quinta-feira, dezembro 31, 2009

Ciúme

E vou te contar mais um negócio.

Só te escrevo por que sinto tua falta, cacete.

Queria tua opinião sincera, não essa cheia de adorno. Tua opinião de criança. Queria meu pai de seis anos de idade, que brincava naquelas ruas da benjamin sem medo, brigava pelo irmão, levava as irmãs na festa.

Pra quem tu reserva tua opinião? Quem é que tem a chave pra essa fortaleza que tu criou ao teu redor? Acho que ninguém mais.

Talvez aquela mulher lá dos teus vinte tivesse. Agora que ela morreu, morreu junto tua vida, por que tu virou condicionado dessa fábrica de máscaras.

Às vezes peço pra ela te visitar. Ir lá te sacudir. Te fazer chorar, te abalar. Tu acha que pode controlar todo mundo, até eu, seu idiota, tu não consegue controlar nada. Todo mundo aqui tá fazendo o que bem entende de ti. Abusando de toda essa tua suposta bondade. Pois eu sei bem que isso não é bondade coisa alguma, isso é teu jeito de se vingar dessa gente que tu finge querer tão bem.

Tu te presta a pagar e se sacrificar tanto pra manter esse padrão, acaba virando o escravinho de todas elas. E eu aqui, te olhando e chorando. Que me resta fazer? Hein?

Já tentei te falar. Tu não sabe escutar. Nem sabe mais amar. Não sabe nada, pai. Me sinto muito triste por ti, por essa tua carência de sentimentos. Disso não posso te curar, só tu sozinho cara. Te fudeu.