A primeira vez que Samsa a agarrou foi no corredor de um hotel.
Mas vou do começo. Minha mãe.
Mulher alegre com uma dor dentro dela. Era costume seu dizer que a gravidade sempre empurrava para baixo e que a beleza para brotar na vida da gente exigia esforço. Me esforço todos os dias que nem você ensinou, mãe.
Sinto saudades suas.
Tenho essa lembrança, bem pequena, balançar no pneu do parque enquanto você empurrava. Quando a gente fala de ti, dá vontade de chorar. As muriçocas andam com tudo esses dias, mãe, tem que fechar a porta cedo senão elas passam a noite no quarto.