Te agredi na frente de uma psicóloga feminista. Minha primeira reação foi: "Não sei por que fiz isso". Se fosse outro lugar, provavelmente estaria encarcerado. Mas era Porto Alegre, cinco da manhã, todos bêbados, incluindo a psicóloga.
Depois discuti com um mendigo. No começo era uma conversa pacífica. Depois fiquei agressivo denovo. Ele saiu apreensivo, talvez com medo, não sei. Mal olhei.
Cheguei em casa, deitei, senti vergonha e tristeza.
Me faz lembrar aquela vez que arranquei a câmera das tuas mãos e gritei contigo. Ou de quando gritei com a minha mãe, ou quando discuti com a melhor amiga da minha namorada, ou quando simplesmente deixei tu ir. Tudo tão abrupto, agressivo, sem explicação.
Não sou pacífico de forma alguma, essa máscara de tranqüilidade é uma máscara psicótica, por dentro fico imaginando que deveria ter quebrado o prato na cara daquele garoto e enfiado a faca na garganta dele, atropelado gente, comprado um fuzil, uma granada de mão, mostrado uma face dessa loucura dormente.
E não queria ser desse jeito. Queria aprender a lidar com esses pequenos inconvenientes (e são realmente pequenos) sem ser agressivo. Aprender a olhar nos olhos das outras pessoas e compreender o que elas me dizem sem julgar com ódio, tentando aceitar.