Um objeto é descartável.
Pode ser usado uma vez ou um milhão, pode ser feito de uma infinitude de materiais, ser recente como uma caneta que escreve no espaço ou antigo como argila vermelha na parede da caverna.
Quando se pega um objeto, um telefone, por exemplo, se dá um uso. Uso o telefone para ligar. Depois de um tempo, talvez o telefone não funcione mais ou talvez os meios de comunicação sejam outros. Então o uso é ressignificado, passa a ser item de decoração, de nostalgia, se retiram seus componentes e são utilizados para outros objetos, até que, em última instância, o telefone vai parar num canto esquecido pela humanidade.
Um objeto é descartável. O descarte é o esquecimento, é colocar aquele objeto longe das vistas de tudo e de todos, de preferência em alguma mina abandonada em El-Dorado. Entulhamos as minas com nossos esquecimentos até um ponto que não podem receber mais esquecimentos. É preciso novas minas para novos esquecimentos.
Mina, no popular, é mulher. É gente. Uma frase de propagada num aplicativo de relacionamentos poderia dizer "encontre hoje alguém em quem depositar seu esquecimento". Afinal, são precisas novas minas para novos esquecimentos.
Dirão que é impossível seguir no ritmo atual, que em breve não haverão mais minas onde colocar os esquecimentos e teremos que lembrar de tudo. Talvez seja bom lembrar e não morrer de Alzheimer. Mas que difícil deve ser, anos depois, ver aquele mesmo telefone com quem você conversava até altas horas da madrugada, intocado pelo tempo no fundo de uma mina.
Mais difícil ainda quando aquele telefone tem nome, tem voz, tem até mesmo sentimentos. Difícil quando todo aquele sentimento estagnado ao longo de dezenas de anos soterrado por toneladas de outros esquecimentos vem à tona. E vem pra lembrar, quem sabe, de não esquecer agora.
Oi, tudo bem, não sou objeto. Somos gente.
Recorda que até uns anos atrás quem estava na câmara de gás era tu, não eu que recebo tuas balas.
Recorda quando brigou com teu pai e tua mãe, teu filho agradece.
Recorda de todo privilégio pra chegar esse momento na frente de uma tela, enquanto outros passam fome.
O esquecimento é o talento com os objetos, mas não com a gente.
quinta-feira, maio 17, 2018
quarta-feira, maio 02, 2018
Crônicas de um Universo Distópico I
A primeira vez que resolvi fazer uma cirurgia foi porque meus pais inventaram que minhas orelhas não estavam bem alinhadas ao resto do meu rosto, o que mais tarde chamou a atenção das outras crianças e me fez ser conhecido como o burro das orelhas de abano.
Não sei se foi por ter feito uma intervenção no meu corpo tão cedo ou se isso é realmente normal hoje em dia, mas passei a melhorar meu corpo sempre que possível. Hoje vocês vem aqui pra me ouvir e se sentem motivadas porque podem ver o resultado a que vocês mesmos, no fundo, querem chegar.
E é muito positivo esse retorno e que cada um queira o melhor de si para esse mundo. Somente quando todos nós fizermos nossa parte poderemos mudar alguma coisa. Quando meus pais nasceram não tínhamos essas possibilidades, eram comuns doenças como tuberculose, gripe, diabetes, hepatite. Tanta gente sofreu e, por incrível que pareça, ainda sofre por esses males.
As pessoas acreditavam estarem sendo punidas por alguma entidade divina ou, então, que poderiam sair de suas misérias através de um milagre. Existiam milagreiros, uma classe de gente sem escrúpulos que buscava arrancar o mal em troca de favores, serviços e dinheiro. Se tivéssemos nos dado conta antes, imaginem quão longe poderíamos estar hoje, apenas encaminhando tamanha fé e devoção na direção correta. Se eu pudesse voltar no tempo, meramente minha presença talvez fosse vista como o retorno de Cristo, uma intervenção alienígena ou, para os conservadores de então, o que realmente represento, uma ameaça.
Sou uma ameaça.
Ameaço àqueles que insistem na aleatoriedade, os autoproclamados defensores do amor, os hippies, os velhos e os novos com velhas idéias, todas as religiões e todos os paradigmas. Meu ideal nos levará mais longe do que nunca pensamos em ir, é possível conquistar o mais remoto da mente humana e do universo. Mas para isso preciso saber se vocês estão comigo, preciso de toda a fé que já depositamos em falsos Deuses, não em mim, mas no ideal.
Peço que quem não estiver pronto para o próximo milênio se retire do ambiente. Infiéis não serão tolerados.
Mark Robson
Não sei se foi por ter feito uma intervenção no meu corpo tão cedo ou se isso é realmente normal hoje em dia, mas passei a melhorar meu corpo sempre que possível. Hoje vocês vem aqui pra me ouvir e se sentem motivadas porque podem ver o resultado a que vocês mesmos, no fundo, querem chegar.
E é muito positivo esse retorno e que cada um queira o melhor de si para esse mundo. Somente quando todos nós fizermos nossa parte poderemos mudar alguma coisa. Quando meus pais nasceram não tínhamos essas possibilidades, eram comuns doenças como tuberculose, gripe, diabetes, hepatite. Tanta gente sofreu e, por incrível que pareça, ainda sofre por esses males.
As pessoas acreditavam estarem sendo punidas por alguma entidade divina ou, então, que poderiam sair de suas misérias através de um milagre. Existiam milagreiros, uma classe de gente sem escrúpulos que buscava arrancar o mal em troca de favores, serviços e dinheiro. Se tivéssemos nos dado conta antes, imaginem quão longe poderíamos estar hoje, apenas encaminhando tamanha fé e devoção na direção correta. Se eu pudesse voltar no tempo, meramente minha presença talvez fosse vista como o retorno de Cristo, uma intervenção alienígena ou, para os conservadores de então, o que realmente represento, uma ameaça.
Sou uma ameaça.
Ameaço àqueles que insistem na aleatoriedade, os autoproclamados defensores do amor, os hippies, os velhos e os novos com velhas idéias, todas as religiões e todos os paradigmas. Meu ideal nos levará mais longe do que nunca pensamos em ir, é possível conquistar o mais remoto da mente humana e do universo. Mas para isso preciso saber se vocês estão comigo, preciso de toda a fé que já depositamos em falsos Deuses, não em mim, mas no ideal.
Peço que quem não estiver pronto para o próximo milênio se retire do ambiente. Infiéis não serão tolerados.
Mark Robson
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