quinta-feira, dezembro 25, 2008

Natal

Minha irmã.

Natal é a manifestação da Karma. Se comportou durante o ano? Karma.
Agora imagine que não é só no natal. Mas o tempo todo.
Deixou alguém magoado? Se fudeu. Heheh.
Feliz natal.

terça-feira, dezembro 23, 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

Travessa dos Venezianos, 631

Lú,

tem um papel junto com os meus pertences listados e o destino de cada um. Não esquece de mandar flores para minha mãe no natal, tu sabe que ela adora. Bom resto de vida para ti.

Adorava sentir teu líquido escorrendo pelas minhas pernas durante o resto da tarde. Era assim que sentia tua falta; precisava de ti para me encher, gozar dentro de mim. Quando tu viajava ficava louca, me coçava, estava sempre de mau humor, não conversava com mais ninguém.
Até que ele veio.
Era uma sensação quase de alívio algumas vezes. Não sentia mais a mesma compulsão, não precisava tanto de ti enchendo o meu vazio. Eu e ele cresciamos dia após dia e sentia que tu fazia parte do processo. Vocês dois dentro de mim, me preenchendo, me enchendo de vontade de viver.
Lembro quando reparou na primeira marca dele. Nunca te enxerguei tão furioso. Não contei antes por que tive vergonha; um sentimento tão bobo e algo tão grande. Mas não seria diferente se tivesse descoberto antes, seria ainda pior. Não ia ter passado tanto tempo.. Tua decisão foi rápida e sem consultas.

Depois daquele dia me senti sem alma. Por mais que tu gozasse dentro de mim, jamais ia preencher meu vazio denovo. Então tentei de tudo, é. Perdi a conta. Fugi de ti como louca. Mandei te baterem. Tomei de tudo, até aquela droga do amigo do nosso amigo. Mas o gozo de todos continuava saindo frio e estéril de mim.

Hoje faz um ano. Voltava para casa quando um homem gritou para mim de dentro de um carro: "Vocês nunca vão se amar denovo". Nem pensei em ti. Só no filho que tu mandou matar junto comigo.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Acosta

Vamos deixá-las para evitar sofrimento.

Sofrimento. Viver é sofrer, morrer é sofrer. A vida já estava bem complicada antes de você aparecer. Estava? A vida? Aquela empresa de dois cômodos que funciona em cima de uma danceteria? E daí me aparece alguém mais complicado ainda. E seguindo a onda de complicar, quis descomplicar.

Vamos lá comer com nossos sócios chamados amigos. Nos empanturrar de carne, comer um boi inteiro. Um boi que não teve chance de caminhar, enxergar a luz, namorar. E agora está ali na ponta do garfo. Agora na minha barriga. Continuamos a comer. E beber. E fumar, maconha, claro. Estamos aqui, financiando o assassinato de bois com a carne e de pessoas com a maconha. E para não pensarmos muito nisso, beberemos em excesso. Bateremos nossos carros. Nos mataremos. Genocídio seguido de suicídio.

Renasceremos. Como um boi, uma barata, um gato, uma árvore, um mosquito. Quem sabe daqui uns mil anos renasceremos como humanos novamente. Outra oportunidade para desperdiçarmos que nem temos feito até agora. Muito bem.
Siga em frente, caminhoneiro. Ou pare agora mesmo.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Meninos e Anjos

É verdade que perdemos a inocência quando crescemos. Mas se a perdemos, é só para conquistá-la novamente. Voltar à inocência não é ser ingênuo, fácil de iludir. É voltar com tudo aquilo que passamos, ou seja, fortes, determinados e atentos. Não há nada ingênuo. Na realidade, quando voltamos a esse estado, somos mais inocentes do que nossas crianças. A verdade é crua e está ali. E por saber o que somos e o que os outros são, não há ilusão. Não há sequer a idéia de ilusão.
Certa vez Aristótoles disse: "Se eu ganhei ao menos uma coisa por causa da filosofia, foi isto: faço o que faço por quê quero fazer, enquanto outros fazem apenas por medo da lei". Adiquirimos isso quando crescemos, o medo da lei. Seja a lei dos costumes, dos pais, do governo, há algo que nos restringe os movimentos e nos leva em outras direções. Com a frase do nosso filósofo grego não quero dizer que todas as leis estão certas. Apenas que existem algumas que nunca paramos para refletir o quão benéficos são para todos e que sem eles o convívio se tornaria extremamente penoso.
Seres que voltaram à inocência são como nós. Cumprem as leis, fazem sua parte. Mas do seu modo e por quê querem fazer aquilo.