Uma fila no ônibus. Empurra dali, empurra daqui, PÁRA, CACETE.
Silêncio no ônibus.
Uma buzina do lado de fora e tudo começa novamente, o movimento, o empurra-empurra, agora com cautela pra não tocar em mim, chego em casa e sento aqui para escrever isso. Penso no dia, chegando atrasado logo na primeira aula, pensando ainda que poderia apresentar um seminário onde não li texto algum, mas não, ficou pra próxima, ótimo, assim a gente pode pensar com calma naquilo que não vamos ler. 3 perguntas, 3 textos, 11 grupos = tédio. Então entramos pela contra-mão na prova de direção, falta eliminatória, 90 reais. Chego na aula de áudio, atrasado por causa da prova anterior, descobrimos que não temos aula de áudio aquele dia. Bate crachá, pega presença. Dizem que querem conversar comigo, que não estou bem focado na edição, 100% do documentário é edição, ok, estão certos, então agendo quarta e quinta de manhã. Nova prova, me dou mal, tento dar uma editada agora de noite, não consigo, tem que marcar horário, pô tchê. Venho pra casa, ônibus lotado, ..
segunda-feira, maio 12, 2008
segunda-feira, maio 05, 2008
Paha Maa
Queria começar esse texto de forma enérgica, provocativa e despejando o que me corre aqui dentro, o que talvez signifique vomitar no teclado.
Acabei de assistir ao filme Paha Maa... não consigo pensar em comentários como geralmente se coloca em críticas cinematográficas, transformado todos os filmes na mesma pasta para serem deglutidos sem problemas. A crítica hoje tem medo, não se fazem comentários ofensivos, tudo é aceitável, tudo é uma linguagem inovadora e revela uma nova faceta do nosso mundo.
Por favor.
Esse filme é doente. Para entender melhor vou fazer uma relação com outro assunto:
Hoje ouvi música clássica junto da minha namorada e ela me contou que as sonatas são feitas em geral em cima de idéias opostas, amor e ódio, vida e morte, felicidade e tristeza, saúde e doença.. enfim, mas sempre contemplam essas duas idéias. Gostaria de acrescentar a esse pensamento que os dois lados da música têm o mesmo peso, a mesma quantidade.
Paha Maa não, é um filme de um lado só do começo ao fim. O professor demitido que bate no filho, o filho que foge de casa e cheira e bebe e fuma e falsifica uma nota de 500 euros, compra um rádio, a nota é passada adiante para um alcoólatra que é preso, tem o carro arrombado, então rouba um carro, xinga todo mundo na rua, quebra outro carro parecido com o antigo, bebe, conhece outro alcoólatra e zomba dele o tempo todo, daí esse outro enquanto assiste o cara do carro arrombado transando com uma mulher, decide matar os dois com um aspirador de pó e daí.. enfim, uma sucessão de fatos horríveis. Por quê o filho precisava cheirar, beber, fumar e falsificar aquela nota?! Por quê passam a nota adiante?! Por quê, por quê, por quê!
Ora, em nenhum momento do filme parece ter um reflexo consciente, ninguém parece se dar conta do que está fazendo e parar com isso! Ok, estou sendo sentimental aqui e querendo que as coisas tenham fim, que parem de se fazer mal.
Mas vamos voltar ao assunto das sonatas.. para mim são completas, os dois lados se complementam formando uma coisa só. Você vai ao concerto e não sai chorando ou rindo adoidado, se for ouvir a música realmente. Existe um sentimento de leveza, uma beleza que irradia da música, uma compreensão do mundo. Mas se te dão uma coisa de um lado só, um lado horrível, que pesa e pesa e no fim.. não tem contrapeso, como fica? Você sai da sala de cinema ou da frente desse computador arrastando o peso do mundo nas costas. Ou com uma vontade danada de vomitar, que nem eu.
Ah, acho que um monte de gente deve gostar desse filme. Mas pra mim não dá mais, gosto da vida e não quero e não preciso me sentir mal. Não acho que todos os trabalhos artísticos precisam ser alegres para deixar as pessoas felizes, também não é isso. Acho só que precisam ser como as sonatas, ter um pouco dos dois, serem completos.
Precisava digitar isso tudo.. pode estar tudo confuso, mas as coisas foram pro ar, minha carência do outro lado da moeda e sua manifestação estão aí, agora é só pescar.
Se quiserem.
Acabei de assistir ao filme Paha Maa... não consigo pensar em comentários como geralmente se coloca em críticas cinematográficas, transformado todos os filmes na mesma pasta para serem deglutidos sem problemas. A crítica hoje tem medo, não se fazem comentários ofensivos, tudo é aceitável, tudo é uma linguagem inovadora e revela uma nova faceta do nosso mundo.
Por favor.
Esse filme é doente. Para entender melhor vou fazer uma relação com outro assunto:
Hoje ouvi música clássica junto da minha namorada e ela me contou que as sonatas são feitas em geral em cima de idéias opostas, amor e ódio, vida e morte, felicidade e tristeza, saúde e doença.. enfim, mas sempre contemplam essas duas idéias. Gostaria de acrescentar a esse pensamento que os dois lados da música têm o mesmo peso, a mesma quantidade.
Paha Maa não, é um filme de um lado só do começo ao fim. O professor demitido que bate no filho, o filho que foge de casa e cheira e bebe e fuma e falsifica uma nota de 500 euros, compra um rádio, a nota é passada adiante para um alcoólatra que é preso, tem o carro arrombado, então rouba um carro, xinga todo mundo na rua, quebra outro carro parecido com o antigo, bebe, conhece outro alcoólatra e zomba dele o tempo todo, daí esse outro enquanto assiste o cara do carro arrombado transando com uma mulher, decide matar os dois com um aspirador de pó e daí.. enfim, uma sucessão de fatos horríveis. Por quê o filho precisava cheirar, beber, fumar e falsificar aquela nota?! Por quê passam a nota adiante?! Por quê, por quê, por quê!
Ora, em nenhum momento do filme parece ter um reflexo consciente, ninguém parece se dar conta do que está fazendo e parar com isso! Ok, estou sendo sentimental aqui e querendo que as coisas tenham fim, que parem de se fazer mal.
Mas vamos voltar ao assunto das sonatas.. para mim são completas, os dois lados se complementam formando uma coisa só. Você vai ao concerto e não sai chorando ou rindo adoidado, se for ouvir a música realmente. Existe um sentimento de leveza, uma beleza que irradia da música, uma compreensão do mundo. Mas se te dão uma coisa de um lado só, um lado horrível, que pesa e pesa e no fim.. não tem contrapeso, como fica? Você sai da sala de cinema ou da frente desse computador arrastando o peso do mundo nas costas. Ou com uma vontade danada de vomitar, que nem eu.
Ah, acho que um monte de gente deve gostar desse filme. Mas pra mim não dá mais, gosto da vida e não quero e não preciso me sentir mal. Não acho que todos os trabalhos artísticos precisam ser alegres para deixar as pessoas felizes, também não é isso. Acho só que precisam ser como as sonatas, ter um pouco dos dois, serem completos.
Precisava digitar isso tudo.. pode estar tudo confuso, mas as coisas foram pro ar, minha carência do outro lado da moeda e sua manifestação estão aí, agora é só pescar.
Se quiserem.
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