sexta-feira, julho 04, 2008

Ele

Ontem sai pra passear com meu pai e coletar umas taxas. Chegamos na galeria Pinto Bandeira – pra quem não conhece, fica no centro da cidade, próxima do mercado público – e a primeira coisa que nos acontece é da loja de discos estar fechada. Como qualquer bom católico faria ao cobrar seus impostos, abrimos a porta com o pé-de-cabra. O lugar cheirava a sacanagem; meu pai disse “vai lá pegar a gasolina”. Quando trouxe de volta, o dono tinha chegado. Eu disse “vamos fazer um piano”, adorava fazer um piano com esses filhos da puta. Peguei o pé-de-cabra e fiz o serviço; nem um dentista faria melhor.

Odeio me sujar. Deixei papai junto do meu irmão e fui pra casa tomar um banho. Um bando de filho da puta no trânsito, eu enfio meu carro onde quero. Chego em casa e está tudo do jeito que gosto, minha mulher sabe o que precisa fazer. Mas se tem uma coisa que me deixa puto é a falta de gás. Sai molhando a casa, não podia me secar com todo aquele sabão no corpo, fui até o vizinho e bati na porta. Bando de putos, nunca ajudam. Ah, abriram. É, tô com o pinto de fora, e daí? Quer que eu esfregue na tua cara, é? Ótimo, chuveiro. Excelente essa ducha, preciso ter uma assim, uma potente. Se meu vizinho fosse mulher, morava com ele; o puto sabe das coisas.

Tempos Modernos

Um presunto cai na bandeja. São 150g do mais gordo. As rodelas de gordura são muito brancas e grandes. Não há nenhum prazer em comer esse presunto; é como perguntar qual marca de água prefiro; você pode dizer que há diferença, mas vamos ser honestos, não há diferença alguma. Dizem que é o motivo da minha obesidade; ridículos. Ora, há um único motivo para existirem caras gordos como eu: a falta de mulheres. Os caras magros estão lá fora, trepando o tempo todo. Se um deles passa o dia numa esquina perguntando a cada mulher que olha: “vamos transar?”, no fim do dia está com duas garotas em volta do braço. É fato, eu sei das coisas. E eles trepam tanto, que ficam magros. Gordos como eu não trepam. A maioria é virgem, as putas cobram caro quando você é desse jeito. Mas carrego uma coisa todo dia pra cama comigo: não existem velhos magros, chegando aos 40 os magros só tem duas opções, ou ficam gordos, ou desaparecem. Meu avô é uma exceção, 80 anos e bem magro; bons tempos aqueles.