espaço que vinham no chocolate. Um astronauta leva uma vida muito chata.
Queria ser cobrador de ônibus, o que, na minha cabeça, significava poder ler quase todo o tempo.
Queria ser cobrador de ônibus, o que, na minha cabeça, significava poder ler quase todo o tempo.
quarta-feira, setembro 16, 2009
Da tua mão
Hoje queria tanto, precisava tanto, segurar tua mão na minha. Sentir um carinho gostoso no cabelo, deitar no teu colo e me embalar contigo falando da tua rotina. Ia sentir aquele cheiro doce do teu perfume misturado com a tua pele.
Nessa noite de sol quente, ia olhar pra lua acariciando teu rosto, com esse teu sorriso bonito e constrangido.
Tua mão de dedos finos, unhas pintadas (verde?), pele branca e veias tão azuis. Ia se acomodar tão bem, como se não fosse minha cabeça, só meu cabelo, ali, pronto, mexido. E ela ia me dizer tudo o que tu não dissesse. Não só da tensão na tua casa, da indignação com teu amigo, do teu ciúme, mas do teu amor. Da tua dúvida, se aquilo é verdadeiro, se é possível perdoar.
Nessa noite de sol quente, ia olhar pra lua acariciando teu rosto, com esse teu sorriso bonito e constrangido.
Tua mão de dedos finos, unhas pintadas (verde?), pele branca e veias tão azuis. Ia se acomodar tão bem, como se não fosse minha cabeça, só meu cabelo, ali, pronto, mexido. E ela ia me dizer tudo o que tu não dissesse. Não só da tensão na tua casa, da indignação com teu amigo, do teu ciúme, mas do teu amor. Da tua dúvida, se aquilo é verdadeiro, se é possível perdoar.
O peso da tua mão
O trem passou e continuei. Queria seguir ela, não, ela desceu e continuei.
Começou a chover forte. Então desci, caminhei um pouco pela estação são pedro, sentei num banco. O vento começou a me molhar, junto de um cheiro agradabilíssimo, lembrando a grama recém cortada pelo vô na praia.
O vô insistia em manter as pedras do jardim sem grama, sem limo, sem nada. Limpas num bonito xadrez verde e preto. Que nem eu, anos depois, ia limpar. Criar denovo aquela época do céu azul com grama verde, das flores plantadas no jardim dos fundos, do maracujá com gosto ruim florescendo, da bola caindo no vizinho, da família entrando na água salgada e fria. Cuidando da criança, não indo fundo, montando castelinhos de areia, correndo de um lado pra outro numa imaginação fértil de faroeste.
Quando a família se separasse, quando o pai batesse, quando a água afogasse, ia restar essa lembrança bonita e boa de algo que nunca mais existiu e que o medo ensinou a nunca mais deixar existir.
Éramos tão juntos. Sabe qual foi o peso daquele tapa?
Hoje sento num banco e fico encharcado. Tu não entende por que faço esse "tipo de coisa". Eu até hoje não entendo o peso daquele tapa, que ainda me dói. Qual é o peso?
Começou a chover forte. Então desci, caminhei um pouco pela estação são pedro, sentei num banco. O vento começou a me molhar, junto de um cheiro agradabilíssimo, lembrando a grama recém cortada pelo vô na praia.
O vô insistia em manter as pedras do jardim sem grama, sem limo, sem nada. Limpas num bonito xadrez verde e preto. Que nem eu, anos depois, ia limpar. Criar denovo aquela época do céu azul com grama verde, das flores plantadas no jardim dos fundos, do maracujá com gosto ruim florescendo, da bola caindo no vizinho, da família entrando na água salgada e fria. Cuidando da criança, não indo fundo, montando castelinhos de areia, correndo de um lado pra outro numa imaginação fértil de faroeste.
Quando a família se separasse, quando o pai batesse, quando a água afogasse, ia restar essa lembrança bonita e boa de algo que nunca mais existiu e que o medo ensinou a nunca mais deixar existir.
Éramos tão juntos. Sabe qual foi o peso daquele tapa?
Hoje sento num banco e fico encharcado. Tu não entende por que faço esse "tipo de coisa". Eu até hoje não entendo o peso daquele tapa, que ainda me dói. Qual é o peso?
quarta-feira, setembro 09, 2009
Sonambulismo
Não era "vez em quando", era desses de "sempre".
Absurdo, neurótico, carismático.
Quê?! Mesmo absurdo, continuava lá.
Voltava com dor de cabeça. De tanto bater no vidro do ônibus?
Chovia. Na cabeça dele? Era apenas um reflexo no vidro do ônibus. Não, era ele mesmo. Com respingos, molhado. Tomou banho de chuva. Não, o vidro.
Sexo, sexo, sexo.
Trabalho, atrapalho.
Sono. Sonho. Ônibus.
E a espaçaneve? Espacoçanve? Espaçonave.
Espaçogirl. Espaçogiro. Espaçogente.
É, cansado dessa espaçogente, acho que era isso. Com seus espaçoassuntos e espaçopensamentos. Espaçoautocondicionamentos. Espaçobandas. Espaçolugares. Espaçoemos. Espaçocafés. Espaçocomida. Espaguete. Espasmo, com o que? Com a loucura. Espaçoloucura.
Cacete. 6 horas de sono. 12 de trabalho. 4 de. De que?
Nem se dava mais conta que a falta de conta fazia falta em duas horas.
Lazer, pura diversão. Gastar o dinheiro do trabalho. Lança-perfume, crack, cocaína, maconha, peiote, cogumelo, lsd, álcool. Tylenol. Astro. Ritalina. Anti-depressivo, anti-convulsivo, anti-gente, anti-droga, anti-novas-regras-ortográficas.
Cansado de se cansar, pelo menos acha graça.
Absurdo, neurótico, carismático.
Quê?! Mesmo absurdo, continuava lá.
Voltava com dor de cabeça. De tanto bater no vidro do ônibus?
Chovia. Na cabeça dele? Era apenas um reflexo no vidro do ônibus. Não, era ele mesmo. Com respingos, molhado. Tomou banho de chuva. Não, o vidro.
Sexo, sexo, sexo.
Trabalho, atrapalho.
Sono. Sonho. Ônibus.
E a espaçaneve? Espacoçanve? Espaçonave.
Espaçogirl. Espaçogiro. Espaçogente.
É, cansado dessa espaçogente, acho que era isso. Com seus espaçoassuntos e espaçopensamentos. Espaçoautocondicionamentos. Espaçobandas. Espaçolugares. Espaçoemos. Espaçocafés. Espaçocomida. Espaguete. Espasmo, com o que? Com a loucura. Espaçoloucura.
Cacete. 6 horas de sono. 12 de trabalho. 4 de. De que?
Nem se dava mais conta que a falta de conta fazia falta em duas horas.
Lazer, pura diversão. Gastar o dinheiro do trabalho. Lança-perfume, crack, cocaína, maconha, peiote, cogumelo, lsd, álcool. Tylenol. Astro. Ritalina. Anti-depressivo, anti-convulsivo, anti-gente, anti-droga, anti-novas-regras-ortográficas.
Cansado de se cansar, pelo menos acha graça.
domingo, setembro 06, 2009
#
Teu corpo rescendia a vinho, te sentia já do saguão.
- Sua louca.
Viciada é a palavra certa. Queria que fosse vinho, assim qualquer um podia te comprar num buteco de esquina. Mas tu viciou no meu corpo, grudou que nem uma sangue-suga, vem sempre me secando aos poucos.
Às vezes tenho vontade de te matar; quando tu pede pra apertar assim forte, falta tão pouco pra sufocar, querida, que não dá vontade de largar. Já pensei, é, no que fazer com teu corpo. Dividir-te-ia em pedacinhos, com o auxílio de uma furadeira. Ia te embrulhar em pequenos sacos plásticos, desses do Zaffari, que a gente usa pra trazer o sabão em pó e o leite pra casa. Talvez com mais alguma coisa dentro, assim afundava e ficava no fundo quando te atirasse no rio.
- Sua louca.
Viciada é a palavra certa. Queria que fosse vinho, assim qualquer um podia te comprar num buteco de esquina. Mas tu viciou no meu corpo, grudou que nem uma sangue-suga, vem sempre me secando aos poucos.
Às vezes tenho vontade de te matar; quando tu pede pra apertar assim forte, falta tão pouco pra sufocar, querida, que não dá vontade de largar. Já pensei, é, no que fazer com teu corpo. Dividir-te-ia em pedacinhos, com o auxílio de uma furadeira. Ia te embrulhar em pequenos sacos plásticos, desses do Zaffari, que a gente usa pra trazer o sabão em pó e o leite pra casa. Talvez com mais alguma coisa dentro, assim afundava e ficava no fundo quando te atirasse no rio.
quinta-feira, setembro 03, 2009
Crônica
Olha que bonito isso que meu pai escreveu para a escola da minha irmã pequena:
As ruas eram nossas linhas telefônicas. Tudo era mais pessoal e direto no meu tempo. A gente ia a pé pra escola, voltava, almoçava, fazia os temas e ia pra rua. Nossa zona era muito legal. O que chamo zona era o triângulo formado pelas ruas Benjamin Constant, 16 de julho e Zamenhoff. No corner superior ficava a nossa pracinha. Não tinha nada lá, nem bancos, nem balanços, nem goleiras. Só um pouco de capim nos cantos. Era ótimo, porque não era nada e podia ser tudo. Um dia virava um lugar para jogar taco, outro dia, bolinha de gude, ou futebol. Era também lugar pra festas. No dia de São João, tinha fogueira que nós mesmos montávamos, tinha pinhão, pipoca e quentão. Tudo grátis, porque como não tínhamos telefone, passávamos de casa em casa pedindo contribuição pra festa, que podia ser em dinheiro ou em milho, pinhão, etc. Ninguém tinha cara de dizer que não. Sincronizávamos as informações diariamente, na hora da pracinha, depois dos temas, ou seja, das 15h30 até as 18h30. É isso mesmo, tínhamos no mínimo 3 horas de brinquedo por dia!. Dá pra acreditar? E não tinha nada disso de recreacionista. Nos aniversários, nós mesmos decidíamos do que brincar.
E não dava briga? De vez em quando dava, mas nós mesmos é que tínhamos de segurar a barra. Ninguém tinha coragem de chamar a mãe e ser chamado de manteiga derretida. Uma vez meu irmão brigou com o Paulo por causa de uma falta no jogo de futebol. Ele levou um soco que doeu em mim. Mas a regra era não se meter, respeitar a briga. A não ser, claro, quando alguém ficava maluco, como aconteceu com o irmão do Bichoclau (apelido do Cláudio). Ele apanhou numa briga e ficou tão furioso que voltou em casa pra pegar um facão. Bom, aí foi preciso uma ação coletiva pra tirar aquilo dele e levá-lo pra se acalmar em casa. Era assim a zona. Também ninguém se metia nas nossas ruas. Aqueles tempos eram muito tranqüilos, dava pra caminhar na Dom Pedro II de madrugada. Eu fazia isso com 14 anos. Hoje, nem pensar.
Dinheiro só virou uma coisa importante pra mim depois dos 12 anos, quando comprei minha primeira calça Lee. A gente quase não precisava de dinheiro pra brincar. Brinquedos comprados nós só ganhávamos no natal e no aniversário. O legar era fazermos os próprios brinquedos: pandorga, carrinho de lomba, forte apache, funda, taco, mesa de botão, espada, casa na árvore, coleção de tampinha, etc. Lembro que teve um ano em que todos pediram autorama de natal. Depois juntamos todos os autoramas numa só pista, na casa do Xande, aquele cara que agora toca num bar chamado Sergeant Pepper’s. Até cinema a gente tinha de graça. O padre da Igreja Sagrado Coração de Jesus passava filmes na Rua do Beco (Travessa Engenheiro Alfredo Mayer Waldeck), que ficava a duas quadras da nossa zona. A projeção era na rua e os filmes tinham sempre motivos religiosos, como Marisol, Marcelino Pão e Vinho e outros que não lembro. Da Igreja só lembro que fui reprovado no teste para o coral e que no dia da primeira comunhão a óstia grudou no céu da minha boca. Ah, lembro também das confissões, quando era pecado ter maus pensamentos.
É, naquele tempo, acho que grana só se tornou uma coisa importante quando comecei a ocupar cada vez mais meus pensamentos com garotas. Aí era importante usar coisas da moda, como calça Lee, que eram importadas e comprávamos de contrabando nos fundos de uma casa na Rua América, perto do Hospital Militar. Antes disso, uma parte das minhas roupas era feita pela minha mãe. Meu avô era alfaiate. Aprendeu o ofício em Aveiro, Portugal, de onde veio antes da Segunda Guerra Mundial. Trabalhou muitos anos nas Lojas Guaspari. Andava sempre elegante, de terno e gravata. Minha mãe aprendeu com ele a fazer camisas e calças. Meu pai era muito conservador naquele tempo, nos obrigava a cortar o cabelo estilo militar, o que complicava muito a aparência junto às garotas. Assim que esse poder afrouxou, lá pelos meus 13 ou 14 anos, eu e meu irmão viramos cabeludos, o que durou muitos anos.
Bom, eu tinha também uma madrinha naquele meu tempo, que de vez em quando me dava brinquedos caros, como a bicicleta em formato de moto, que meu primo Aguinaldo destruiu no próprio dia do aniversário. De vez em quando ela me dava dinheiro, minha avó também. Em geral eu usava pra comprar gibi. Mas uma vez eu percebi que tinha já um bom dinheirinho acumulado. Acho que era lá pelos meus 8 ou 9 anos. Tinha uma livraria na Benjamin Constant onde meus pais compravam material escolar. Eu tinha visto ali uma miniatura de DKV Vemag e passava dias pensando como seria bom brincar com aquele autinho. Até que tomei a decisão de comprar. Foi minha primeira grande compra. Mas o brinquedo durou apenas uns dois dias, logo quebrou uma das rodinhas. Quando meu pai viu que eu tinha usado meu próprio dinheiro sem pedir licença, ficou furioso. Me obrigou a ir na loja devolver o brinquedo e pedir o dinheiro de volta. A dona da loja se recusou a devolver, porque o carrinho estava estragado. Me custaria uma vida entender o efeito do dinheiro sobre o desejo.
A vida desativou meu tempo
As ruas eram nossas linhas telefônicas. Tudo era mais pessoal e direto no meu tempo. A gente ia a pé pra escola, voltava, almoçava, fazia os temas e ia pra rua. Nossa zona era muito legal. O que chamo zona era o triângulo formado pelas ruas Benjamin Constant, 16 de julho e Zamenhoff. No corner superior ficava a nossa pracinha. Não tinha nada lá, nem bancos, nem balanços, nem goleiras. Só um pouco de capim nos cantos. Era ótimo, porque não era nada e podia ser tudo. Um dia virava um lugar para jogar taco, outro dia, bolinha de gude, ou futebol. Era também lugar pra festas. No dia de São João, tinha fogueira que nós mesmos montávamos, tinha pinhão, pipoca e quentão. Tudo grátis, porque como não tínhamos telefone, passávamos de casa em casa pedindo contribuição pra festa, que podia ser em dinheiro ou em milho, pinhão, etc. Ninguém tinha cara de dizer que não. Sincronizávamos as informações diariamente, na hora da pracinha, depois dos temas, ou seja, das 15h30 até as 18h30. É isso mesmo, tínhamos no mínimo 3 horas de brinquedo por dia!. Dá pra acreditar? E não tinha nada disso de recreacionista. Nos aniversários, nós mesmos decidíamos do que brincar.
E não dava briga? De vez em quando dava, mas nós mesmos é que tínhamos de segurar a barra. Ninguém tinha coragem de chamar a mãe e ser chamado de manteiga derretida. Uma vez meu irmão brigou com o Paulo por causa de uma falta no jogo de futebol. Ele levou um soco que doeu em mim. Mas a regra era não se meter, respeitar a briga. A não ser, claro, quando alguém ficava maluco, como aconteceu com o irmão do Bichoclau (apelido do Cláudio). Ele apanhou numa briga e ficou tão furioso que voltou em casa pra pegar um facão. Bom, aí foi preciso uma ação coletiva pra tirar aquilo dele e levá-lo pra se acalmar em casa. Era assim a zona. Também ninguém se metia nas nossas ruas. Aqueles tempos eram muito tranqüilos, dava pra caminhar na Dom Pedro II de madrugada. Eu fazia isso com 14 anos. Hoje, nem pensar.
Dinheiro só virou uma coisa importante pra mim depois dos 12 anos, quando comprei minha primeira calça Lee. A gente quase não precisava de dinheiro pra brincar. Brinquedos comprados nós só ganhávamos no natal e no aniversário. O legar era fazermos os próprios brinquedos: pandorga, carrinho de lomba, forte apache, funda, taco, mesa de botão, espada, casa na árvore, coleção de tampinha, etc. Lembro que teve um ano em que todos pediram autorama de natal. Depois juntamos todos os autoramas numa só pista, na casa do Xande, aquele cara que agora toca num bar chamado Sergeant Pepper’s. Até cinema a gente tinha de graça. O padre da Igreja Sagrado Coração de Jesus passava filmes na Rua do Beco (Travessa Engenheiro Alfredo Mayer Waldeck), que ficava a duas quadras da nossa zona. A projeção era na rua e os filmes tinham sempre motivos religiosos, como Marisol, Marcelino Pão e Vinho e outros que não lembro. Da Igreja só lembro que fui reprovado no teste para o coral e que no dia da primeira comunhão a óstia grudou no céu da minha boca. Ah, lembro também das confissões, quando era pecado ter maus pensamentos.
É, naquele tempo, acho que grana só se tornou uma coisa importante quando comecei a ocupar cada vez mais meus pensamentos com garotas. Aí era importante usar coisas da moda, como calça Lee, que eram importadas e comprávamos de contrabando nos fundos de uma casa na Rua América, perto do Hospital Militar. Antes disso, uma parte das minhas roupas era feita pela minha mãe. Meu avô era alfaiate. Aprendeu o ofício em Aveiro, Portugal, de onde veio antes da Segunda Guerra Mundial. Trabalhou muitos anos nas Lojas Guaspari. Andava sempre elegante, de terno e gravata. Minha mãe aprendeu com ele a fazer camisas e calças. Meu pai era muito conservador naquele tempo, nos obrigava a cortar o cabelo estilo militar, o que complicava muito a aparência junto às garotas. Assim que esse poder afrouxou, lá pelos meus 13 ou 14 anos, eu e meu irmão viramos cabeludos, o que durou muitos anos.
Bom, eu tinha também uma madrinha naquele meu tempo, que de vez em quando me dava brinquedos caros, como a bicicleta em formato de moto, que meu primo Aguinaldo destruiu no próprio dia do aniversário. De vez em quando ela me dava dinheiro, minha avó também. Em geral eu usava pra comprar gibi. Mas uma vez eu percebi que tinha já um bom dinheirinho acumulado. Acho que era lá pelos meus 8 ou 9 anos. Tinha uma livraria na Benjamin Constant onde meus pais compravam material escolar. Eu tinha visto ali uma miniatura de DKV Vemag e passava dias pensando como seria bom brincar com aquele autinho. Até que tomei a decisão de comprar. Foi minha primeira grande compra. Mas o brinquedo durou apenas uns dois dias, logo quebrou uma das rodinhas. Quando meu pai viu que eu tinha usado meu próprio dinheiro sem pedir licença, ficou furioso. Me obrigou a ir na loja devolver o brinquedo e pedir o dinheiro de volta. A dona da loja se recusou a devolver, porque o carrinho estava estragado. Me custaria uma vida entender o efeito do dinheiro sobre o desejo.
terça-feira, setembro 01, 2009
segunda-feira, agosto 31, 2009
2 + 2
Nunca te falei, mas sempre, desde a primeira vez, te encarei como um espelho.
As coisas começaram a complicar quando pensei que tu não era meu reflexo, mas o que estava sendo refletido. Quis fugir da tua prisão e me matei em ti.
E agora não somos mais nós, só eu e tu..
As coisas começaram a complicar quando pensei que tu não era meu reflexo, mas o que estava sendo refletido. Quis fugir da tua prisão e me matei em ti.
E agora não somos mais nós, só eu e tu..
sexta-feira, agosto 28, 2009
Minha doce bailarina
Tu deixou uma cicatriz no braço. Arranhou forte daquela vez, fez sair sangue. Foi bonito. Nenhuma outra marcou desse jeito até agora (ao menos literalmente, nos outros sentidos tiveram várias que te superaram). Contigo é bom, sempre, mas é só isso. Depois fica aquele silêncio constrangido.
quinta-feira, agosto 27, 2009
Cachecol
O cachecol não tem mais cheiro. Fico me perguntando se tu vai lembrar de me dar algo com teu novo cheiro. Na realidade, já passei dessa pergunta e estou apenas pensando se tu vai notar isso. Que o cheiro vai embora não só do chacecol, mas do meu corpo também.
Inundação
A água começou a brotar das paredes.
Depois de um tempo, já formava um volume considerável no chão. Foi subindo e atingiu os joelhos.
Era suja de cimento e barro, uma cor assim marrom acizentanda.
Continuou subindo. A lâmpada piscou algumas vezes e apagou.
Ficou o escuro e o barulho da água.
Depois de um tempo, já formava um volume considerável no chão. Foi subindo e atingiu os joelhos.
Era suja de cimento e barro, uma cor assim marrom acizentanda.
Continuou subindo. A lâmpada piscou algumas vezes e apagou.
Ficou o escuro e o barulho da água.
quarta-feira, agosto 26, 2009
Amores Instantâneos
Sou partidário dos amores instantâneos. Aqueles que a gente conhece no ônibus, se apaixona e tem um amor pra vida toda. Não é todo dia que acontece (na verdade só acontece uma vez), mas a gente passa a vida procurando um. E não consegue.
Já pensei em registrar numa polaroid:
FLASH - Oi, sou partidário dos amores instantâneos e elegi você como candidata.
Ia ser engraçado chegar no final de semana e conferir o amontoado de fotos no mural. E triste, por que nada ia mudar.
Já pensei em registrar numa polaroid:
FLASH - Oi, sou partidário dos amores instantâneos e elegi você como candidata.
Ia ser engraçado chegar no final de semana e conferir o amontoado de fotos no mural. E triste, por que nada ia mudar.
quinta-feira, agosto 20, 2009
terça-feira, agosto 18, 2009
Relógios
Ocorreu uma multiplicação de relógios em cima da mesa de cabeceira. Hoje são três relógios tique-taqueando ao mesmo tempo.
É tão bonito observar seus ponteiros fora e dentro de sincronia. É como se a cada vez que se olha, aparecesse algo novo. Grandioso, como um novo significado, uma reestruturação da vida.
Ou talvez sejam só impressões de quem nunca usou relógios.
É tão bonito observar seus ponteiros fora e dentro de sincronia. É como se a cada vez que se olha, aparecesse algo novo. Grandioso, como um novo significado, uma reestruturação da vida.
Ou talvez sejam só impressões de quem nunca usou relógios.
sexta-feira, agosto 07, 2009
Todo mundo
Todo mundo tem alguém com quem contar. Uma pessoa que, assim, você pode ligar às três da manhã que ela vai acordar e ir te ajudar no que precisar, em qualquer lugar.
Quando teu pai morrer, apesar dessa pessoa estar passando por outros problemas no momento, vai deixar as coisas de lado e te escutar, te dar um abraço, dizer que vai ficar tudo bem.
Enquanto tu for crescendo, casando ou não, tendo filhos, dinheiro, realizações... ou não, ela vai estar ali te acompanhando em cada coisinha. E tu acompanhando as coisas dela.
E isso é tão bonito.
Quando teu pai morrer, apesar dessa pessoa estar passando por outros problemas no momento, vai deixar as coisas de lado e te escutar, te dar um abraço, dizer que vai ficar tudo bem.
Enquanto tu for crescendo, casando ou não, tendo filhos, dinheiro, realizações... ou não, ela vai estar ali te acompanhando em cada coisinha. E tu acompanhando as coisas dela.
E isso é tão bonito.
24a criança esperança
Hoje salvamos a 24a criança esperança. Para cada criança que você ajuda com o criança esperança, dez ficam na rua, passam fome, assaltam, cometem delitos, usam drogas e morrem precocemente. Participe!
Pipoca
Aquele cheiro de pipoca impregnava o ar, sempre nos dias de chuva.
Um pacotinho especial, daqueles sabor quatro queijos amanteigado e extra salgado. O barulho da pipoca explodindo se sobrepunha ao barulho da chuva, o microondas, antigo, rangia e deixava as luzes da casa mais amareladas que o normal.
pronto. Ia lá satisfeita, sorriso no rosto. Abria o pacote com cuidado, afastada pra não pegar a lufada de ar quente e jogava as pipocas pra dentro do pote, aquele rosinha, usado apenas para esse fim. Ligava a tv e era capaz de passar o dia ali, assistindo sessão da tarde e demorando nas pipocas.
Um pacotinho especial, daqueles sabor quatro queijos amanteigado e extra salgado. O barulho da pipoca explodindo se sobrepunha ao barulho da chuva, o microondas, antigo, rangia e deixava as luzes da casa mais amareladas que o normal.
pronto. Ia lá satisfeita, sorriso no rosto. Abria o pacote com cuidado, afastada pra não pegar a lufada de ar quente e jogava as pipocas pra dentro do pote, aquele rosinha, usado apenas para esse fim. Ligava a tv e era capaz de passar o dia ali, assistindo sessão da tarde e demorando nas pipocas.
Anti-Nelson Rodrigues
Esse post é pra lembrar daquele trecho que quero pôr aqui.
Não encontrei na internet a obra. Não sei procurar livro online direito.
Não encontrei na internet a obra. Não sei procurar livro online direito.
Sério
Ele tem algo muito sério pra te falar.
Não pode ser por telefone, vocês precisam se encontrar. É muito importante que seja hoje. Se for amanhã, amanhã.. já vai ser tempo demais. A noite recém começou, dá tempo.
Não adianta sentir ciúme. Aliás, adianta. Prova que tu ainda gosta de alguma coisa (não digo dele, por que afinal tu). Enfim. A decisão é toda tua, não posso te empurrar nada.
Não entendo por que tu faz as coisas desse jeito animal. É grosseiro, sujo e, principalmente, BURRO.
Não pode ser por telefone, vocês precisam se encontrar. É muito importante que seja hoje. Se for amanhã, amanhã.. já vai ser tempo demais. A noite recém começou, dá tempo.
Não adianta sentir ciúme. Aliás, adianta. Prova que tu ainda gosta de alguma coisa (não digo dele, por que afinal tu). Enfim. A decisão é toda tua, não posso te empurrar nada.
Não entendo por que tu faz as coisas desse jeito animal. É grosseiro, sujo e, principalmente, BURRO.
quinta-feira, agosto 06, 2009
Flores
Hoje dei risada quando sentei para escrever.
Ia começar assim "Hoje, me arrependi novamente, blá blá blá". Quanto drama!
Será que sou realmente tão importante assim a ponto de só falar de mim?
É óbvio a qualquer um que acompanha este blog que, com algumas exceções pelo caminho, em geral escrevo em primeira pessoa, falo de aflições pessoais, da relação com outros, etc. Não acho que escrevo bem, logo, ou sou esquizofrênico ou todos os posts são biográficos (com leves toques aqui e ali né, sou ariano, *piadinha de signo, fora de hora, arregaçando os parênteses e a piada*).
Tem alguns posts que é engraçado imaginar acontecendo MESMO. Tipo esse da barata, realmente observei a barata fazendo todas essas coisas citadas. Agora, o que eu não falei nesse post e lembrei agora.. é que ela ficou MUITO braba com a gente. Estávamos falando dela como se não estivesse ali e de repente a barata começou a se espreguiçar de um jeito estranho e esticar as patas e agitar as antenas freneticamente... muito irritada, certamente conosco e nossos péssimos modos.
Bom, voltando um pouco ali na idéia do outro parágrafo, só escrevo sobre um assunto (eu). Ok, um pode argumentar que mesmo quando falo de uma barata, ou quando o escritor famoso tal escreveu aquele livro muito bom, no fundo está falando de si mesmo. Sim, óbvio, querido. Mas a questão é o objetivo.
Sento aqui disposto a falar de mim ou da barata ou do personagem ou da idéia tal. E o que chega aí na cabeça de vocês é um negócio diferente pra cada uma das situações. Mas não me interessa muito o que vai aí.
A grande questão de todo esse post de caráter "blográfico" é que sentei aqui e me dei conta de que não queria falar desse assunto de sempre. O que acabou virando um assunto em si. E agora estou satisfeito, blackout, fecha a cortina, todo mundo embora.
Ia começar assim "Hoje, me arrependi novamente, blá blá blá". Quanto drama!
Será que sou realmente tão importante assim a ponto de só falar de mim?
É óbvio a qualquer um que acompanha este blog que, com algumas exceções pelo caminho, em geral escrevo em primeira pessoa, falo de aflições pessoais, da relação com outros, etc. Não acho que escrevo bem, logo, ou sou esquizofrênico ou todos os posts são biográficos (com leves toques aqui e ali né, sou ariano, *piadinha de signo, fora de hora, arregaçando os parênteses e a piada*).
Tem alguns posts que é engraçado imaginar acontecendo MESMO. Tipo esse da barata, realmente observei a barata fazendo todas essas coisas citadas. Agora, o que eu não falei nesse post e lembrei agora.. é que ela ficou MUITO braba com a gente. Estávamos falando dela como se não estivesse ali e de repente a barata começou a se espreguiçar de um jeito estranho e esticar as patas e agitar as antenas freneticamente... muito irritada, certamente conosco e nossos péssimos modos.
Bom, voltando um pouco ali na idéia do outro parágrafo, só escrevo sobre um assunto (eu). Ok, um pode argumentar que mesmo quando falo de uma barata, ou quando o escritor famoso tal escreveu aquele livro muito bom, no fundo está falando de si mesmo. Sim, óbvio, querido. Mas a questão é o objetivo.
Sento aqui disposto a falar de mim ou da barata ou do personagem ou da idéia tal. E o que chega aí na cabeça de vocês é um negócio diferente pra cada uma das situações. Mas não me interessa muito o que vai aí.
A grande questão de todo esse post de caráter "blográfico" é que sentei aqui e me dei conta de que não queria falar desse assunto de sempre. O que acabou virando um assunto em si. E agora estou satisfeito, blackout, fecha a cortina, todo mundo embora.
domingo, agosto 02, 2009
Estranha
Eu gosto de girafas, sempre pensei que a menina que eu gostasse precisava ganhar uma girafa de pelúcia de mim. Nunca dei uma. Não sei se nunca gostei de uma.
Você veio com fotos de girafa num zôo distante, na verdade, você TOCOU na girafa. Tocante.
Só me sinto cansado demais. Cansaço de brigar por amizades, por amores, não sinto mais a sede de antes. De fazer as pessoas gostarem de mim, agora, bom, estou mais para vou decaptar todas do que gostem de mim. Tudo bem se você quer sair com outro, tricotar, ir ao cinema, me ignorar. É cansaço mesmo, acho que não faz diferença o mínimo gesto meu, e que se você quer ir, vá.
Então aparece a girafa, rodando. Não sei bem ainda o que é isso tudo. Sei que é bom. Que eu não preciso me esforçar pra gosto. Só ser o que é, já é o suficiente. Ótimo.
5x2.
Você veio com fotos de girafa num zôo distante, na verdade, você TOCOU na girafa. Tocante.
Só me sinto cansado demais. Cansaço de brigar por amizades, por amores, não sinto mais a sede de antes. De fazer as pessoas gostarem de mim, agora, bom, estou mais para vou decaptar todas do que gostem de mim. Tudo bem se você quer sair com outro, tricotar, ir ao cinema, me ignorar. É cansaço mesmo, acho que não faz diferença o mínimo gesto meu, e que se você quer ir, vá.
Então aparece a girafa, rodando. Não sei bem ainda o que é isso tudo. Sei que é bom. Que eu não preciso me esforçar pra gosto. Só ser o que é, já é o suficiente. Ótimo.
5x2.
sábado, agosto 01, 2009
Vertigens
Olha só, tem gente que corre com o carro, que bate, que mata. Tem gente que bebe. Gente que fuma. Gente que cheira.
Eu, como muitos, decidi por outra coisa; minha vertigem é o novo, o tempo todo. Na rua, no carrinho do supermercado, na banca de revistas, numa festa, num aniversário. Sou daqueles que pula na piscina térmica do salão de festas de um desconhecido e faz sexo. Ou dá um tapa na cara da melhor amiga e espera a reação.
Eu, como muitos, decidi por outra coisa; minha vertigem é o novo, o tempo todo. Na rua, no carrinho do supermercado, na banca de revistas, numa festa, num aniversário. Sou daqueles que pula na piscina térmica do salão de festas de um desconhecido e faz sexo. Ou dá um tapa na cara da melhor amiga e espera a reação.
segunda-feira, julho 20, 2009
Lúcia
Eu não me respeito
Eu não posso respeitar a ninguém que me respeite
Eu só posso respeitar alguém que não me respeite.
Respeito Lúcio
porque ele não me respeita
Desprezo Luís
porque ele não me despreza
Somente uma pessoa desprezível
pode respeitar alguém tão desprezível quanto eu
Não posso amar alguém a quem desprezo
Logo, como eu amo Lúcio
não posso acreditar que ele me ame
Que provas me daria de que me ama?
R. D. Laing
Eu não posso respeitar a ninguém que me respeite
Eu só posso respeitar alguém que não me respeite.
Respeito Lúcio
porque ele não me respeita
Desprezo Luís
porque ele não me despreza
Somente uma pessoa desprezível
pode respeitar alguém tão desprezível quanto eu
Não posso amar alguém a quem desprezo
Logo, como eu amo Lúcio
não posso acreditar que ele me ame
Que provas me daria de que me ama?
R. D. Laing
domingo, julho 19, 2009
Óbvias
- Mas tu procurou ela pensando o que? Queria alguém que te completasse ou que fosse legal?
- Não sei, eu tava bêbado, na verdade não pensei nisso tudo. Talvez fosse alguém legal. Acho interessante essa tua separação, por que na realidade é muito difícil encontrar isso (a pessoa legal). Às vezes. Daí quando encontro quero logo ter um compromisso, segurar a pessoa pra mim. E vou me dando conta aos pouquinhos que não temos aquilo que precisa pra fechar. Ela gosta desses crepúsculos, são os livros favoritos dela e eu gosto de sexo furioso. Enfim.
- É, minha outra namorada era assim e passamos oito meses juntos. Se tu quiser voltar, eu acho que pode falar que tu te arrependeu e.
- Não quero. Acho que o relacionamento ideal é aquele que a pessoa te completa e é legal. O problema é encontrar alguém assim e, se encontrar, como faz?
- Eu casava.
- Não sei se quero casar agora, acho que é por isso que não procuro gente assim. Talvez seja uma coisa meio inconsciente, procuro relacionamentos que não vão dar certo. Um vício em relacionamentos curtos.
- Com pessoas legais, que depois tu magoa e fica te sentindo mal.
- Não sei, eu tava bêbado, na verdade não pensei nisso tudo. Talvez fosse alguém legal. Acho interessante essa tua separação, por que na realidade é muito difícil encontrar isso (a pessoa legal). Às vezes. Daí quando encontro quero logo ter um compromisso, segurar a pessoa pra mim. E vou me dando conta aos pouquinhos que não temos aquilo que precisa pra fechar. Ela gosta desses crepúsculos, são os livros favoritos dela e eu gosto de sexo furioso. Enfim.
- É, minha outra namorada era assim e passamos oito meses juntos. Se tu quiser voltar, eu acho que pode falar que tu te arrependeu e.
- Não quero. Acho que o relacionamento ideal é aquele que a pessoa te completa e é legal. O problema é encontrar alguém assim e, se encontrar, como faz?
- Eu casava.
- Não sei se quero casar agora, acho que é por isso que não procuro gente assim. Talvez seja uma coisa meio inconsciente, procuro relacionamentos que não vão dar certo. Um vício em relacionamentos curtos.
- Com pessoas legais, que depois tu magoa e fica te sentindo mal.
sexta-feira, julho 17, 2009
Três Pontinhos
Cuidado quando for pra fronteira, não vai pegar a gripe.
Eu tive um tremor quando te encontrei naquele dia. Tão contente, usando nosso cachecol (teu agora), caminhando feliz na minha direção, com uma pontinha de ciúme da menina conversando comigo. Tinha o mesmo olhar desde a primeira vez que percebi que tu tava apaixonada.
Meu coração disparou, umas gotas de suor frio apareceram nas minhas mãos e na minha nuca, o resto do mundo ficou desfocado e só consegui me concentrar no teu rosto e no que tinha pensando em te dizer a noite inteira.
- Vamos pra lá, tenho um negócio pra te contar.
E teu rosto quase não demonstrou preocupação, de tão confiante. Quanto tempo, se é que houve um tempo, fazia que alguém não me olhava assim? Nem meus pais me olham mais dessa forma.
Depois começou a chover. Enquanto teu cabelo voava, grudando um pouco no teu rosto por causa das lágrimas. E tu não se esforçava pra tirar esse incômodo, só segurava minha mão, meio fraca, desestabilizada. Não pensei duas vezes na decisão que tinha tomado naquela hora, se pensasse, certamente ficaria.
Em casa ainda tem aquele cachecol vermelho com o teu cheiro. Eu sei que já vai sumir e daqui a pouco só vai restar aquele cheiro salgado lembrando o mar. Não devia passar tão rápido.
Eu tive um tremor quando te encontrei naquele dia. Tão contente, usando nosso cachecol (teu agora), caminhando feliz na minha direção, com uma pontinha de ciúme da menina conversando comigo. Tinha o mesmo olhar desde a primeira vez que percebi que tu tava apaixonada.
Meu coração disparou, umas gotas de suor frio apareceram nas minhas mãos e na minha nuca, o resto do mundo ficou desfocado e só consegui me concentrar no teu rosto e no que tinha pensando em te dizer a noite inteira.
- Vamos pra lá, tenho um negócio pra te contar.
E teu rosto quase não demonstrou preocupação, de tão confiante. Quanto tempo, se é que houve um tempo, fazia que alguém não me olhava assim? Nem meus pais me olham mais dessa forma.
Depois começou a chover. Enquanto teu cabelo voava, grudando um pouco no teu rosto por causa das lágrimas. E tu não se esforçava pra tirar esse incômodo, só segurava minha mão, meio fraca, desestabilizada. Não pensei duas vezes na decisão que tinha tomado naquela hora, se pensasse, certamente ficaria.
Em casa ainda tem aquele cachecol vermelho com o teu cheiro. Eu sei que já vai sumir e daqui a pouco só vai restar aquele cheiro salgado lembrando o mar. Não devia passar tão rápido.
segunda-feira, julho 13, 2009
Frio
Às vezes me vem o frio, apesar dos cobertores, dos amigos, da namorada.
Uma insegurança, uma bomba contando o tempo, algo assim, sobe por dentro do abdômen e fica paradinho em cima do peito, esfriando todos os sentimentos. E daí enquanto observo, começa uma queda, onde não dá pra enxergar o fundo.
Nos primeiros dias dá pra escutar as outras pessoas normalmente, até trabalhar se não for muito complicado o que tiver que ser feito. Depois vai ficando complicado, por que fica longe demais de tudo, é difícil até levantar da cama, exige um esforço tremendo dizer pro teu corpo levantar quando já está tão longe.
Conforme entra menos luz por aquele buraco lá em cima, mais fácil fica se distrair com o que não sei se existe. O certo é que não existe fora do buraco, mas lá dentro, tem outras pessoas caindo junto e te puxando. Opinando em tudo, desde levantar da cama até a resposta pros sentimentos - que parecem então - medíocres das outras pessoas.
Passam duas semanas, aparece um ânimo revigorante, acontece um pulo e tudo fica claro de repente. Não se está mais caindo, é chão sólido, tem pessoas contigo, todos preocupados e te acompanhando. Parece tudo bem aí. Até quando se tem certeza de que está tudo bem denovo, então ninguém mais vai estar preocupado daquele jeito contigo e vem o frio, apesar dos cobertores, dos amigos, da namorada...
Uma insegurança, uma bomba contando o tempo, algo assim, sobe por dentro do abdômen e fica paradinho em cima do peito, esfriando todos os sentimentos. E daí enquanto observo, começa uma queda, onde não dá pra enxergar o fundo.
Nos primeiros dias dá pra escutar as outras pessoas normalmente, até trabalhar se não for muito complicado o que tiver que ser feito. Depois vai ficando complicado, por que fica longe demais de tudo, é difícil até levantar da cama, exige um esforço tremendo dizer pro teu corpo levantar quando já está tão longe.
Conforme entra menos luz por aquele buraco lá em cima, mais fácil fica se distrair com o que não sei se existe. O certo é que não existe fora do buraco, mas lá dentro, tem outras pessoas caindo junto e te puxando. Opinando em tudo, desde levantar da cama até a resposta pros sentimentos - que parecem então - medíocres das outras pessoas.
Passam duas semanas, aparece um ânimo revigorante, acontece um pulo e tudo fica claro de repente. Não se está mais caindo, é chão sólido, tem pessoas contigo, todos preocupados e te acompanhando. Parece tudo bem aí. Até quando se tem certeza de que está tudo bem denovo, então ninguém mais vai estar preocupado daquele jeito contigo e vem o frio, apesar dos cobertores, dos amigos, da namorada...
Porco-espinho
Me sinto como um porco-espinho safado.
Deixo todo mundo pôr a mão, daí quando já confiam o suficiente em mim pra pôr mais do que a mão, abro todos os espinhos. Saio machucando todo mundo.
E isso é tão triste.
Hoje acordei com esse sonho irritante na cabeça, de que teu pai e eu falávamos. Passei o dia esperando alguma coisa. Que não aconteceu, como é de se esperar das coisas que se espera. E agora me sinto um porco-espinho safado comigo mesmo.
(finalizado em 17.01.2010)
Deixo todo mundo pôr a mão, daí quando já confiam o suficiente em mim pra pôr mais do que a mão, abro todos os espinhos. Saio machucando todo mundo.
E isso é tão triste.
Hoje acordei com esse sonho irritante na cabeça, de que teu pai e eu falávamos. Passei o dia esperando alguma coisa. Que não aconteceu, como é de se esperar das coisas que se espera. E agora me sinto um porco-espinho safado comigo mesmo.
(finalizado em 17.01.2010)
domingo, julho 12, 2009
Tipo o Godard
- Decidi aprender a escrever hoje, sabe, fazer um desses cursos aí de conto, novela, romance, pós-doutorado.
- Tu não era meio contra esse tipo de coisa?
- Sabe o que é, depois de tanto tempo escrevendo, acho que não sai do mesmo lugar. Tô precisando de umas idéias de como fazer isso diferente.
- Lembra daquela cadeira de comunicação em língua portuguesa?
- Sim, que tem?
- Vai virar um alienado que nem teus colegas.
- É. Mas a questão é encontrar um professor bom, alguém tipo o Godard da literatura.
- Tu não era meio contra esse tipo de coisa?
- Sabe o que é, depois de tanto tempo escrevendo, acho que não sai do mesmo lugar. Tô precisando de umas idéias de como fazer isso diferente.
- Lembra daquela cadeira de comunicação em língua portuguesa?
- Sim, que tem?
- Vai virar um alienado que nem teus colegas.
- É. Mas a questão é encontrar um professor bom, alguém tipo o Godard da literatura.
sexta-feira, julho 10, 2009
quinta-feira, julho 09, 2009
quarta-feira, julho 08, 2009
Um rosto que sorri
Fiquei indeciso sobre o que escrever.
Nem sei por onde.
Parece tudo meio onírico, que nem quando a gente se sente sonhando de forma tão real que parece de verdade.
E a outra? Quanta culpa e tão maravilhoso ao mesmo tempo. Com gosto de errado, que nem tu disse. Queria era tomar esse banho de piscina clandestino todo dia.
Nem sei por onde.
Parece tudo meio onírico, que nem quando a gente se sente sonhando de forma tão real que parece de verdade.
E a outra? Quanta culpa e tão maravilhoso ao mesmo tempo. Com gosto de errado, que nem tu disse. Queria era tomar esse banho de piscina clandestino todo dia.
domingo, julho 05, 2009
sábado, julho 04, 2009
Sinceridade Direta
- Então. A gente tem que acabar. Acontece o seguinte: eu gosto MUITO de fazer sexo e com freqüência. Tipo de três em três dias. E o que acontece contigo, é que só trepamos no final de semana, ISSO QUANDO TREPAMOS. Quer dizer, se tu não tiver trabalho, não for sair com tua amiga, não tiver aniversário, se tua casa estiver organizada (essa é ótima), puder dormir aqui, não tiver que acordar cedo, etc. Enfim, não dá, cansei. Quero alguém pra foder todo dia. Prontofalei.
sexta-feira, julho 03, 2009
Thriller
- I have something I want to tell you.
- Yes, Michael?
- I'm not like other guys.
- Of course not, that's why I love you.
- No, I mean I'm different.
- What are you talking about?
Suddenly, the full moon appears.
- Yes, Michael?
- I'm not like other guys.
- Of course not, that's why I love you.
- No, I mean I'm different.
- What are you talking about?
Suddenly, the full moon appears.
Ei, você
Quero fumar teu trago
Me viciar nesse cheiro
Certo que quero enlouquecer na tua cama.
Daquelas noites em que precisa de um copo d'água ao lado.
Me viciar nesse cheiro
Certo que quero enlouquecer na tua cama.
Daquelas noites em que precisa de um copo d'água ao lado.
quarta-feira, julho 01, 2009
segunda-feira, junho 29, 2009
Tele-entrega
Eu não costumo pedir comida por tele-entrega.
Achava desagradável, perda de dinheiro, tinha medo de me relacionar com o atendente no telefone, quanto mais com o motoqueiro.
E nessa última semana, por algum motivo ainda esquisito, tudo que eu mais quero é comida chinesa na caixinha, entregue em casa.
Agora, que já comi a tele-entrega, yakisoba de vegetais (com excesso de molho shoyo), me dei conta.
Quando coloquei a caixinha em cima da mesa, senti a tua falta. E a falta daquele programa (horrível, mas nosso até no nome "A Praça é Nossa"). E a falta daquelas tardes e noites intermináveis, cheias de bonequinhos, histórias milaborantes, banho naquele chuveiro esquisito, conversas com aquele tio mais esquisito ainda...
Ai pai. Por que tu se foi? Sabe, agora tu não é mais essa figura que tá na minha cabeça. Mesmo que estivesse na tua casa, o yakisoba tu não ia comer. De hashi então, muito menos. A gente ia ter que comer naquele corredor que tu chama de cozinha, não no quarto assistindo sbt no fim da noite. Tua mulher ia implicar com alguma coisa, óbvio. Minha irmã mais nova ia ocupar quase todo o tempo que tenho só contigo na cozinha. O resto dele tu ia ocupar falando da crise, do governo atual, do teu colega no banco e de qualquer problema socio-político-econômico-cultural-psicológico do teu interesse.
Tu ainda brilha um pouco quando fala do passado. Mas isso já é tão raro, que acabo te encarando como um fantasma de quem era o meu pai. Vagando por aí, dando pitacos extremamente inteligentes, mas não indo mais a lugar algum e sem escutar coisa alguma.
Agora como sozinho a porção de dois, assistindo a um filme qualquer que passa na tv. E choro a saudade.
Achava desagradável, perda de dinheiro, tinha medo de me relacionar com o atendente no telefone, quanto mais com o motoqueiro.
E nessa última semana, por algum motivo ainda esquisito, tudo que eu mais quero é comida chinesa na caixinha, entregue em casa.
Agora, que já comi a tele-entrega, yakisoba de vegetais (com excesso de molho shoyo), me dei conta.
Quando coloquei a caixinha em cima da mesa, senti a tua falta. E a falta daquele programa (horrível, mas nosso até no nome "A Praça é Nossa"). E a falta daquelas tardes e noites intermináveis, cheias de bonequinhos, histórias milaborantes, banho naquele chuveiro esquisito, conversas com aquele tio mais esquisito ainda...
Ai pai. Por que tu se foi? Sabe, agora tu não é mais essa figura que tá na minha cabeça. Mesmo que estivesse na tua casa, o yakisoba tu não ia comer. De hashi então, muito menos. A gente ia ter que comer naquele corredor que tu chama de cozinha, não no quarto assistindo sbt no fim da noite. Tua mulher ia implicar com alguma coisa, óbvio. Minha irmã mais nova ia ocupar quase todo o tempo que tenho só contigo na cozinha. O resto dele tu ia ocupar falando da crise, do governo atual, do teu colega no banco e de qualquer problema socio-político-econômico-cultural-psicológico do teu interesse.
Tu ainda brilha um pouco quando fala do passado. Mas isso já é tão raro, que acabo te encarando como um fantasma de quem era o meu pai. Vagando por aí, dando pitacos extremamente inteligentes, mas não indo mais a lugar algum e sem escutar coisa alguma.
Agora como sozinho a porção de dois, assistindo a um filme qualquer que passa na tv. E choro a saudade.
Casa Vazia
Nesse final de semana tive a casa só para mim.
Passei três horas, das 72, em casa.
Isso significa que meu gato, além de sofrer com a crise dos alimentos, ficou muito carente. Agora aqui no meu colo me afaga e está numa felicidade sem tamanho.
Talvez tenha passado os dias miando alto. Ou se irritado com o acúmulo na caixa de dejetos. Não sei.
Passei boa parte do tempo escutando. Aliás, isso tem virado vocação. Teus problemas com teus pais, avós, tua afeição pelos teus amigos, a deprê do fulano, a carência do outro, o teu vício, ...
Ok. Faço o que nenhum dos teus grandes amigos faz, te escuto e só.
Mas não sou príncipe encantado, o amor da tua vida, o cara, por fazer isso.
Acredito que funciono mais como um espelho. Tu fala, fala, fala e enxerga isso tudo no reflexo.
E aí quem é que tu ama? O espelho ou o teu reflexo?
Miau, é.
Passei três horas, das 72, em casa.
Isso significa que meu gato, além de sofrer com a crise dos alimentos, ficou muito carente. Agora aqui no meu colo me afaga e está numa felicidade sem tamanho.
Talvez tenha passado os dias miando alto. Ou se irritado com o acúmulo na caixa de dejetos. Não sei.
Passei boa parte do tempo escutando. Aliás, isso tem virado vocação. Teus problemas com teus pais, avós, tua afeição pelos teus amigos, a deprê do fulano, a carência do outro, o teu vício, ...
Ok. Faço o que nenhum dos teus grandes amigos faz, te escuto e só.
Mas não sou príncipe encantado, o amor da tua vida, o cara, por fazer isso.
Acredito que funciono mais como um espelho. Tu fala, fala, fala e enxerga isso tudo no reflexo.
E aí quem é que tu ama? O espelho ou o teu reflexo?
Miau, é.
sexta-feira, junho 26, 2009
Relacionamentos I
É importante, nos três primeiros meses da relação, estabelecer um vínculo sexual intenso.
Sexo deve ser praticado ao menos uma vez por semana, sendo o ideal três vezes ou mais por semana. É fundamental que se tenha tempo para praticar o coito, não que se vá passar a noite inteira rangendo a cama, mas ter o espaço para conversa, segunda, terceira, quarta vez, água, refeição noturna. Isso contribui para o bem-estar e amadurecimento da relação, além da diversão de explorar outros cômodos da casa.
Sexo deve ser praticado ao menos uma vez por semana, sendo o ideal três vezes ou mais por semana. É fundamental que se tenha tempo para praticar o coito, não que se vá passar a noite inteira rangendo a cama, mas ter o espaço para conversa, segunda, terceira, quarta vez, água, refeição noturna. Isso contribui para o bem-estar e amadurecimento da relação, além da diversão de explorar outros cômodos da casa.
quinta-feira, junho 25, 2009
Do quadro clínico
- É grave?
- Gravíssimo.
- Existe alguma possibilidade de cura?
- Sempre há esperança.
- Doutor, por favor, o que devemos fazer?
- É preciso interná-lo. Afastá-lo do contato feminino completamente, antes que enlouqueça.
- Não poderá encontrar nem a mãe?
- Seria perigoso até mesmo para ela. Em até três meses deve estar curado, será possível apresentá-lo à sociedade novamente. Será um novo homem, as mulheres não terão por que temer nos supermercados, ônibus, praças e quaisquer outros locais. É possível até que estabeleça relacionamentos consistentes.
- O senhor não acha que o contato sexual pode causar um retorno dos sintomas?
- Não. Uma vez que o paciente se dê conta de sua disfunção, é extremamente raro o quadro reaparecer.
- Gravíssimo.
- Existe alguma possibilidade de cura?
- Sempre há esperança.
- Doutor, por favor, o que devemos fazer?
- É preciso interná-lo. Afastá-lo do contato feminino completamente, antes que enlouqueça.
- Não poderá encontrar nem a mãe?
- Seria perigoso até mesmo para ela. Em até três meses deve estar curado, será possível apresentá-lo à sociedade novamente. Será um novo homem, as mulheres não terão por que temer nos supermercados, ônibus, praças e quaisquer outros locais. É possível até que estabeleça relacionamentos consistentes.
- O senhor não acha que o contato sexual pode causar um retorno dos sintomas?
- Não. Uma vez que o paciente se dê conta de sua disfunção, é extremamente raro o quadro reaparecer.
Curinga
"Minha casa é em lugar nenhum – prosseguiu ele. –Não sou de copas, nem de ouros, nem de paus, nem de espadas. Também não sou rei ou valete, nem oito, nem ás. Aqui estou eu, um simples curinga. E tive de descobrir sozinho o que é ser um curinga. Toda vez que mexo a cabeça, meus guizos tilintam e me lembram de que não tenho família, de que sou sozinho. Não tenho um número nem um ofício. [...] Assim, tudo o que eu sempre fiz foi andar por aí observando tudo o que os outros faziam. Em contrapartida, pude ver um monte de coisas para quais os outros sempre foram cegos."
Higiene e Economia
1. Banho somente aos sábados.
2. Uma vez por mês todo mundo tem direito a banho de banheira.
2.2 A ordem da banheira é a seguinte:
- O vô
- A vó
- O pai
- A mãe
- O irmão mais velho
- O irmão do meio
- A irmã mais nova
- A visita
2.3 Cuidar pra não derramar água para fora da banheira, senão quando chegar na vez da visita já estará muito rasa.
3. Desligar o aquecedor durante a noite pra não gastar carvão.
4. Não revezar os cobertores e evitar lavar a cabeça na banheira em caso de piolhos
5. A descarga só é puxada uma vez por dia, às 22 horas.
2. Uma vez por mês todo mundo tem direito a banho de banheira.
2.2 A ordem da banheira é a seguinte:
- O vô
- A vó
- O pai
- A mãe
- O irmão mais velho
- O irmão do meio
- A irmã mais nova
- A visita
2.3 Cuidar pra não derramar água para fora da banheira, senão quando chegar na vez da visita já estará muito rasa.
3. Desligar o aquecedor durante a noite pra não gastar carvão.
4. Não revezar os cobertores e evitar lavar a cabeça na banheira em caso de piolhos
5. A descarga só é puxada uma vez por dia, às 22 horas.
Prazer em conhecer
- Esse livro é aquele que a guria morre de câncer no final, mas antes é visitada por um anjo?
- Não, esse é aquele que a mãe morre de câncer e viaja com o filho e o marido.
- Ah tá, é que eu tava procurando saber o nome desse livro, o que é meio besta, já que tenho ele lá em casa e é só olhar. Mas sabe como é.
- Heh, sei sim.
- Já leu aquele outro que conta a história da filosofia e tal?
- Já. Achei muito extenso. Pra mim o melhor é o do curinga, sabe?
- Sei. Tá lá em casa junto desse aí. E tem ainda outro, mas sou péssimo pra nomes. Sobre o que é esse do curinga?
- Eles fazem uma viagem e acabam numa ilha cheia de anões, cada anão é uma carta do baralho. Daí o curinga é o único que não se encaixa, é muito bom. Deve ser o melhor dele.
- Tô a séculos pra ler.
- Também fico com livros na estante esperando durante muito tempo, heh.
- Essa parte é a que mais gosto do ônibus. Não é bonita a paisagem daqui? Sem os prédios e tal. De noite é lindo, todas as casas ficam iluminadas. Mas já acabou, é, de volta pro concreto.
- Não pego muito esse ônibus.
- Fez vestibular hoje?
- Sim.
- Medicina?
- Hm.. não, medicina só no fim do ano. Agora fiz pra biologia. Os professores do cursinho disseram que é bom pra praticar pra outros cursos.
- Ah. É teu primeiro ano depois do colégio?
- Sim, primeiro ano de cursinho. E tu? Fez vestibular também?
- Não.. tava filmando uma peça de teatro lá. Meus colegas se apresentam ainda essa semana, queriam ter uma idéia e tal.
- Poxa, que legal, mas tu faz o que?
- Cinema.
- Eu tinha um colega que entrou agora. Gabriel, conhece?
- Hm.. moreno, sobrancelha grossa?
- Esse mesmo. Estudava comigo no colégio.
- Sei. Ele é meio esquisito, me adicionou sem nunca ter falado comigo antes.
- É, eu achava ele esquisito também, ele fez intercâmbio na Hungria. Sabe, quando as pessoas fazem intercâmbio ninguém pensa na Hungria.
- País estranho pra ir heh.
- Mas ele é bem legal, conversei com ele mais no último ano, quando ele voltou.
- Tu desce nessa?
- Não, desço lá no parcão. E tu?
- Desço ali na tok&stok, sabe?
- Uhum.
- Como tu acha que foi?
- No que?
- No vestibular.
- Ah, não sei. Química sei que fui mal.
- Fiz 3 em química.
- Nossa! Heh! Minha amiga fez 3 na ufrgs, só que em espanhol.
- Bah, ela se puxou.
- Sim, queria arrancar os cabelos.
- Eu desço nessa.
- Ah tá.
- Então. É.
- É, boa noite, heh.
- Boa noite. E boa sorte no fim do ano!
- Obrigada.
- Não, esse é aquele que a mãe morre de câncer e viaja com o filho e o marido.
- Ah tá, é que eu tava procurando saber o nome desse livro, o que é meio besta, já que tenho ele lá em casa e é só olhar. Mas sabe como é.
- Heh, sei sim.
- Já leu aquele outro que conta a história da filosofia e tal?
- Já. Achei muito extenso. Pra mim o melhor é o do curinga, sabe?
- Sei. Tá lá em casa junto desse aí. E tem ainda outro, mas sou péssimo pra nomes. Sobre o que é esse do curinga?
- Eles fazem uma viagem e acabam numa ilha cheia de anões, cada anão é uma carta do baralho. Daí o curinga é o único que não se encaixa, é muito bom. Deve ser o melhor dele.
- Tô a séculos pra ler.
- Também fico com livros na estante esperando durante muito tempo, heh.
- Essa parte é a que mais gosto do ônibus. Não é bonita a paisagem daqui? Sem os prédios e tal. De noite é lindo, todas as casas ficam iluminadas. Mas já acabou, é, de volta pro concreto.
- Não pego muito esse ônibus.
- Fez vestibular hoje?
- Sim.
- Medicina?
- Hm.. não, medicina só no fim do ano. Agora fiz pra biologia. Os professores do cursinho disseram que é bom pra praticar pra outros cursos.
- Ah. É teu primeiro ano depois do colégio?
- Sim, primeiro ano de cursinho. E tu? Fez vestibular também?
- Não.. tava filmando uma peça de teatro lá. Meus colegas se apresentam ainda essa semana, queriam ter uma idéia e tal.
- Poxa, que legal, mas tu faz o que?
- Cinema.
- Eu tinha um colega que entrou agora. Gabriel, conhece?
- Hm.. moreno, sobrancelha grossa?
- Esse mesmo. Estudava comigo no colégio.
- Sei. Ele é meio esquisito, me adicionou sem nunca ter falado comigo antes.
- É, eu achava ele esquisito também, ele fez intercâmbio na Hungria. Sabe, quando as pessoas fazem intercâmbio ninguém pensa na Hungria.
- País estranho pra ir heh.
- Mas ele é bem legal, conversei com ele mais no último ano, quando ele voltou.
- Tu desce nessa?
- Não, desço lá no parcão. E tu?
- Desço ali na tok&stok, sabe?
- Uhum.
- Como tu acha que foi?
- No que?
- No vestibular.
- Ah, não sei. Química sei que fui mal.
- Fiz 3 em química.
- Nossa! Heh! Minha amiga fez 3 na ufrgs, só que em espanhol.
- Bah, ela se puxou.
- Sim, queria arrancar os cabelos.
- Eu desço nessa.
- Ah tá.
- Então. É.
- É, boa noite, heh.
- Boa noite. E boa sorte no fim do ano!
- Obrigada.
segunda-feira, junho 22, 2009
Mãos
Quentes, frias, pequenas, grandes.
Dedos longos, finos, pequenos, grossos.
Me invadem os poros e fazem querer parar o tempo.
(finalizado em 17.01.2010)
Dedos longos, finos, pequenos, grossos.
Me invadem os poros e fazem querer parar o tempo.
(finalizado em 17.01.2010)
domingo, junho 21, 2009
Sobre galinhas e carnes
Não faz muito, três meses?, decidi não comer qualquer carne que não viesse do mar. Um problemão, uma vez que não gosto muito de fazer peixe e não sei muitas receitas sem carnes vermelhas.
Quinta-feira foi aniversário da minha vó. Tinha vinhos, pães, doces e ainda ia chegar pizza. E chegou: duas calabresas, uma frango catupiry, meia margarita, meia portuguesa (que era calabresa com presunto). Como faz?
*Não faz muito também, decidi que preciso voltar a comer carne. Uma questão de viagem e saúde que não vem ao caso.*
Comi a pizza de frango e a margarita. (esqueci de dizer que tinha mais duas de banana e chocolate, claro que comi também). Me senti mal pelo frango, achei que ia passar mal (aconteceu numa outra vez), mas no fim das contas não, pelo menos até agora.
Quinta-feira foi aniversário da minha vó. Tinha vinhos, pães, doces e ainda ia chegar pizza. E chegou: duas calabresas, uma frango catupiry, meia margarita, meia portuguesa (que era calabresa com presunto). Como faz?
*Não faz muito também, decidi que preciso voltar a comer carne. Uma questão de viagem e saúde que não vem ao caso.*
Comi a pizza de frango e a margarita. (esqueci de dizer que tinha mais duas de banana e chocolate, claro que comi também). Me senti mal pelo frango, achei que ia passar mal (aconteceu numa outra vez), mas no fim das contas não, pelo menos até agora.
quinta-feira, junho 18, 2009
Minha amada galinha
Hoje te comi, querida.
Senti o gosto do teu sofrimento, enquanto devorava tua carne. Te machuquei, meu bem, e sei. Li no poema do ônibus que peguei depois: "A lágrima é quente e a noite é fria". Achei tão bonito que decidi escrever esse trecho nesse pedaço de nada que dou tanto valor.
No meu caso, talvez, seja o vômito é quente e a noite fria. O vômito pode ser tanto que vou chorar, afundar minha cabeça no vaso. E não vai ser a noite fria, por que o banheiro é sempre frio, com seus azulejos verdes me olhando e repelindo. O choro é quente e os dias é que são frios.
Senti o gosto do teu sofrimento, enquanto devorava tua carne. Te machuquei, meu bem, e sei. Li no poema do ônibus que peguei depois: "A lágrima é quente e a noite é fria". Achei tão bonito que decidi escrever esse trecho nesse pedaço de nada que dou tanto valor.
No meu caso, talvez, seja o vômito é quente e a noite fria. O vômito pode ser tanto que vou chorar, afundar minha cabeça no vaso. E não vai ser a noite fria, por que o banheiro é sempre frio, com seus azulejos verdes me olhando e repelindo. O choro é quente e os dias é que são frios.
quarta-feira, junho 17, 2009
Das espécies
"Não resta a menor dúvida de que a mulher não é a fêmea natural do homem. Num trágico fenômeno sísmico, o homem perdeu sua fêmea natural, e, talvez nesse mesmo fenômeno, a fêmea também perdeu seu macho natural. Essas duas espécies essencialmente diferentes vivem até hoje juntas, numa simbiose anormal."
(Todas as Mulheres do Mundo)
(Todas as Mulheres do Mundo)
segunda-feira, junho 15, 2009
Curry
O caril ou curry é uma mistura de especiarias muito utilizada na culinária de países como Índia, Tailândia e alguns outros países asiáticos.
Este condimento é feito à base de pó amarelo de açafrão-da-índia (curcuma), cardamomo, coentro, gengibre, cominho, casca de noz-moscada, cravinho, pimenta e canela. Para além destes ingredientes básicos, outros são incluídos, de acordo com as preferências: alforva, pimenta-de-caiena, cominhos finos, noz-moscada, pimenta-da-jamaica, pimentão e alecrim, entre outros. Existem caris que chegam a levar setenta plantas diferentes. Inicialmente o caril servia para temperar exclusivamente o arroz, mas actualmente é usado para a confecção de inúmeras receitas, como o frango de caril, etc.
A introdução da palavra caril na língua portuguesa remonta a 1563, data do primeiro registo escrito, tendo tido como origem a língua tâmil. Apesar da sua antiguidade, a forma caril é pouco empregada no Brasil, onde são mais populares as formas inglesa curry ou japonesa carê, respectivamente para as culinárias indiana ou japonesa. A forma inglesa curry foi adaptada da forma portuguesa caril em 1598, de acordo com registos escritos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Curry
Este condimento é feito à base de pó amarelo de açafrão-da-índia (curcuma), cardamomo, coentro, gengibre, cominho, casca de noz-moscada, cravinho, pimenta e canela. Para além destes ingredientes básicos, outros são incluídos, de acordo com as preferências: alforva, pimenta-de-caiena, cominhos finos, noz-moscada, pimenta-da-jamaica, pimentão e alecrim, entre outros. Existem caris que chegam a levar setenta plantas diferentes. Inicialmente o caril servia para temperar exclusivamente o arroz, mas actualmente é usado para a confecção de inúmeras receitas, como o frango de caril, etc.
A introdução da palavra caril na língua portuguesa remonta a 1563, data do primeiro registo escrito, tendo tido como origem a língua tâmil. Apesar da sua antiguidade, a forma caril é pouco empregada no Brasil, onde são mais populares as formas inglesa curry ou japonesa carê, respectivamente para as culinárias indiana ou japonesa. A forma inglesa curry foi adaptada da forma portuguesa caril em 1598, de acordo com registos escritos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Curry
terça-feira, junho 09, 2009
Carta
Entre as flores rosas de um parque qualquer numa cidade qualquer.
Vou sentir teu gosto - e de mil outras!
Teu fôlego, tua expressão, tua ânsia. Tua e delas.
Êxtase.
Diz logo tua sede.
Arrebenta, pinta de vermelho tua cara já manchada.
Chega de meia-palavras e meios-amores! Quero teu sangue.
Te matar o tempo todo.
Cansa. Seis meses de ciclo seco, de outros amores e fingimentos. Mas não adianta cansar, não volta. Fica lá pra sempre e o que resta é mentira. Essas frases curtas, soltas, feias, que trancam depois de cada ponto, quase como se esperassem algo acontecer.
Vou sentir teu gosto - e de mil outras!
Teu fôlego, tua expressão, tua ânsia. Tua e delas.
Êxtase.
Diz logo tua sede.
Arrebenta, pinta de vermelho tua cara já manchada.
Chega de meia-palavras e meios-amores! Quero teu sangue.
Te matar o tempo todo.
Cansa. Seis meses de ciclo seco, de outros amores e fingimentos. Mas não adianta cansar, não volta. Fica lá pra sempre e o que resta é mentira. Essas frases curtas, soltas, feias, que trancam depois de cada ponto, quase como se esperassem algo acontecer.
sábado, junho 06, 2009
Do reflexo no vidro
No reflexo desse vidro fosco a gente acaba enxergando muita coisa.
Inventado e misturado.
Invertido como aquele amor de infância, que jogava pedra enquanto dizia te amo.
Te encontrei no restaurante do trabalho. Magro, pálido, com dois filhos estudando no nosso colégio. Não olhou para mim, nem queria. Depois do que te fiz, nunca mais a gente se relacionou do mesmo jeito.
No verão daquele ano não tinha com quem brincar. Pegava cartas e fazia castelos. Tirei fotos, tenho até hoje pra te mostrar. Li um livro também, quer dizer, pelo menos comecei. Parei quando me masturbei com ele. Engraçado, né, se masturbar com um livro. Foi a primeira vez. Era a história do escritor do Kama Sutra, contada por um discípulo.
Apaguei aquele vidro fosco da mente até hoje. Deve ter sido o terno que atraiu o teu olhar. Ou talvez tu estejas só com tua rouquidão. Só com todos a minha volta me dizendo quão bonita.
Atraiu e fez chover uma água húmida do lado de dentro.
De todos os amores que não deram certo.
Inventado e misturado.
Invertido como aquele amor de infância, que jogava pedra enquanto dizia te amo.
Te encontrei no restaurante do trabalho. Magro, pálido, com dois filhos estudando no nosso colégio. Não olhou para mim, nem queria. Depois do que te fiz, nunca mais a gente se relacionou do mesmo jeito.
No verão daquele ano não tinha com quem brincar. Pegava cartas e fazia castelos. Tirei fotos, tenho até hoje pra te mostrar. Li um livro também, quer dizer, pelo menos comecei. Parei quando me masturbei com ele. Engraçado, né, se masturbar com um livro. Foi a primeira vez. Era a história do escritor do Kama Sutra, contada por um discípulo.
Apaguei aquele vidro fosco da mente até hoje. Deve ter sido o terno que atraiu o teu olhar. Ou talvez tu estejas só com tua rouquidão. Só com todos a minha volta me dizendo quão bonita.
Atraiu e fez chover uma água húmida do lado de dentro.
De todos os amores que não deram certo.
sexta-feira, junho 05, 2009
sábado, maio 30, 2009
O teu pai
Como é difícil amar aquele pai que bateu na nossa mãe, estragou a vida dos filhos, destruiu as finanças, ou sei lá qual motivo você queira dar para ter ódio dele. O mesmo pai que tentou se matar, pagou a faculdade da filha, deu um suporte financeiro, ou, novamente, sei lá qual motivo você queira dar para entender que ele também é um ser humano. Com sentimentos complicados ou não, ações boas ou não, bom ou mau.
Da impossibilidade de amar
Não é de ontem que pessoas se queixam que não conseguem amar. Mas o que é esse amor que a gente parece desejar? É uma dessas criações da nossa cabeça. A gente pega um balão, enche ele de idéias sobre como a pessoa é e do nosso futuro ou passado juntos e o balão começa a voar. Mas aí, é óbvio, as idéias, que são extremamente inconstantes, mudam. Mudam por qualquer motivo. Não precisa ser aquele cliché: a pessoa não corresponde ao que pensava.. é bem possível que ela corresponda exatamente ao que você imaginou; o problema está em idealizar algo diferente.
Existe essa sede por idealizar pessoas (ou coisas) diferentes, então mesmo quando a expectativa é atingida, isso nos leva a refazer tudo e destruir aquilo que temos e poderia ser tão bonito. Deve ser uma questão "biológica", a idealização de outras pessoas produz determinadas substâncias no corpo e estamos viciados nelas, portanto não conseguimos nos desvincular dessa ânsia por idéias diferentes.
Enfim, pra amar é necessário um esforço contrário do que estamos acostumados. Não vamos encher balão algum. A questão está em aceitar as coisas como são, não estimular idéias em cima das ações dos outros, somente aceitar. E isso pode ser muito difícil, talvez por causa dessa questão "biológica" de estarmos viciados, ou, mais provável e aliado a essa questão, por não querermos amar ao outro.
Não querer amar o outro é ter medo de olhá-lo como ser humano e, principalmente, como parte de nós. Sempre é muito fácil enxergar os problemas dos outros, criticá-los e mesmo odiá-los. Só que essa idéia do que é o outro, é apenas isso: uma idéia. E sendo uma idéia, é nosso, nós que dizemos "isso é assim", está dentro da nossa cabeça.
Parando para olhar nossos sentimentos, percebemos que todos são baseados em nós mesmos, nada é externo. São idéias que temos das pessoas e a partir daí desenvolvemos algo. Tudo dentro de nós. Às vezes aconteceu algo "ruim", o pai bateu na mãe, às vezes não, o pai ligou o carro e foi trabalhar. A idéia que fazemos dessas duas ações pode ir para qualquer lado em qualquer momento, por que é, como escrevi, inconstante. Então a mera ação do pai ir trabalhar pode ser terrível, levar toda uma carga a partir de um raciocínio. Ou o pai bater na mãe pode ser algo maravilhoso. Talvez a gente queira que a mãe apanhe mesmo em algum momento.
A questão é perceber que todas as coisas que sentimos partem de pensamentos sobre o mundo. E como esses pensamentos estão mudando de forma toda hora, os sentimentos não possuem uma base estável e oscilam o tempo todo.
Portanto, o amor baseado na não-idealização, não-julgamento, não-eu, possui uma base forte. Por mais que você pense horrores ou maravilhas sobre determinado objeto ou pessoa, aquilo vai continuar a ser o que é. Você estará aceitando e amando.
Não quero dizer que por causa do não-julgamento então não devemos reagir diante ações maléficas, sob o pretexto de que é assim que as coisas são. Pelo contrário, podemos direcionar ou reverter essas ações de forma muito mais clara e precisa, estando consciente do que é a ação, de onde se origina e como pode ser solucionada. Por que direcionar, já que as coisas são assim? Por que fazemos parte do presente e fazemos as coisas serem do jeito que são também.
Existe essa sede por idealizar pessoas (ou coisas) diferentes, então mesmo quando a expectativa é atingida, isso nos leva a refazer tudo e destruir aquilo que temos e poderia ser tão bonito. Deve ser uma questão "biológica", a idealização de outras pessoas produz determinadas substâncias no corpo e estamos viciados nelas, portanto não conseguimos nos desvincular dessa ânsia por idéias diferentes.
Enfim, pra amar é necessário um esforço contrário do que estamos acostumados. Não vamos encher balão algum. A questão está em aceitar as coisas como são, não estimular idéias em cima das ações dos outros, somente aceitar. E isso pode ser muito difícil, talvez por causa dessa questão "biológica" de estarmos viciados, ou, mais provável e aliado a essa questão, por não querermos amar ao outro.
Não querer amar o outro é ter medo de olhá-lo como ser humano e, principalmente, como parte de nós. Sempre é muito fácil enxergar os problemas dos outros, criticá-los e mesmo odiá-los. Só que essa idéia do que é o outro, é apenas isso: uma idéia. E sendo uma idéia, é nosso, nós que dizemos "isso é assim", está dentro da nossa cabeça.
Parando para olhar nossos sentimentos, percebemos que todos são baseados em nós mesmos, nada é externo. São idéias que temos das pessoas e a partir daí desenvolvemos algo. Tudo dentro de nós. Às vezes aconteceu algo "ruim", o pai bateu na mãe, às vezes não, o pai ligou o carro e foi trabalhar. A idéia que fazemos dessas duas ações pode ir para qualquer lado em qualquer momento, por que é, como escrevi, inconstante. Então a mera ação do pai ir trabalhar pode ser terrível, levar toda uma carga a partir de um raciocínio. Ou o pai bater na mãe pode ser algo maravilhoso. Talvez a gente queira que a mãe apanhe mesmo em algum momento.
A questão é perceber que todas as coisas que sentimos partem de pensamentos sobre o mundo. E como esses pensamentos estão mudando de forma toda hora, os sentimentos não possuem uma base estável e oscilam o tempo todo.
Portanto, o amor baseado na não-idealização, não-julgamento, não-eu, possui uma base forte. Por mais que você pense horrores ou maravilhas sobre determinado objeto ou pessoa, aquilo vai continuar a ser o que é. Você estará aceitando e amando.
Não quero dizer que por causa do não-julgamento então não devemos reagir diante ações maléficas, sob o pretexto de que é assim que as coisas são. Pelo contrário, podemos direcionar ou reverter essas ações de forma muito mais clara e precisa, estando consciente do que é a ação, de onde se origina e como pode ser solucionada. Por que direcionar, já que as coisas são assim? Por que fazemos parte do presente e fazemos as coisas serem do jeito que são também.
domingo, maio 24, 2009
Da minha crença nas mulheres
Não sei. As pessoas andam com plaquinhas "sou legal/chato", mas não tenho respeitado isso. Me dizem "sou chata, louca, psicótica, esquizofrênica, alcoólatra" e mesmo assim invisto meu tempo (e dinheiro, por que não dizer).
(finalizado em 17.01.2010)
(finalizado em 17.01.2010)
sábado, maio 23, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
Sinceridade no trabalho
- Ah, eu sempre tento ser sincero com as pessoas, sabe.
- É? Tu fala que a pesquisa demora, correndo, 20 minutos e são 77 perguntas toda vez que tu liga?
- É? Tu fala que a pesquisa demora, correndo, 20 minutos e são 77 perguntas toda vez que tu liga?
Work Work Work
- Bom dia, aqui é da Todeschini e eu gostaria de falar com o responsável pela compra de móveis.
- Éam.. a gente não costuma comprar móveis aqui não, não sei qual vai ser a utilidade..
- Vocês não compram cadeiras ou mesas?
- Sim, cadeira e mesa a gente compra.
- Então, por favor, pode me passar o responsável pela compra de móveis?
Depois de 5 minutos de Für Elise.
- Bom dia, aqui é da Todeschini e eu gostaria de falar com o responsável pela compra de móveis.
- Então fale ué.
- Ah, é o senhor?
- Sim, pode falar.
- A gente quer fazer uma pesquisa com o senhor, tudo bem?
- Quantas perguntas são?
- Um número razoável, senhor.
- Quantas?
- No máximo 10 minutos.
- 10 minutos? Poxa, é longa, tem certeza que é um número razóavel? Quantas são?
- São 77 perguntas, senhor.
Tu tu tu.
- Éam.. a gente não costuma comprar móveis aqui não, não sei qual vai ser a utilidade..
- Vocês não compram cadeiras ou mesas?
- Sim, cadeira e mesa a gente compra.
- Então, por favor, pode me passar o responsável pela compra de móveis?
Depois de 5 minutos de Für Elise.
- Bom dia, aqui é da Todeschini e eu gostaria de falar com o responsável pela compra de móveis.
- Então fale ué.
- Ah, é o senhor?
- Sim, pode falar.
- A gente quer fazer uma pesquisa com o senhor, tudo bem?
- Quantas perguntas são?
- Um número razoável, senhor.
- Quantas?
- No máximo 10 minutos.
- 10 minutos? Poxa, é longa, tem certeza que é um número razóavel? Quantas são?
- São 77 perguntas, senhor.
Tu tu tu.
domingo, maio 17, 2009
quinta-feira, maio 14, 2009
I'll kill her
So of course, you were supposed to call me tonight,
You were supposed to call me tonight,
We'd have gone to the cinema,
And afterwards the restaurant,
The one you like in your street.
We'd have slept together,
Had a nice breakfast together,
And then a walk in the park together,
How beautiful it would have been.
You would have said: "I love you,"
In the cutest place on earth,
Where some little vines are dancing with the fairies.
I would have waited like a week or two,
But you never tried to reach me, no,
You never called me back.
You were dating that bleached blonde girl,
If I find her, I swear...
I swear I'll kill her,
I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.
I would have met your friends,
We would have had a drink or two,
They would have liked me cause,
Sometimes I'm funny.
I would have met your dad,
I would have met your mum, she'd have said:
"Please, can't you make some beautiful babies".
So we would have had a boy called Tom,
And a girl called Susan, born in Japan.
I thought it was a love story,
But you don't want to get involved.
I thought it was a love story,
But you're not ready for that,
Me neither.
I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.
She's a bitch, you know.
All she's got is blondeness,
Not even tenderness, yeah.
She's cleverless.
She'll dump your ass for a model called Brendan,
He will pay for a beautiful surgery,
'Cause he's full of money.
I would have waited like a week or two,
But you never tried to reach me, no,
You never called me back.
You were dating that bleached blonde girl,
And if I find her, I swear,
I swear.
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.
So man I told you... if I find her,
I'll just find something, anything...
a gun if I can. Anything.
And I'm strong enough, so I'll do it.
I'll kill her.
You were supposed to call me tonight,
We'd have gone to the cinema,
And afterwards the restaurant,
The one you like in your street.
We'd have slept together,
Had a nice breakfast together,
And then a walk in the park together,
How beautiful it would have been.
You would have said: "I love you,"
In the cutest place on earth,
Where some little vines are dancing with the fairies.
I would have waited like a week or two,
But you never tried to reach me, no,
You never called me back.
You were dating that bleached blonde girl,
If I find her, I swear...
I swear I'll kill her,
I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.
I would have met your friends,
We would have had a drink or two,
They would have liked me cause,
Sometimes I'm funny.
I would have met your dad,
I would have met your mum, she'd have said:
"Please, can't you make some beautiful babies".
So we would have had a boy called Tom,
And a girl called Susan, born in Japan.
I thought it was a love story,
But you don't want to get involved.
I thought it was a love story,
But you're not ready for that,
Me neither.
I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.
She's a bitch, you know.
All she's got is blondeness,
Not even tenderness, yeah.
She's cleverless.
She'll dump your ass for a model called Brendan,
He will pay for a beautiful surgery,
'Cause he's full of money.
I would have waited like a week or two,
But you never tried to reach me, no,
You never called me back.
You were dating that bleached blonde girl,
And if I find her, I swear,
I swear.
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.
So man I told you... if I find her,
I'll just find something, anything...
a gun if I can. Anything.
And I'm strong enough, so I'll do it.
I'll kill her.
terça-feira, maio 12, 2009
Retorno de la noche
"Entonces estoy muerto. Nada de investigaciones sobre el absurdo. Ahí estoy: soy prueba suficiente. Cada vez más rígido y más lejano. El resorte tenso se ha quebrado y he aquí que yazgo en ese lecho, entornando los ojos ante la luz que aleja la noche de su presa. Muerto. Nada más simple. Muerto. ¿Qué tiene de irreal, de pesadilla, de...? Muerto. Que estoy muerto. Levanto el brazode mi cadáver y lo arropo. Ahí estará mejor. Nada de preguntas. Todo es rigurosamente esencial y primitivo: esquema de la muerte. Sí, pero... No, nada de problemas; ya sé, ya sé que además de mi mismo, muerto en la cama, estoy aquí, en este otro lado. Pero basta, basta de eso; ahora hay otra cosa en que pensar. Nada de preguntas. Una cama conmigo, muerto. El resto es simple; tengo que salir de aquí y avisarle a abuela lo sucedido. Hacerlo dulcemente, contarle las cosas sin excesos, para que jamás sepa de mi angustia y de todo lo que sufrí solo, solo en la noche... ¿Pero cómo despertarla, cómo decirle...? Nada de preguntas; el amor señalará los medios. Tengo que evitar el horror de su entrada matinal en el desayuno, el encuentro con el rígido espantajo crispado... Rígido espantajo crispado... Rígido... Rígido espantajo crispado...".
Cortázar, 1941.
Cortázar, 1941.
segunda-feira, maio 11, 2009
Pequenos Ódios
Te agredi na frente de uma psicóloga feminista. Minha primeira reação foi: "Não sei por que fiz isso". Se fosse outro lugar, provavelmente estaria encarcerado. Mas era Porto Alegre, cinco da manhã, todos bêbados, incluindo a psicóloga.
Depois discuti com um mendigo. No começo era uma conversa pacífica. Depois fiquei agressivo denovo. Ele saiu apreensivo, talvez com medo, não sei. Mal olhei.
Cheguei em casa, deitei, senti vergonha e tristeza.
Me faz lembrar aquela vez que arranquei a câmera das tuas mãos e gritei contigo. Ou de quando gritei com a minha mãe, ou quando discuti com a melhor amiga da minha namorada, ou quando simplesmente deixei tu ir. Tudo tão abrupto, agressivo, sem explicação.
Não sou pacífico de forma alguma, essa máscara de tranqüilidade é uma máscara psicótica, por dentro fico imaginando que deveria ter quebrado o prato na cara daquele garoto e enfiado a faca na garganta dele, atropelado gente, comprado um fuzil, uma granada de mão, mostrado uma face dessa loucura dormente.
E não queria ser desse jeito. Queria aprender a lidar com esses pequenos inconvenientes (e são realmente pequenos) sem ser agressivo. Aprender a olhar nos olhos das outras pessoas e compreender o que elas me dizem sem julgar com ódio, tentando aceitar.
Depois discuti com um mendigo. No começo era uma conversa pacífica. Depois fiquei agressivo denovo. Ele saiu apreensivo, talvez com medo, não sei. Mal olhei.
Cheguei em casa, deitei, senti vergonha e tristeza.
Me faz lembrar aquela vez que arranquei a câmera das tuas mãos e gritei contigo. Ou de quando gritei com a minha mãe, ou quando discuti com a melhor amiga da minha namorada, ou quando simplesmente deixei tu ir. Tudo tão abrupto, agressivo, sem explicação.
Não sou pacífico de forma alguma, essa máscara de tranqüilidade é uma máscara psicótica, por dentro fico imaginando que deveria ter quebrado o prato na cara daquele garoto e enfiado a faca na garganta dele, atropelado gente, comprado um fuzil, uma granada de mão, mostrado uma face dessa loucura dormente.
E não queria ser desse jeito. Queria aprender a lidar com esses pequenos inconvenientes (e são realmente pequenos) sem ser agressivo. Aprender a olhar nos olhos das outras pessoas e compreender o que elas me dizem sem julgar com ódio, tentando aceitar.
domingo, maio 10, 2009
Dharma Bum
Encontrar aquele menino da 6a série (quando você estava no 3o ano) numa festa é sinal de que algo anda errado. Garotas laranjas e 60 reais a menos, onde o mundo vai parar gente? Na minha época essas criaturas e preços se restringiam aos shoppings e casas.
Foi me baseando nisso que decidi abrir uma nova casa de festas em Porto Alegre. É na Santo Antônio, quase esquina com a independência. Uma casa enorme, picharam recentemente na frente, tem uma baita área ao ar livre, vai ser massa e bem diferente dessas coisas que estamos acostumados. Como fazer as pessoas gastarem menos de 60 reais ainda é uma incógnita, mas a equipe já está a par da situação e vai fazer o possível.
Foi me baseando nisso que decidi abrir uma nova casa de festas em Porto Alegre. É na Santo Antônio, quase esquina com a independência. Uma casa enorme, picharam recentemente na frente, tem uma baita área ao ar livre, vai ser massa e bem diferente dessas coisas que estamos acostumados. Como fazer as pessoas gastarem menos de 60 reais ainda é uma incógnita, mas a equipe já está a par da situação e vai fazer o possível.
quarta-feira, abril 29, 2009
Aquecimento Global
Culpa do efeito estufa, mudanças climáticas, derretimento das geleiras, desmatamento, destruição dos corais, secas, inundações, tsunamis, terremotos, erupções, mas o principal, que ninguém fala, é da bavaria.
Quantos gases maléficos à camada de ozônio essa cerveja não nos faz lançar?
(finalizado em 17.01.2010)
Quantos gases maléficos à camada de ozônio essa cerveja não nos faz lançar?
(finalizado em 17.01.2010)
quinta-feira, abril 23, 2009
Ela
Perdeu o encanto e a doçura, deixando assim pelo caminho. Dizia que não podia mais se afogar em sentimentos, que não existia mais entrega, que não conseguia ser criança denovo. Deixou de ser inocente e se tornou adulta, fria, preconceituosa, um demônio que dificilmente alguém gostaria de ter ao lado como esposa e, muito menos, como mãe.
No entanto, era o que mais desejava, ser mãe, gerar algo no próprio ventre que não fosse trai-la duas semanas depois, que não deixasse a paixão morrer depois de três meses. Uma pessoa para ser amada e amar como nunca teve.
Freqüentava as mesmas festas que as amigas, gostava do carnaval, sabia até sambar um pouco. Fez isso aos 20. Aos 30. E agora, chegando aos 40, estava um pouco desesperada. As amigas não entendiam direito o que se passava, sempre de mau humor, e no trabalho dava medo aos colegas, certa vez pegou a gravata de um e enfiou pelo triturador de papel. Quando foi chamada à direção da companhia, explicou que o homem teria lhe chamado por algum nome, que nunca ninguém ficou sabendo (nem mesmo o homem).
No auge do desespero foi até uma clínica de inseminação. Mas não se tratava de qualquer clínica, dessas que o médico chefe é o doador de todos os espermatozóides, era uma respeitável. Tinham uma equipe de advogados, psicólogos e ginecologistas prontos para avaliar a situação de cada mulher que passasse por lá, se teria condições de formar uma criança de forma plena. O que obviamente não era o caso dela, solteira, trabalhando como telefonista 10 horas por dia numa empresa meia-boca, com problemas para se relacionar com o mundo (aqui também quis enfiar uma gravata pelo triturador, mas foi detida antes). Mas o pior veio do ginecologista.
Ficou se perguntando por que tomou todos aqueles remédios com 18 anos, se não poderia ter usado camisinha no lugar, e aquela vez que tomou três pílulas do dia seguinte para ter certeza (algo que o ginecologista desaprovou com tanta gravidade que os seguranças arrombaram a porta para ter certeza que a gravata não estava no triturador), enfim, chorou.
Pegou suas coisas e foi para casa. Já naquele dia não ia trabalhar pela primeira vez. Chegando em casa se desfez de uma série de coisas. Do telefone, do computador, da caixa postal. O interfone, como não saia da parede, teve que quebrar. Uma pena, por que não gostava de deixar itens estragados pela casa.
As amigas não conseguiam mais entrar em contato, e, em verdade, não queriam muito. Tentaram algumas vezes pelo telefone, depois e-mails e orkut, mas ela nunca respondeu. Acabaram desistindo, pensando que entraria em contato quando acabasse o mau-humor. Os colegas de trabalho eram os únicos que ainda encontrava. A cada dia ela parecia diminuir um pouco, as maçãs do rosto ficavam mais salientes, os ossos dos braços saltavam mais e mais. Às vezes não ia trabalhar. Ninguém reparava. A mesa dela parecia estar diminuído de tamanho junto, como se sumindo aos poucos. Em dois meses não tinha mais mesa, nem ela, nem lembrança dela.
Ficou quieta dentro de casa, sentada no único móvel que sobrou (doou todos ao mensageiros da caridade), uma cadeira de balanço da sua vó. Depois que não tinha mais forças para se levantar e ir ao trabalho, ficou só lá sentada, se balançando. Olhando para o vazio da sala. No começo ainda pensava alguma coisa, mas incoerente demais para ser colocado em palavras. Depois já não pensava, só se balançava. Se envolvendo pelo nhec-nhec da cadeira.
No entanto, era o que mais desejava, ser mãe, gerar algo no próprio ventre que não fosse trai-la duas semanas depois, que não deixasse a paixão morrer depois de três meses. Uma pessoa para ser amada e amar como nunca teve.
Freqüentava as mesmas festas que as amigas, gostava do carnaval, sabia até sambar um pouco. Fez isso aos 20. Aos 30. E agora, chegando aos 40, estava um pouco desesperada. As amigas não entendiam direito o que se passava, sempre de mau humor, e no trabalho dava medo aos colegas, certa vez pegou a gravata de um e enfiou pelo triturador de papel. Quando foi chamada à direção da companhia, explicou que o homem teria lhe chamado por algum nome, que nunca ninguém ficou sabendo (nem mesmo o homem).
No auge do desespero foi até uma clínica de inseminação. Mas não se tratava de qualquer clínica, dessas que o médico chefe é o doador de todos os espermatozóides, era uma respeitável. Tinham uma equipe de advogados, psicólogos e ginecologistas prontos para avaliar a situação de cada mulher que passasse por lá, se teria condições de formar uma criança de forma plena. O que obviamente não era o caso dela, solteira, trabalhando como telefonista 10 horas por dia numa empresa meia-boca, com problemas para se relacionar com o mundo (aqui também quis enfiar uma gravata pelo triturador, mas foi detida antes). Mas o pior veio do ginecologista.
Ficou se perguntando por que tomou todos aqueles remédios com 18 anos, se não poderia ter usado camisinha no lugar, e aquela vez que tomou três pílulas do dia seguinte para ter certeza (algo que o ginecologista desaprovou com tanta gravidade que os seguranças arrombaram a porta para ter certeza que a gravata não estava no triturador), enfim, chorou.
Pegou suas coisas e foi para casa. Já naquele dia não ia trabalhar pela primeira vez. Chegando em casa se desfez de uma série de coisas. Do telefone, do computador, da caixa postal. O interfone, como não saia da parede, teve que quebrar. Uma pena, por que não gostava de deixar itens estragados pela casa.
As amigas não conseguiam mais entrar em contato, e, em verdade, não queriam muito. Tentaram algumas vezes pelo telefone, depois e-mails e orkut, mas ela nunca respondeu. Acabaram desistindo, pensando que entraria em contato quando acabasse o mau-humor. Os colegas de trabalho eram os únicos que ainda encontrava. A cada dia ela parecia diminuir um pouco, as maçãs do rosto ficavam mais salientes, os ossos dos braços saltavam mais e mais. Às vezes não ia trabalhar. Ninguém reparava. A mesa dela parecia estar diminuído de tamanho junto, como se sumindo aos poucos. Em dois meses não tinha mais mesa, nem ela, nem lembrança dela.
Ficou quieta dentro de casa, sentada no único móvel que sobrou (doou todos ao mensageiros da caridade), uma cadeira de balanço da sua vó. Depois que não tinha mais forças para se levantar e ir ao trabalho, ficou só lá sentada, se balançando. Olhando para o vazio da sala. No começo ainda pensava alguma coisa, mas incoerente demais para ser colocado em palavras. Depois já não pensava, só se balançava. Se envolvendo pelo nhec-nhec da cadeira.
Machado da Paixão
- Ele faz todas as minhas vontades, sabe?
- Que querido!
- Ai sim, esses dias eu pedi um doce e não tinha nada lá em casa, daí ele colocou umas bananas no fogo. Sempre tá dando um jeito de me arranjar as coisas. E adivinha qual é o sobrenome dele.
- Qual?
- Paixão. Guilherme Wanderley Machado da Paixão. Não é lindo? Paixão..
- Como foi aquele dia com o Érico?
- Ah, sabe o que é, o Guilherme é muito tímido. Daí naquele dia a gente perguntou como era o nome do pai dele. E ele disse "Wanderley Silveira Paixão" e quando a gente perguntou o nome da mãe "Ah, minha mãe tem muitos nomes". E ele não queria dizer! Fiquei pedindo pra contar, até que ele concordou "Nega, Neguinha, Dina, Mãe, esses são os nomes da minha mãe".
- Que querido!
- Ai sim, esses dias eu pedi um doce e não tinha nada lá em casa, daí ele colocou umas bananas no fogo. Sempre tá dando um jeito de me arranjar as coisas. E adivinha qual é o sobrenome dele.
- Qual?
- Paixão. Guilherme Wanderley Machado da Paixão. Não é lindo? Paixão..
- Como foi aquele dia com o Érico?
- Ah, sabe o que é, o Guilherme é muito tímido. Daí naquele dia a gente perguntou como era o nome do pai dele. E ele disse "Wanderley Silveira Paixão" e quando a gente perguntou o nome da mãe "Ah, minha mãe tem muitos nomes". E ele não queria dizer! Fiquei pedindo pra contar, até que ele concordou "Nega, Neguinha, Dina, Mãe, esses são os nomes da minha mãe".
sexta-feira, abril 17, 2009
Desejo
Desejo.
Olha, eu li algumas coisas do Espinosa e não gostei, mas taí uma que é interessante e se aplica ao tema abordado.
(definição de D.) A tristeza que se refere à carência de qualquer coisa que amamos.
Talvez por isso o autor do livro de auto-ajuda disse que desejo é ruim, a gente deseja aquilo que não temos ou até o que temos (mas não é completamente correspondente ao desejo, até por que nunca é) e isso gera frustração, medo, raiva y etc.
Vale a pena também citar Aristótoles (mas já a título de encerramento, por que cansei do assunto), já que estamos no meio do pedantismo.
(definição de D.) O apetite do que é agradável.
O que não parece tão ruim assim. Mas isso é só o desejo e uma coisa é uma coisa e outras coisas são outras coisas.
Olha, eu li algumas coisas do Espinosa e não gostei, mas taí uma que é interessante e se aplica ao tema abordado.
(definição de D.) A tristeza que se refere à carência de qualquer coisa que amamos.
Talvez por isso o autor do livro de auto-ajuda disse que desejo é ruim, a gente deseja aquilo que não temos ou até o que temos (mas não é completamente correspondente ao desejo, até por que nunca é) e isso gera frustração, medo, raiva y etc.
Vale a pena também citar Aristótoles (mas já a título de encerramento, por que cansei do assunto), já que estamos no meio do pedantismo.
(definição de D.) O apetite do que é agradável.
O que não parece tão ruim assim. Mas isso é só o desejo e uma coisa é uma coisa e outras coisas são outras coisas.
Tokyo
É muito estranho quando você entra em Tóquio, uma cidadezinha que ninguém dá nada (só alguns trilhões). Ao mesmo tempo que tem toda aquela barulheira da parafernália cibernética, cartazes de neon reluzindo o tempo todo, entrada de puteiro, 50 cents (piadinha), outdoors holográficos que projetam uma experiência alucinante na nossa frente, carros, táxis melhores que qualquer carro no Brasil, trem-bala, japas, americanos, americanos em propaganda de úisque, etc.
Bom, ao mesmo tempo disso tudo, parece que um ritmo musical vai embalando a cidade e os músicos de plantão certamente me xingariam se eu tentasse descrever ou iriam rotular, mas uma coisa meio infantil, quase como umas crianças brincando numa pracinha numa tardinha chuvosa com seus gorrinhos de lã um pouco umedecidos da chuvinha que cai de leve. Uma coisa bem inocente de duas crianças se conhecerem e começaram a brincar de balanço, um relacionamento que a gente não tem e não se permite ter mais, (a gente?) e
e algo que não posso preencher de tão feio que seria.
Bom, ao mesmo tempo disso tudo, parece que um ritmo musical vai embalando a cidade e os músicos de plantão certamente me xingariam se eu tentasse descrever ou iriam rotular, mas uma coisa meio infantil, quase como umas crianças brincando numa pracinha numa tardinha chuvosa com seus gorrinhos de lã um pouco umedecidos da chuvinha que cai de leve. Uma coisa bem inocente de duas crianças se conhecerem e começaram a brincar de balanço, um relacionamento que a gente não tem e não se permite ter mais, (a gente?) e
e algo que não posso preencher de tão feio que seria.
DA VEZ QUE FUI QUASE ROUBADO MAS SAI CORRENDO
Pois é, vou falar daquela vez que eu voltava pra casa por aquela rua sem ninguém, onde mataram o delegado e o médico semana passada.
(vianges à parte, os conterrâneos de rua sabem do que se trata)
Eu voltava por essa rua, com uma pinta de vagabundo muito bonita (não que eu fosse bonito, mas o visual pra um vagabundo tava bem legal - e sem querer ofender quem me deu as roupas também, muito obrigado a todos os ex-namorados-ficantes-amigos e desconhecidos de todos os tempos). Ok, FOCUS, foi o que eu disse agora e naquele momento. Por que na rua transversal vinham em alta velocidade (cerca de dois passos por minuto) dois vagabundos, esses sim muito feios e mal encarados (os vilões) e (sim, dois passos por minuto) decidi que tinha que andar mais rápido. E foi o que eu fiz. E eles me olharam. E eu andei mais rápido. E eles falaram alguma coisa e eu andei mais rápido e eles olharam. E daí eu olhei e eles não tavam mais lá, tinham acabado de atravessar a rua e tudo ficou em paz. Inclusive aquela velhinha que FICOU ME ENCARANDO NA VARANDA enquanto fumava seu cachimbo. A senhora sabe quem é! E, só pra avisar, SEI ONDE A SENHORA MORA.
(vianges à parte, os conterrâneos de rua sabem do que se trata)
Eu voltava por essa rua, com uma pinta de vagabundo muito bonita (não que eu fosse bonito, mas o visual pra um vagabundo tava bem legal - e sem querer ofender quem me deu as roupas também, muito obrigado a todos os ex-namorados-ficantes-amigos e desconhecidos de todos os tempos). Ok, FOCUS, foi o que eu disse agora e naquele momento. Por que na rua transversal vinham em alta velocidade (cerca de dois passos por minuto) dois vagabundos, esses sim muito feios e mal encarados (os vilões) e (sim, dois passos por minuto) decidi que tinha que andar mais rápido. E foi o que eu fiz. E eles me olharam. E eu andei mais rápido. E eles falaram alguma coisa e eu andei mais rápido e eles olharam. E daí eu olhei e eles não tavam mais lá, tinham acabado de atravessar a rua e tudo ficou em paz. Inclusive aquela velhinha que FICOU ME ENCARANDO NA VARANDA enquanto fumava seu cachimbo. A senhora sabe quem é! E, só pra avisar, SEI ONDE A SENHORA MORA.
Adendo
Adendo ao post do raul seixas:
"Seus dois discos seguintes (Raul Seixas - 1983 e Metrô linha 743 - 1984) e o livro As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor fizeram sucesso, mas depois Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação."
"Seus dois discos seguintes (Raul Seixas - 1983 e Metrô linha 743 - 1984) e o livro As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor fizeram sucesso, mas depois Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação."
Citações indiretas
Gente, como é bonito o que algumas pessoas escrevem. Eu não tenho jeito aqui com essas coisas, mas umas pessoas escrevem tão floreado que dá vontade de beijar de bonito.
E assim, a pessoa tá de RESSACA e consegue ser tão bonita. Fico impressionado. Queria te citar aqui, fica o pedido.
E continuando o nosso monólogo construtivo:
As baratas.
As baratas levam uma vida muito interessante, se reproduzem, se alimentam e MORREM COMO TODO MUNDO.
Mas o que torna elas muito interessantes é pensar no que seria da gente se esses seres fossem gigantes. Ia ser um nojo só. Uma barata PARADA faz muita coisa. Se limpa, coça as asas, faz um exoesqueleto do wolwerine, tricô e todas essas coisas. Mas olhar ela fazendo isso tudo com atenção é horrível. As patinhas cheias de ranhuras, coça, coça, dá pra quase ouvir o barulho do coçar contra o casco da baratinha, bem ali perto do fim da asa. Daí ela põem uns ovinhos (juro) que nem uma louca em qualquer lugar. Pode ser tipo, no PARAPEITO DE UM POSTO NO MEIO DA AVENIDA MAIS MOVIMENTADA DE PORTO ALEGRE. Não tem consciência da prole, isso é muito esquisito nas baratas.
Agora imagina quantos de nós não temos mães baratas (olha O TROCADILHO INFÂME), no sentido de largar os filhos em qualquer lugar e nem olhar o que tá acontecendo. Sabe, pode ser que dois bêbados e loucos passem a mão em cima dos ovos e já era, mano.
Mas a minha não é assim. ^^
E como eu ia dizendo, depois desse momento edipiano, as baratas iam ser horríveis em cima dos seres humanos.
Vou fazer uma lista.
1. ELAS NÃO SÃO CIVILIZADAS. (nem um pouco, tão cagando e andando, literalmente)
2. ELAS FAZEM FILHO QUE NEM PRAGA E DEPOIS NÃO QUEREM SABER (cadê a cesta básica, o bolsa-escola, bolsa-família, porra, por que não vai atrás, sabe? EU VOU TE DIZER POR QUÊ, POR QUÊ ELA NUNCA TEVE OPORTUNIDADE, NÃO FOI QUE NEM TU. Tá, eu sei. Queria que eles tivessem é só isso, não fica brabo. o.o
3. OK, ELAS NÃO SÃO HIGIÊNICAS, ISSO ABRE UMA SÉRIE DE OUTROS TÓPICOS:
3.1 INDÚSTRIA DA CELULOSE, ONDE VAI PARAR NOSSO PAPEL HIGIÊNICO
3.2 ÁGUA, ELAS CURTEM UM BANHO NO SEBO
3.3 SERÃO FEITAS CAMISINHAS PARA BARATAS?
E assim, a pessoa tá de RESSACA e consegue ser tão bonita. Fico impressionado. Queria te citar aqui, fica o pedido.
E continuando o nosso monólogo construtivo:
As baratas.
As baratas levam uma vida muito interessante, se reproduzem, se alimentam e MORREM COMO TODO MUNDO.
Mas o que torna elas muito interessantes é pensar no que seria da gente se esses seres fossem gigantes. Ia ser um nojo só. Uma barata PARADA faz muita coisa. Se limpa, coça as asas, faz um exoesqueleto do wolwerine, tricô e todas essas coisas. Mas olhar ela fazendo isso tudo com atenção é horrível. As patinhas cheias de ranhuras, coça, coça, dá pra quase ouvir o barulho do coçar contra o casco da baratinha, bem ali perto do fim da asa. Daí ela põem uns ovinhos (juro) que nem uma louca em qualquer lugar. Pode ser tipo, no PARAPEITO DE UM POSTO NO MEIO DA AVENIDA MAIS MOVIMENTADA DE PORTO ALEGRE. Não tem consciência da prole, isso é muito esquisito nas baratas.
Agora imagina quantos de nós não temos mães baratas (olha O TROCADILHO INFÂME), no sentido de largar os filhos em qualquer lugar e nem olhar o que tá acontecendo. Sabe, pode ser que dois bêbados e loucos passem a mão em cima dos ovos e já era, mano.
Mas a minha não é assim. ^^
E como eu ia dizendo, depois desse momento edipiano, as baratas iam ser horríveis em cima dos seres humanos.
Vou fazer uma lista.
1. ELAS NÃO SÃO CIVILIZADAS. (nem um pouco, tão cagando e andando, literalmente)
2. ELAS FAZEM FILHO QUE NEM PRAGA E DEPOIS NÃO QUEREM SABER (cadê a cesta básica, o bolsa-escola, bolsa-família, porra, por que não vai atrás, sabe? EU VOU TE DIZER POR QUÊ, POR QUÊ ELA NUNCA TEVE OPORTUNIDADE, NÃO FOI QUE NEM TU. Tá, eu sei. Queria que eles tivessem é só isso, não fica brabo. o.o
3. OK, ELAS NÃO SÃO HIGIÊNICAS, ISSO ABRE UMA SÉRIE DE OUTROS TÓPICOS:
3.1 INDÚSTRIA DA CELULOSE, ONDE VAI PARAR NOSSO PAPEL HIGIÊNICO
3.2 ÁGUA, ELAS CURTEM UM BANHO NO SEBO
3.3 SERÃO FEITAS CAMISINHAS PARA BARATAS?
Raul Seixas
Por um instante de delírio me imaginei escrevendo mais do que tinha escrito em toda a história desse blog, sobre vocês e o Raul Seixas e coisas que aconteceram a dez mil anos atrás. Gente, não é sério.
Mas uma vez (isso é mais sério), pensei que pudesse ser a reencarnação (olha o delírio) do Raul Seixas. PORÉM, olha a data que o maluco morreu 21 de agosto de 1989. Daí fica complicado. A gente ia ter que adiar um ano e uns meses de entrada da alma aqui e ainda tem toda burocracia, não ia dar. Tipo, o negócio é um ano ou dois, sabe.
RETORNO GARANTIDO EM TRÊS ANOS OU SUA ALMA DE VOLTA, diz o lema.
Ok, então não foi o Raul. E não são muitas as celebridades que morreram por volta dessa data, né, o que me leva a crer que sou algo muito ORIGINAL, ham, MODESTO, e e não sei mais o que.
Mas me escuta.
Una chica pequeña lleva una bici.
Mas uma vez (isso é mais sério), pensei que pudesse ser a reencarnação (olha o delírio) do Raul Seixas. PORÉM, olha a data que o maluco morreu 21 de agosto de 1989. Daí fica complicado. A gente ia ter que adiar um ano e uns meses de entrada da alma aqui e ainda tem toda burocracia, não ia dar. Tipo, o negócio é um ano ou dois, sabe.
RETORNO GARANTIDO EM TRÊS ANOS OU SUA ALMA DE VOLTA, diz o lema.
Ok, então não foi o Raul. E não são muitas as celebridades que morreram por volta dessa data, né, o que me leva a crer que sou algo muito ORIGINAL, ham, MODESTO, e e não sei mais o que.
Mas me escuta.
Una chica pequeña lleva una bici.
Capítulo Primeiro
Sobre a internet.
Gente, internet, ácido, bebida, cigarro, maconha e coca(-cola)* não combinam, como todos já puderam experienciar em seus celulares às 4 da manhã e os telefones de suas residências e os apartamentos de seus desconhecidos e as piscinas de seus amigos.
*aqui o -cola é usando apenas como recurso estilístico, o autor não usa coca (nem qualquer outra substância). Bom, mas sobre a coca é sério. DON'T!
Ok, agora depois do aviso dos pais, vamos continuar na nossa sessão.
Sobre os líquidos
Gente, líquidos, 7.30 da manhã, líquidos, líííquidos. Mas cuidado com os copos e garrafas, esses são dados a travessuras. Volta e meia tão me derramando aqui suco. Mas tipo, a ressaca é a FALTA d'água em algum lugar. Não sei qual ainda (difícil dizer). Então se você toma muita água ANTES e DEPOIS de beber, evita grandes ressacas, entende? Seu sistema fica bem hidratado e todos ficam numa boa. Ok, vamos passar dessa (pra melhor eu ia dizer, mas pega mal).
Ou não, já que o suco se esparramou em cima do teclado e parece EXIGIR mais tempo de conversa sobre ele. Pois O COPO VAI FICAR MUITO LONGE AGORA. Pronto. Outra recomendação que nós, seus pais, fazemos, é FIQUE LONGE DE SUCOS DENSOS (ESPECIALMENTE VEGETAIS) SE ACHA QUE VAI VOMITAR.
Gente, internet, ácido, bebida, cigarro, maconha e coca(-cola)* não combinam, como todos já puderam experienciar em seus celulares às 4 da manhã e os telefones de suas residências e os apartamentos de seus desconhecidos e as piscinas de seus amigos.
*aqui o -cola é usando apenas como recurso estilístico, o autor não usa coca (nem qualquer outra substância). Bom, mas sobre a coca é sério. DON'T!
Ok, agora depois do aviso dos pais, vamos continuar na nossa sessão.
Sobre os líquidos
Gente, líquidos, 7.30 da manhã, líquidos, líííquidos. Mas cuidado com os copos e garrafas, esses são dados a travessuras. Volta e meia tão me derramando aqui suco. Mas tipo, a ressaca é a FALTA d'água em algum lugar. Não sei qual ainda (difícil dizer). Então se você toma muita água ANTES e DEPOIS de beber, evita grandes ressacas, entende? Seu sistema fica bem hidratado e todos ficam numa boa. Ok, vamos passar dessa (pra melhor eu ia dizer, mas pega mal).
Ou não, já que o suco se esparramou em cima do teclado e parece EXIGIR mais tempo de conversa sobre ele. Pois O COPO VAI FICAR MUITO LONGE AGORA. Pronto. Outra recomendação que nós, seus pais, fazemos, é FIQUE LONGE DE SUCOS DENSOS (ESPECIALMENTE VEGETAIS) SE ACHA QUE VAI VOMITAR.
Sobre o meu colega
Isso é um adendo ao último post. Gostaria de dizer que meu suposto colega existe, tem nome, vocês podem perguntar para alguém sóbrio e todos vão responder.
BADABING!
Em primeiro lugar, PERDÃO, SERES.
Em segundo, se é que há lugar para ordem onde nos encontramos (eu e meu alter-ego-mega-eu), pode crer que tô rindo por vocês (não que vocês vão rir agora, mas que a risada de vocês, faz eu pensar em rir e daí fico escutando a risada, e rindo e enfim)
Então. O que eu queria dizer era que a gente se depara com algumas coisas na vida que só se depara algumas vezes. E que trocadilhos assim não são meu forte e que eu devia parar agora e que eu não consigo e que meu deus eu quero parar de usar essa palavra 'que', mas não consigo e enfim que a gente pula por que acabou o disco.
Mas ok, a gente chega lá.
Hoje estava eu voltando para casa muito faceiro (as senhoras na rua que o digam) e o que vem descendo minha lomba?? Um avião?? O super-homem?? Não, uma velhinha com um carrinho de fruteira vazio, uma sacola vermelho VIVO-MUITO-VIVO-MAIS-QUE-MORANGOS-VERMELHOS-VIVOS-MOFADOS e ela caminhava pelo meio da rua! Pode? Assim, às 6, 7 da manhã caminhar no meio da rua? Gente, pode ser atropelada. Tem muito maluco na rua além de mim e esses têm carro. E têm faca, e têm arma, e têm coca-cola, e têm esfihas, e têm globalização, e têm grande associação mega-hiper-link que todos podem fazer com dedicação (uns mais do que outros).
Vou beber um suco verde em seguida.
Continuando, vamos dividir em capítulos.
E decidi agora que cada capítulo vai ser um post diferente. E VOCÊS QUE SE VIREM.
Brincadeirinha ;D
(não decidi, eu não decido nada já diria o meu colega)
Em segundo, se é que há lugar para ordem onde nos encontramos (eu e meu alter-ego-mega-eu), pode crer que tô rindo por vocês (não que vocês vão rir agora, mas que a risada de vocês, faz eu pensar em rir e daí fico escutando a risada, e rindo e enfim)
Então. O que eu queria dizer era que a gente se depara com algumas coisas na vida que só se depara algumas vezes. E que trocadilhos assim não são meu forte e que eu devia parar agora e que eu não consigo e que meu deus eu quero parar de usar essa palavra 'que', mas não consigo e enfim que a gente pula por que acabou o disco.
Mas ok, a gente chega lá.
Hoje estava eu voltando para casa muito faceiro (as senhoras na rua que o digam) e o que vem descendo minha lomba?? Um avião?? O super-homem?? Não, uma velhinha com um carrinho de fruteira vazio, uma sacola vermelho VIVO-MUITO-VIVO-MAIS-QUE-MORANGOS-VERMELHOS-VIVOS-MOFADOS e ela caminhava pelo meio da rua! Pode? Assim, às 6, 7 da manhã caminhar no meio da rua? Gente, pode ser atropelada. Tem muito maluco na rua além de mim e esses têm carro. E têm faca, e têm arma, e têm coca-cola, e têm esfihas, e têm globalização, e têm grande associação mega-hiper-link que todos podem fazer com dedicação (uns mais do que outros).
Vou beber um suco verde em seguida.
Continuando, vamos dividir em capítulos.
E decidi agora que cada capítulo vai ser um post diferente. E VOCÊS QUE SE VIREM.
Brincadeirinha ;D
(não decidi, eu não decido nada já diria o meu colega)
quarta-feira, abril 15, 2009
Cansada de cidade
Você cansada de cidade, eu também. Vamos fundar uma comunidade hippie. Morar no meio da floresta, produzir nosso próprio alimento e energia. Uma comunidade ecologicamente correta auto-sustentável.
Podemos até criar uma banda de instrumentos ecológicos, ia ser massa.
Podemos até criar uma banda de instrumentos ecológicos, ia ser massa.
O muito estranho é mundo
O mundo. O mundo é muito, muito estranho, o mundo é muito estranho. O mundo é muito estranho, o mundo, o mundo, o mundo é, o mundo, muito, mundo estranho, é o mundo muito estranho, estranho é muito o mundo, mundo muito estranho é, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo, mundo é muito estranho. O mundo, é muito estranho. Mundo. Muito. Estranho. É o mundo. Muito estranho. Estranho muito o mundo, é.
O mundo é muito estranho, o mundo, mundo, mundo, é muito estranho.
O mundo é muito estranho, o mundo, mundo, mundo, é muito estranho.
Lost in Translation
Gente,
um filme bonito. Assistam, se já não. São dois relacionamentos em crise; os protagonistas são um ator de meia-idade e uma menina, seus cônjuges já passaram daquela fase 'me importo com você' e os casais tão na merda. Apesar de não admitirem, como é comum.
A fotografia é belíssima, o hotel parece maravilhoso, tem cenas engraçadas de cultura japonesa globalizada (o que é aquilo de talk-show? Ou os japas no fliperama?).
E Scarlett Johansson diz ao longo do filme (sem problemas para quem for assistir depois): "Me formei em filosofia, já tentei fotografia, escrever, etc."; o que é engraçado por que agora ela (a pessoa de verdade) é mais ou menos o que disse; alguém que não sabe muito bem no que acreditar e o que fazer. Me identifico com isso e a princípio parece ruim.. não é. O outro personagem diz, e acho que o filme inteiro também, "você vai resolver". É verdade. Cada dia que passa são novas resoluções, novos problemas, novas pessoas e isso tudo me dá uma idéia muito clara de quem sou e no que acredito.
Enfim, aprender é bonito, a gente não precisa e nem sabe tudo logo no começo. Pode muito bem acontecer de você se dedicar ao jornalismo durante anos e virar um chef de cozinha famoso, e aí? A gente não devia levar nossos planos tão a sério.
Procurei um trailer do filme, um trechinho bonito, mas não encontrei. Então vou deixar uma música da trilha do filme Federico Fellini 8 1/2, muito bonita. Esse último parágrafo pede comparações entre filmes ou um elogio ao "mestre", mas isso fica pra outra vez.
um filme bonito. Assistam, se já não. São dois relacionamentos em crise; os protagonistas são um ator de meia-idade e uma menina, seus cônjuges já passaram daquela fase 'me importo com você' e os casais tão na merda. Apesar de não admitirem, como é comum.
A fotografia é belíssima, o hotel parece maravilhoso, tem cenas engraçadas de cultura japonesa globalizada (o que é aquilo de talk-show? Ou os japas no fliperama?).
E Scarlett Johansson diz ao longo do filme (sem problemas para quem for assistir depois): "Me formei em filosofia, já tentei fotografia, escrever, etc."; o que é engraçado por que agora ela (a pessoa de verdade) é mais ou menos o que disse; alguém que não sabe muito bem no que acreditar e o que fazer. Me identifico com isso e a princípio parece ruim.. não é. O outro personagem diz, e acho que o filme inteiro também, "você vai resolver". É verdade. Cada dia que passa são novas resoluções, novos problemas, novas pessoas e isso tudo me dá uma idéia muito clara de quem sou e no que acredito.
Enfim, aprender é bonito, a gente não precisa e nem sabe tudo logo no começo. Pode muito bem acontecer de você se dedicar ao jornalismo durante anos e virar um chef de cozinha famoso, e aí? A gente não devia levar nossos planos tão a sério.
Procurei um trailer do filme, um trechinho bonito, mas não encontrei. Então vou deixar uma música da trilha do filme Federico Fellini 8 1/2, muito bonita. Esse último parágrafo pede comparações entre filmes ou um elogio ao "mestre", mas isso fica pra outra vez.
domingo, abril 12, 2009
Top Floor, Bottom Buzzer
Em busca de certos prazeres soluções a longo prazo são descartadas e encaradas como complexas, o que resta são segundos de céu descendo à terra numa mistura carmica deveras banal. Se revela certo círculo de acordo com a intensidade dessa união que não se manifesta em rápidos segundos, mas em doses homeopáticas de tristeza que podem durar dias.
A intensidade da nossa felicidade corresponde na mesma medida à dose de tristeza dos próximos dias, qualquer um pode testar isso. Perceba que quando você ganha algo e fica muito feliz por isso, em seguida haverá momentos de tristeza, inseguraça e outros sentimentos que fica a cargo de cada um inventar. Esses momentos são causados diretamente pelo motivo da felicidade, no caso seria, possivelmente, por medo de perder o que foi ganho.
Então significa que não devemos sentir felicidade para não sentirmos tristeza logo em seguida?
Claro que não. A felicidade é boa, não? Então vamos experienciá-la, mas praticando o desapego. A felicidade é impermanente, é impossível fazer os momentos durarem para sempre. Aproveite ao máximo, mas saiba que tudo vai acabar.
E me xingue.
A intensidade da nossa felicidade corresponde na mesma medida à dose de tristeza dos próximos dias, qualquer um pode testar isso. Perceba que quando você ganha algo e fica muito feliz por isso, em seguida haverá momentos de tristeza, inseguraça e outros sentimentos que fica a cargo de cada um inventar. Esses momentos são causados diretamente pelo motivo da felicidade, no caso seria, possivelmente, por medo de perder o que foi ganho.
Então significa que não devemos sentir felicidade para não sentirmos tristeza logo em seguida?
Claro que não. A felicidade é boa, não? Então vamos experienciá-la, mas praticando o desapego. A felicidade é impermanente, é impossível fazer os momentos durarem para sempre. Aproveite ao máximo, mas saiba que tudo vai acabar.
E me xingue.
quarta-feira, abril 01, 2009
Javier
Às vezes eu tenho vontade de ir aí te bater.
- Oi, senti saudade e vim te encontrar
- Mas agora?
- A gente nunca teve problema em encontrar o outro tão tarde, né
- Faz tanto tempo que tu não vem aqui.
- Só me deixa entrar por um minuto e juro que vou embora
Daí tu abriria a porta (o portão no caso, só depois a porta). Eu fecharia ela atrás de mim e tu ia virar pra mim com um misto de curiosidade e encheção de saco estampada na cara e tua cabeça ia voar pro lado com a minha mão aberta grudada com força na tua bochecha. Aquele misto de pavor, 'meu deus, um psicopata entrou em casa', ia aflorar na tua cabeça e antes que tu falasse mais alguma coisa, a porta já ia estar aberta.
Talvez ainda fumasse um dos teus cigarros antes de sair pra rua.
...
- Oi, senti saudade e vim te encontrar
- Mas agora?
- A gente nunca teve problema em encontrar o outro tão tarde, né
- Faz tanto tempo que tu não vem aqui.
- Só me deixa entrar por um minuto e juro que vou embora
Daí tu abriria a porta (o portão no caso, só depois a porta). Eu fecharia ela atrás de mim e tu ia virar pra mim com um misto de curiosidade e encheção de saco estampada na cara e tua cabeça ia voar pro lado com a minha mão aberta grudada com força na tua bochecha. Aquele misto de pavor, 'meu deus, um psicopata entrou em casa', ia aflorar na tua cabeça e antes que tu falasse mais alguma coisa, a porta já ia estar aberta.
Talvez ainda fumasse um dos teus cigarros antes de sair pra rua.
...
sábado, março 21, 2009
??
Acordo com aquela sensação zonza da bebedeira (rum, cerveja, coca-cola, cachaça, vinho? Não sei) e lembro, só. Temos peixe como almoço hoje, divino. Com salmão caem bem alcaparras e molhos de mostarda, uma delícia se adentra na pele dele e explode em orgasmos degustativos mais tarde.
É tão óbvio refletir sobre a bebida, cigarros e sexo em excesso quando a gente se encontra nesse tipo de situação. Tenho uma amiga, é. Ela acha impressionante meu calendário e minhas observações sobre tesão e quão pareço desapegado. É o oposto dela, que faz mil histórias com um leve roçar de braço (ok, todos fazem de vez em quando, mas é sempre), se masturba todos os dias, três vezes, daria pra quase qualquer homem, uma ninfomaníaca. Que loucura, gente. Enfim, o ponto que eu queria chegar após experimentar o excesso das três coisas lá em cima ontem à noite é uma pergunta: o que fica?
O cheiro do cigarro? O gosto do rum (foi!) na boca? O momento depois da pele?
Tudo vai se desvanecendo, até as memórias. Tem uma entrevista com o Chet Baker em que o cara pergunta algo assim "Você acha que sua música mudou de lá pra cá?" e ele responde "Bom, faz 33 (?) anos que estou tocando e mudou muito. Aprendi muita coisa e sigo aprendendo. Senão não teria graça continuar." Ok, clichê inédito. Então é isso? A gente passa a vida inteira fazendo upgrades no windows até o service pack 2 dar pau e destruir o computador? Ou?
É tão óbvio refletir sobre a bebida, cigarros e sexo em excesso quando a gente se encontra nesse tipo de situação. Tenho uma amiga, é. Ela acha impressionante meu calendário e minhas observações sobre tesão e quão pareço desapegado. É o oposto dela, que faz mil histórias com um leve roçar de braço (ok, todos fazem de vez em quando, mas é sempre), se masturba todos os dias, três vezes, daria pra quase qualquer homem, uma ninfomaníaca. Que loucura, gente. Enfim, o ponto que eu queria chegar após experimentar o excesso das três coisas lá em cima ontem à noite é uma pergunta: o que fica?
O cheiro do cigarro? O gosto do rum (foi!) na boca? O momento depois da pele?
Tudo vai se desvanecendo, até as memórias. Tem uma entrevista com o Chet Baker em que o cara pergunta algo assim "Você acha que sua música mudou de lá pra cá?" e ele responde "Bom, faz 33 (?) anos que estou tocando e mudou muito. Aprendi muita coisa e sigo aprendendo. Senão não teria graça continuar." Ok, clichê inédito. Então é isso? A gente passa a vida inteira fazendo upgrades no windows até o service pack 2 dar pau e destruir o computador? Ou?
quarta-feira, março 18, 2009
segunda-feira, março 16, 2009
domingo, março 15, 2009
Semana
Iniciando os trabalhos dessa semana temos falta de ar, dor de barriga, ânsia de vômito e dor de cabeça. Brigamos com todas as pessoas possíveis, inevitável.
É uma boa pergunta o que aguarda até o final de semana, culminando num esplêndido domingo. Certamente teremos chuva.
É uma boa pergunta o que aguarda até o final de semana, culminando num esplêndido domingo. Certamente teremos chuva.
domingo, março 01, 2009
Numerologia
É março, mês do meu aniversário, e é importante assinalar a numerologia dessa data tão especial. A partir do dia tal, entrarei numa nova fase da numerologia, que deve possuir um nome apropriado, mas vou chamar apenas de ano 1.
1 é o começo. Cessa o ciclo que começou 9 anos atrás e teremos novidades esse ano!
Tcharam!
É importante pensar que estando no fim do meu ciclo, estou como uma mulher menstruada (louca pra dar e com cólicas terríveis?). Acho que não. Melhor dizer que estou na menopausa (com calores terríveis e sabe-se lá quais conseqüências sexuais)?
Talvez o melhor seja apenas deixar a parte feminina de lado.
O importante, como afirmo pela terceira vez, é ponderar que o fim de todo esse ciclo vai gerar impactos, e como me apego ao que já foi um dia, significa ficar de mau humor e triste.
E, juntando astrologia, podemos considerar que a repercussão disso está numa escala crescente até a semana que antecede meu aniversário, o inferno astral. Maravilha, brother.
1 é o começo. Cessa o ciclo que começou 9 anos atrás e teremos novidades esse ano!
Tcharam!
É importante pensar que estando no fim do meu ciclo, estou como uma mulher menstruada (louca pra dar e com cólicas terríveis?). Acho que não. Melhor dizer que estou na menopausa (com calores terríveis e sabe-se lá quais conseqüências sexuais)?
Talvez o melhor seja apenas deixar a parte feminina de lado.
O importante, como afirmo pela terceira vez, é ponderar que o fim de todo esse ciclo vai gerar impactos, e como me apego ao que já foi um dia, significa ficar de mau humor e triste.
E, juntando astrologia, podemos considerar que a repercussão disso está numa escala crescente até a semana que antecede meu aniversário, o inferno astral. Maravilha, brother.
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