segunda-feira, abril 26, 2010

Cinza

É tudo cinza.

O papel de parede, o céu, o dia, as cores, as pessoas, o amor, a tristeza, a raiva, o ódio, cinza.

Ele roubou todas as cores.

Por isso que o coração na calçada cada dia fica mais cinza. Qualquer dia desses de chuva não vai ter mais coração, vai ser só mais uma pedra acimentada junto de todas as outras. Cinza.

Dói.

Tristeza

Cansa, cansa muito.
O problema, é certo, não são os outros.

É sofrer em demasia. Tudo é motivo! Mesmo aquela ex, aquela de dois, três meses atrás, dá motivo quando transa com um qualquer, com uma nova paixão, seja o que for. O imposto de renda que agora é preciso pagar. Essa goteira que insiste em cair no meu colchão, mesmo depois de remendada.

E o tempo chove, se entristece comigo. Não busco mais consolo nos outros. Consolo pra quê? Aquela que já conhece fulano, já transou com fulano, o mesmo fulano que já transou com todas as outras, o mesmo que levou embora aquilo que parecia amor. E aquela outra... fácil, sem graça. Nem me desperta.

Dói. De noite, sozinho na cama, com a goteira molhando o colchão, dói. Ou num filme qualquer, numa noite qualquer, com uma qualquer. Sempre a mesma dor. Minha, só minha, ninguém me trouxe, ninguém disse que era aquilo que eu precisava, ninguém além de mim.

Sexo

A pele, coisa bonita, cala essa carne violenta.
E a carne cala o osso.
E o osso. O osso é o que sobra depois de tudo.

Portas

"Yo supe desde el primer momento que Estela era la portadora de una llave. No sabía entonces qué puerta iba a abrir, a dónde daría esa puerta, pero al menos en mi vida ese día había una puerta."

(Últimas Imágenes del Naufragio - Eliseo Subiela)

sábado, abril 24, 2010

Porca

Aquele teu cigarro impregnou o carro todo, levou tempo pra sair. Tua buceta manchou o banco de trás. Teus socos me deixaram roxo. E tu.

Me deu vontade de pegar esse teu cabelo e amassar tua cara contra o chão.

Agora não mais. Só me importo em esfregar buceta o suficiente pra tirar o gosto da tua.

Presentes

Presente é um processo.

É preciso pensar no presenteado. Nos gostos, nos interesses, no cheiro, na língua.
E depois não pensar.

E volta. É tão bonito. O presente vem nesse pensamento que volta.

Dia das Mães

Rebentou com tudo.
Depois que se livrou da placenta, do sangue, do suor, foi embora.

Não é possível conceber o homem essa dor. Uma parte de si, sim, de si, por que não estava lá antes, foi feita, criada, uma extensão do corpo, dentro do corpo. E assim, violentamente, se esforçando para sair, sai.

E depois da placenta, do sangue, do suor, foi embora. Tapas na bunda, graduação no colégio, vai morar sozinho, casa, se separa, vira gay. E a mãe cada vez mais distante dessa parte que foi embora.

Por que vocês filhos são tão cruéis? Não percebem como machucam a mãe de vocês saindo delas desse jeito? E como não amá-las, por deixar vocês irem e, não só, amar vocês com todas as forças? Elas, mais do que qualquer outro, são a extensão dos seus corpos!

Corpo Teimoso

Não quero dias azuis. Quero abrir os olhos e enxergar aquela luz dourada de pôr-de-sol entrando pelos fundos sem medo.

Tomar banho, beber, comer, virar essa luz.

Tenho que esperar, é o que dizem. Não é assim que funciona, dizem.

Eu faço funcionar. Sempre foi assim e sempre vai ser.

segunda-feira, abril 19, 2010

and you feel like you know me...

"thoughts racing through my head. feel like crashing. can't. long night behind but long day ahead. thinking about you for some reason but want it to end. feel like i know you so well but don't know you at all. this will all go away. i don't want to let go but i should. easier this way. better this way. this could have been amazing but it can't be anything. my luck huh? fall for someone who for all means and purposes really couldn't give a shit. you think you do. in all your self-righteous rants but really...you don't know who you are. so how can i understand you? how will you understand me? wish we could be friends but you know me. clean break. it was fun while it lasted."

De Scout (http://myalbion.blogspot.com/)

sábado, abril 17, 2010

Indignado

Tranquem os poetas dentro de suas casas!
Calem essas bocas!

Chega! Basta de mexerem dentro de mim.

Espantapájaros II

"(...)Ésta fue -y no otra- la razón de que me enamorase,
tan locamente, de María Luisa.
¿Qué me importaban sus labios por entregas y sus encelos sulfurosos?
¿Qué me importaban sus extremidades de palmípedo
y sus miradas de pronóstico reservado?
¡María Luisa era una verdadera pluma!
Desde el amanecer volaba del dormitorio a la cocina,
volaba del comedor a la despensa.
Volando me preparaba el baño, la camisa.
Volando realizaba sus compras, sus quehaceres...
¡Con qué impaciencia yo esperaba que volviese, volando,
de algún paseo por los alrededores!
Allí lejos, perdido entre las nubes, un puntito rosado.
"¡María Luisa! ¡María Luisa!"... y a los pocos segundos,
ya me abrazaba con sus piernas de pluma,
para llevarme, volando, a cualquier parte.
Durante kilómetros de silencio planeábamos una caricia
que nos aproximaba al paraíso;
durante horas enteras nos anidábamos en una nube,
como dos ángeles, y de repente,
en tirabuzón, en hoja muerta,
el aterrizaje forzoso de un espasmo.
¡Qué delicia la de tener una mujer tan ligera...,
aunque nos haga ver, de vez en cuando, las estrellas!
¡Que voluptuosidad la de pasarse los días entre las nubes...
la de pasarse las noches de un solo vuelo!
Después de conocer una mujer etérea,
¿puede brindarnos alguna clase de atractivos una mujer terrestre?
¿Verdad que no hay diferencia sustancial
entre vivir con una vaca o con una mujer
que tenga las nalgas a setenta y ocho centímetros del suelo?
Yo, por lo menos, soy incapaz de comprender
la seducción de una mujer pedestre,
y por más empeño que ponga en concebirlo,
no me es posible ni tan siquiera imaginar
que pueda hacerse el amor más que volando."

(Oliverio Girondo)

terça-feira, abril 13, 2010

Werther

04 de agosto

Não sou eu o único a lamentar. Todos os homens são ludibriados em suas esperanças, iludidos em suas expectativas. [...]

21 de agosto

Num piscar de olhos tudo se modifica em mim. Por vezes um doce clarão de vida que voltara a surgir e iluminar-me com uma vaga claridade, mas ah... ele dura apenas um momento! Quando me perco assim em sonhos, não posso expulsar esta idéia: ora, e se Alberto morresse! Tu virias... sim, ela viria a ser... E eu sigo a alucinação, até que ela me conduza ao abismo, à beira do qual me detenho e recuo a tremer.
Se desço em direção às portas da cidade, e me encontro naquele caminho que percorri de carruagem da primeira vez em que fui buscar Carlota para acompanhá-la ao baile, que transformação! Tudo, tudo desapareceu. Nenhum sinal do mundo que passou, e se foi... Até mesmo meu coração já não pulsa mais como pulsava antes. Sou como um espírito que volta ao seu castelo queimado e demolido, o mesmo que mandara construir e ornamentar com toda pompa e circunstância quando era um poderoso príncipe e depois deixou, cheio de esperança, ao filho muito amado quando estavas prestes a morrer.

03 de setembro

Às vezes não posso compreender como um outro pode amá-la, permite-se amá-la, ousa amá-la, quando eu a amo de maneira única, tão profunda, tão plena; quando nada conheço, nada sei, nada tenho senão a ela!

Goethe.

Do peso

Babe,

depois que você disse que não me queria mais, senti um alívio.
Fazia tanto tempo que queria te dizer a mesma coisa.

Claro que não dei a entender isso, tinha que fazer meu papel de magoado.

Mas foi tão bom. Obrigado por tomar essa decisão por nós.

Agora... não sei. Não sinto vontade de outra mulher.
Sinto muita vontade de estar sozinho.

Talvez vá pra floresta. Fazer aquela trilha do trem que você nunca vai fazer comigo.
Antes eu tinha medo de morrer lá, não sei. Tinha uma necessidade de estar vivo e garantir que você estaria bem, que nossos filhos teriam o que comer, onde viver.

Era esse peso. O peso de lhe carregar em cima de outros amores, dos meus amigos, da minha família. Te carreguei muito. E pesava o que eu ainda teria que lhe carregar, como quem olha pra cima da montanha e pensa que precisa percorrer tudo aquilo pra chegar no topo, bem, o peso fica mais pesado.

Agora é vazio. E me pesa a leveza.

segunda-feira, abril 12, 2010

Superstar

don't you remember you told me you love me baby
you said you'd be coming back this way again baby

domingo, abril 11, 2010

Sunday Morning

Amor II

Eu tive a mulher da minha vida e mandei embora. Desde então procuro justificativa.

Quem valia tanto a pena pra acabar assim?

E em toda mulher que procuro resposta, me responde "volta".

Só me digam como. Por favor.

sexta-feira, abril 09, 2010

Amar

Agora, onde você enxerga porto, enxergo só um mergulho. Se prende a respiração e vai até onde o pulmão agüenta. Não tem no que se segurar. Uma hora tem que voltar, é inevitável, é indispensável para continuar vivo.

A ilusão do porto é de quem vive pra morrer lá embaixo. Mergulham e nunca mais voltam, ficam presos nesse canto de sereia. Esses a gente olha daqui de cima, de fora d'água e fala "como ama!".

E sente medo. No fundo se quer morrer do mesmo jeito e isso assusta. Então é preciso se cercar de seguranças.
Uma boa família, dinheiro, saúde. Beleza, beijo, sexo.
Ciúme, poder, casamento.

Até não conseguir mais mergulhar de tanta bóia que se coloca no corpo. Aí se morre aqui em cima mesmo.

Adeus você

Tchau beijo bom, carícia no meio da noite, cafuné na sala da tv.
Vou sentir falta desse cheiro gostoso, daquelas pizzas de frigideira, até do teu cachorro chato.

Vou-me embora. Dá medo.
É uma sensação de sair do porto pra entrar no mar aberto.
Sem essa frescura de bússola, previsão do tempo, imagens por satélite. Só o barquinho monomotor, o anzol e a linha.

Não dá pra contar com a sua carência num dia de chuva, com o amor da outra, com a loucura dessa. Vem e vão. Vem e vão.

Assombrações

Balançou a cabeça bem forte, não queria pensar bobagem.
O pêlo do braço se arrepiou quando o pensamento veio denovo.

Tem quem diga que é assombração. Que no escuro do quarto, sentem a mesma coisa.

quinta-feira, abril 08, 2010

Citação do meu amigo Dado

Dado, vale uma citação.

Loucura

"O fermento que pôs minha vida em movimento, falta; o estímulo que me encorajava à noite já não existe, aquele que me despertava pela manhã se foi".

Agora já não preciso mais de fermento, estímulo. Tenho tudo nas minhas mãos.

Esmago. Faço uma caricatura da tua loucura, sempre nessa tentativa de fazer da minha.
Seguir por ela? E ir até onde? Já fui lá. Já voltei. Fui denovo. Voltei.

O que quero é simples, muito mais simples do que isso que tenho feito.
É só parar de me tocar pela minha e pelas tuas, vossas, loucuras.

segunda-feira, abril 05, 2010

Álcool II

Várias pessoas vieram me visitar e fiquei cansado.
Quis estar sozinho.

Ninguém entendeu. A única solução foi beber.

O tempo dos glaciares

Babe,

não quis te magoar. Mas tive que foder com aquela loira, tu sabe da minha queda por esse "tipinho". E vamos combinar que tu também não é santa, andou fudendo com meio mundo que eu sei.

Sabe que manchei todo teu piso de madeira com marca de camisinha.
O carro também tá cheio de secreção vaginal.

Acho que esse negócio de lugar "puro" foi pro saco, né?

Até por que vai saber quem tu não levou pra onde.

Mas agora que as coisas estão mais claras, que a única buceta é a tua, acho que podemos combinar de esquecer onde a minha e as tuas porra estão e sentir um mundo novo, né.

Tua buceta já me fez falta essa semana. Queria muito dar uma trepada e tu viajando. Mas resisti, não fui atrás daquela vagabunda.

Me sinto ridículo, porque tu deve ter ido atrás dos teus puto. Um dia ainda te trato como mulherzinha pra tu saber como me sinto.

Esqueci o que queria dizer nesse postal de merda. Que se foda. Meio mundo já deve tá lendo nossa vida.

Acho que a idéia principal é: gosto de foder contigo. Então chega dessa pica de tempo, volta pra cá e vamos trepar no chão da sala que nem tu gostava de fazer.

Das classificações do mundo feminino

Tem certas mulher que deixa o cara assim de pica dura só de roçar no ônibus, tá ligado?

E tem outras que brocham o cara só de chegar perto.

Então tem mulher que dura e mulher que brocha.

A primeira vez que me masturbaram

A gente acordou junto naquela cama grande, era grande pra nós, de casal.
Na verdade eram duas camas de solteiro juntas, assim nós três podíamos dormir com relativo conforto.

Não sei por que, acabei ficando no meio da cama. O que foi bom, no final.

Acordei contigo fazendo carícia em mim. Me senti extremamente envergonhado. Há quanto tempo será que estava de pau duro? Não sei. Mas tu não parava.

Me virei, envergonhado, pra baixo.
E tua perna continuou esfregando a minha, nesse frenesi erótico. Fui me enfiando entre as duas camas até abrir um buraco largo o suficiente para cair entre elas.
Então rolei por baixo da cama e fui para o banheiro.

Meu coração batia forte. Isso nunca tinha me acontecido antes.

Decidi tomar um banho. E bati punheta pensando em ti, prima.

Álcool

Essa garrafa de úisque, rédleibel.
Minha amiga, minha amante, minha puta.

Ela não se importa que eu bata, insulte, grite. Sempre me responde o que eu preciso ouvir, o som da minha embriaguez vindo de mansinho, adormecendo meu corpo, afogando esse sentimento ruim engasgado na garganta.

Dou risada. Agora, agora eu posso sair daqui.