sábado, maio 30, 2009

O teu pai

Como é difícil amar aquele pai que bateu na nossa mãe, estragou a vida dos filhos, destruiu as finanças, ou sei lá qual motivo você queira dar para ter ódio dele. O mesmo pai que tentou se matar, pagou a faculdade da filha, deu um suporte financeiro, ou, novamente, sei lá qual motivo você queira dar para entender que ele também é um ser humano. Com sentimentos complicados ou não, ações boas ou não, bom ou mau.

Da impossibilidade de amar

Não é de ontem que pessoas se queixam que não conseguem amar. Mas o que é esse amor que a gente parece desejar? É uma dessas criações da nossa cabeça. A gente pega um balão, enche ele de idéias sobre como a pessoa é e do nosso futuro ou passado juntos e o balão começa a voar. Mas aí, é óbvio, as idéias, que são extremamente inconstantes, mudam. Mudam por qualquer motivo. Não precisa ser aquele cliché: a pessoa não corresponde ao que pensava.. é bem possível que ela corresponda exatamente ao que você imaginou; o problema está em idealizar algo diferente.

Existe essa sede por idealizar pessoas (ou coisas) diferentes, então mesmo quando a expectativa é atingida, isso nos leva a refazer tudo e destruir aquilo que temos e poderia ser tão bonito. Deve ser uma questão "biológica", a idealização de outras pessoas produz determinadas substâncias no corpo e estamos viciados nelas, portanto não conseguimos nos desvincular dessa ânsia por idéias diferentes.

Enfim, pra amar é necessário um esforço contrário do que estamos acostumados. Não vamos encher balão algum. A questão está em aceitar as coisas como são, não estimular idéias em cima das ações dos outros, somente aceitar. E isso pode ser muito difícil, talvez por causa dessa questão "biológica" de estarmos viciados, ou, mais provável e aliado a essa questão, por não querermos amar ao outro.

Não querer amar o outro é ter medo de olhá-lo como ser humano e, principalmente, como parte de nós. Sempre é muito fácil enxergar os problemas dos outros, criticá-los e mesmo odiá-los. Só que essa idéia do que é o outro, é apenas isso: uma idéia. E sendo uma idéia, é nosso, nós que dizemos "isso é assim", está dentro da nossa cabeça.

Parando para olhar nossos sentimentos, percebemos que todos são baseados em nós mesmos, nada é externo. São idéias que temos das pessoas e a partir daí desenvolvemos algo. Tudo dentro de nós. Às vezes aconteceu algo "ruim", o pai bateu na mãe, às vezes não, o pai ligou o carro e foi trabalhar. A idéia que fazemos dessas duas ações pode ir para qualquer lado em qualquer momento, por que é, como escrevi, inconstante. Então a mera ação do pai ir trabalhar pode ser terrível, levar toda uma carga a partir de um raciocínio. Ou o pai bater na mãe pode ser algo maravilhoso. Talvez a gente queira que a mãe apanhe mesmo em algum momento.

A questão é perceber que todas as coisas que sentimos partem de pensamentos sobre o mundo. E como esses pensamentos estão mudando de forma toda hora, os sentimentos não possuem uma base estável e oscilam o tempo todo.

Portanto, o amor baseado na não-idealização, não-julgamento, não-eu, possui uma base forte. Por mais que você pense horrores ou maravilhas sobre determinado objeto ou pessoa, aquilo vai continuar a ser o que é. Você estará aceitando e amando.

Não quero dizer que por causa do não-julgamento então não devemos reagir diante ações maléficas, sob o pretexto de que é assim que as coisas são. Pelo contrário, podemos direcionar ou reverter essas ações de forma muito mais clara e precisa, estando consciente do que é a ação, de onde se origina e como pode ser solucionada. Por que direcionar, já que as coisas são assim? Por que fazemos parte do presente e fazemos as coisas serem do jeito que são também.

domingo, maio 24, 2009

Segunda-feira

Fingir é uma prisão, mas não-fingir também é.

Da minha crença nas mulheres

Não sei. As pessoas andam com plaquinhas "sou legal/chato", mas não tenho respeitado isso. Me dizem "sou chata, louca, psicótica, esquizofrênica, alcoólatra" e mesmo assim invisto meu tempo (e dinheiro, por que não dizer).

(finalizado em 17.01.2010)

sábado, maio 23, 2009

Sexta

Ser menos miserável é a resolução da sexta-feira.

E ainda tem o final de semana.

sexta-feira, maio 22, 2009

Sinceridade no trabalho

- Ah, eu sempre tento ser sincero com as pessoas, sabe.
- É? Tu fala que a pesquisa demora, correndo, 20 minutos e são 77 perguntas toda vez que tu liga?

Work Work Work

- Bom dia, aqui é da Todeschini e eu gostaria de falar com o responsável pela compra de móveis.
- Éam.. a gente não costuma comprar móveis aqui não, não sei qual vai ser a utilidade..
- Vocês não compram cadeiras ou mesas?
- Sim, cadeira e mesa a gente compra.
- Então, por favor, pode me passar o responsável pela compra de móveis?

Depois de 5 minutos de Für Elise.

- Bom dia, aqui é da Todeschini e eu gostaria de falar com o responsável pela compra de móveis.
- Então fale ué.
- Ah, é o senhor?
- Sim, pode falar.
- A gente quer fazer uma pesquisa com o senhor, tudo bem?
- Quantas perguntas são?
- Um número razoável, senhor.
- Quantas?
- No máximo 10 minutos.
- 10 minutos? Poxa, é longa, tem certeza que é um número razóavel? Quantas são?
- São 77 perguntas, senhor.

Tu tu tu.

quinta-feira, maio 14, 2009

I'll kill her

So of course, you were supposed to call me tonight,
You were supposed to call me tonight,
We'd have gone to the cinema,
And afterwards the restaurant,
The one you like in your street.

We'd have slept together,
Had a nice breakfast together,
And then a walk in the park together,
How beautiful it would have been.

You would have said: "I love you,"
In the cutest place on earth,
Where some little vines are dancing with the fairies.

I would have waited like a week or two,
But you never tried to reach me, no,
You never called me back.

You were dating that bleached blonde girl,
If I find her, I swear...

I swear I'll kill her,
I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.

I would have met your friends,
We would have had a drink or two,
They would have liked me cause,
Sometimes I'm funny.
I would have met your dad,
I would have met your mum, she'd have said:
"Please, can't you make some beautiful babies".
So we would have had a boy called Tom,
And a girl called Susan, born in Japan.

I thought it was a love story,
But you don't want to get involved.
I thought it was a love story,
But you're not ready for that,
Me neither.

I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.

She's a bitch, you know.
All she's got is blondeness,
Not even tenderness, yeah.
She's cleverless.
She'll dump your ass for a model called Brendan,
He will pay for a beautiful surgery,
'Cause he's full of money.

I would have waited like a week or two,
But you never tried to reach me, no,
You never called me back.

You were dating that bleached blonde girl,
And if I find her, I swear,
I swear.

I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future, she broke my dream,
I'll kill her, I'll kill her,
She stole my future when she took you away.

So man I told you... if I find her,
I'll just find something, anything...
a gun if I can. Anything.
And I'm strong enough, so I'll do it.
I'll kill her.



terça-feira, maio 12, 2009

Retorno de la noche

"Entonces estoy muerto. Nada de investigaciones sobre el absurdo. Ahí estoy: soy prueba suficiente. Cada vez más rígido y más lejano. El resorte tenso se ha quebrado y he aquí que yazgo en ese lecho, entornando los ojos ante la luz que aleja la noche de su presa. Muerto. Nada más simple. Muerto. ¿Qué tiene de irreal, de pesadilla, de...? Muerto. Que estoy muerto. Levanto el brazode mi cadáver y lo arropo. Ahí estará mejor. Nada de preguntas. Todo es rigurosamente esencial y primitivo: esquema de la muerte. Sí, pero... No, nada de problemas; ya sé, ya sé que además de mi mismo, muerto en la cama, estoy aquí, en este otro lado. Pero basta, basta de eso; ahora hay otra cosa en que pensar. Nada de preguntas. Una cama conmigo, muerto. El resto es simple; tengo que salir de aquí y avisarle a abuela lo sucedido. Hacerlo dulcemente, contarle las cosas sin excesos, para que jamás sepa de mi angustia y de todo lo que sufrí solo, solo en la noche... ¿Pero cómo despertarla, cómo decirle...? Nada de preguntas; el amor señalará los medios. Tengo que evitar el horror de su entrada matinal en el desayuno, el encuentro con el rígido espantajo crispado... Rígido espantajo crispado... Rígido... Rígido espantajo crispado...".

Cortázar, 1941.

segunda-feira, maio 11, 2009

Pequenos Ódios

Te agredi na frente de uma psicóloga feminista. Minha primeira reação foi: "Não sei por que fiz isso". Se fosse outro lugar, provavelmente estaria encarcerado. Mas era Porto Alegre, cinco da manhã, todos bêbados, incluindo a psicóloga.
Depois discuti com um mendigo. No começo era uma conversa pacífica. Depois fiquei agressivo denovo. Ele saiu apreensivo, talvez com medo, não sei. Mal olhei.

Cheguei em casa, deitei, senti vergonha e tristeza.

Me faz lembrar aquela vez que arranquei a câmera das tuas mãos e gritei contigo. Ou de quando gritei com a minha mãe, ou quando discuti com a melhor amiga da minha namorada, ou quando simplesmente deixei tu ir. Tudo tão abrupto, agressivo, sem explicação.

Não sou pacífico de forma alguma, essa máscara de tranqüilidade é uma máscara psicótica, por dentro fico imaginando que deveria ter quebrado o prato na cara daquele garoto e enfiado a faca na garganta dele, atropelado gente, comprado um fuzil, uma granada de mão, mostrado uma face dessa loucura dormente.

E não queria ser desse jeito. Queria aprender a lidar com esses pequenos inconvenientes (e são realmente pequenos) sem ser agressivo. Aprender a olhar nos olhos das outras pessoas e compreender o que elas me dizem sem julgar com ódio, tentando aceitar.

domingo, maio 10, 2009

Dharma Bum

Encontrar aquele menino da 6a série (quando você estava no 3o ano) numa festa é sinal de que algo anda errado. Garotas laranjas e 60 reais a menos, onde o mundo vai parar gente? Na minha época essas criaturas e preços se restringiam aos shoppings e casas.

Foi me baseando nisso que decidi abrir uma nova casa de festas em Porto Alegre. É na Santo Antônio, quase esquina com a independência. Uma casa enorme, picharam recentemente na frente, tem uma baita área ao ar livre, vai ser massa e bem diferente dessas coisas que estamos acostumados. Como fazer as pessoas gastarem menos de 60 reais ainda é uma incógnita, mas a equipe já está a par da situação e vai fazer o possível.