sexta-feira, outubro 30, 2009

Paixão Platônica

Ela gostava de picolé de uva,
os lábios chupavam com delícia.

Aí espremiam os de outro,
me deixava com ciúme.

Não deixa mais.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Giros

- Não sei o que acontece com o mundo gay. Lá se consegue sexo em qualquer lugar. Absolutamente. Parada de ônibus, supermercado, banca de revistas, cinema, colégio, festa da tua irmã de dez anos. É muito simples e qualquer um com menos de 90kg consegue. Questão de usar uma calça jeans mais justa, uma camiseta mais justa (de preferência.. rosa) e um cabelo moderninho. Ah, sem barba (às vezes com, assim como a cor da camiseta pode variar.. mas não estamos fazendo distinções. O objetivo do experimento é sair de casa e arranjar sexo gay grátis).

- As gordas são mais carentes em 99% dos casos. Em 100% dos casos que você desconfiar que ela está afim, você está certo. Não precisa de muito. Ainda não pude comprovar com números, mas creio que quase todas são fofoqueiras. Isso se aplica as que já nasceram gordas, é claro. Existe o caso das que ficaram gordas depois, daí varia com a idade, tamanho, sexo rodado, etc.

- Fiquei imaginando um gordo gay. Mas gordo mesmo, de 120 kgs e 1m70. Não sei se vocês já conferiram aquele filme Ano Um, com aquele ator gordinho engraçado. Bom, não é dele que estou falando, mas de um sacerdote que aparece lá pelas tantas, é aquilo que imagino sendo um gordo gay. Grande, guloso e peludo.

- O que se faz quando as pessoas têm bafo? Já tentei dar indiretas (tu precisa de um copo d'água? Não? Mas eu busco pra ti. Sério mesmo. Coloco gelo. Não? Quem sabe coca? Não tem? Eu pego ali no mercadinho..), não funciona. Tentei demonstrar que não gosto de ficar perto com expressões de desagrado, virando a cara, tapando o nariz, também não adiantou nada. E o pior é que a pessoa se cansa fácil e começa a arfar aquele bafo quente conservado durante dez anos na tua cara. Bafo é sempre quente, né? Não lembro de sentir um bafo frio. Já hálito bom sempre tem relação com frio e refrescância.

- São poucas as pessoas que não me importei de sentir o bafo na cara. Tipo dormir com a cara no bafo. Bem poucas.

- Animais domésticos sempre têm bafo. Bah, meu gato quando boceja, preciso virar a cara pro lado, muito difícil suportar. Ia ser difícil dormir cara a cara com ele. Falando em dormir com animais domésticos: como cachorro fede, jesus! Ok, fiquem no chão, no pátio, nos meus pés, mas dormir na mesma cama... Quase pior que a pilha de meia suja no meio do meu quarto.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Um teto triste

Uma escada incolor que leva sempre pra cima.
Ou sapos caindo do céu.

São só idéias. Como me formar ou passar no vestibular. Não passam da minha cabeça.
Às vezes parece que nunca vou parar de imaginar que entro nesse teto triste.

Amor

Não vai parar nunca. Depois de meses sem tocar teu corpo, o encaixe ainda é perfeito e o amor é o mesmo.

Como se o universo se dobrasse em volta da gente e tudo que a gente pensou até então fosse tão ridiculamente pequeno. Deixo de ser quem me conhecem, como o sol saindo das nuvens e te acaricio a pele com calor.

Choro quente pelo amor que já se foi. (e pelo que ainda não foi)

quarta-feira, outubro 14, 2009

High Hopes

Úisque

A garrafa de úisque no quarto me chama, provocante.
Só afogar tudo em grandes goles num desses copos de requeijão. Os únicos que sobraram inteiros aqui em casa. Me sinto ridículo tomando úisque nesses copos, mas a outra opção são as xícaras de plástico do inter, o que não me atrai nem um pouco; o úisque merece ser tratado com o mínimo de dignidade.

Hoje senti vontade de fumar no cinema, estava com uma sensação horrível, misto de ridículo - denovo, não por acaso, essa palavra - e nervosismo. Pensei naqueles cinemas parisienses (os sonhadores) que as pessoas fumam à vontade na sala. Ia ser ruim voltar pra casa com cheiro de noite alternativa, lavar as roupas e tudo o mais três vezes. Mas.

Ainda voltei de táxi pra casa. A noite agradável, implorando pelos meus pés e uma conversa pós-filme; não. Táxi, silêncio, uma sensação estranha. Depois, copos de requeijão.

Num sonho ruim quebro todos eles. Jogo pela janela, encho a calçada ao redor do edifício, ninguém mais entra, nada mais sai. Ninguém pra me perguntar como foi o dia, o que tem sido a minha vida, o que vai acontecer no final de semana. Nada pra sair, nem uma palavra pra chamar.

No fim, o desespero. Ia pular pela janela e me arrebentar nos cacos, buscando aliviar essa mão dentro da minha garganta, que me sufoca desde sempre e me dá medo, muito medo, de me levar um dia. O úisque iria entrar direto, sem ter que passar pela boca, pela garganta sufocada, pelo estômago enjoado. A embriaguez completa, enfim; buscada desde o primeiro gole, ainda na cadeira do computador.

Sem ressaca. Sem responsabilidade. Só o alarme tocando no outro dia pra me trazer de volta.

terça-feira, outubro 06, 2009

Rahel

"Quando terminou a escola, conseguiu entrar numa Faculdade de Arquitetura medíocre em Délhi. Não era resultado de nenhum interesse sério em Arquitetura. Na verdade, nem mesmo de um interesse superficial. Aconteceu simplesmente de fazer o exame de admisssão, e passar. Os examinadores ficaram mais impressionados com o tamanho (enorme) do que com a habilidade de suas naturezas-mortas esboçadas a carvão. Os traços descuidados, soltos, foram erroneamente confundidos com segurança artística, embora, na realidade, sua criadora não fosse artista.

Passou oito anos na faculdade, sem terminar o curso de graduação, nem tirar o diploma. As mensalidades eram baixas e não era difícil arranjar o suficiente para viver, morando num albergue, comendo nos restaurantes subsidiados para estudantes, indo raramente às aulas, em vez disso trabalhando como desenhista em obscuras firmas de arquitetura que exploravam a mão-de-obra estudantil barata para ilustrar seus projetos e levar a culpa quando as coisas davam errado. Os outros estudantes , principalmente os rapazes, ficavam intimidados com a transviada, quase feroz, falta de ambição de Rahel. Deixavam-na em paz. Não era nunca convidada para suas casas agradáveis e festas ruidosas. Até os professores tinham certa cautela com ela por causa de seus projetos bizarros, nada práticos, apresentados em papel pardo barato, e da indiferença com que recebia suas críticas acaloradas."

O Deus das Pequenas Coisas - Arundhati Roy.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Vinho

O vinho me faz duplicar as linhas do blog.
Enquanto escrevo dez páginas, ele vinte.

É a maravilha das editoras, inventa à vontade para poder apagar bem depois.
É a seleção natural, terrível, inevitável, indestrutível?

Talvez ainda passe a perna em si mesma. Muitas vezes, como tem sido até agora.

Das minhas bolas preferidas

Meu sabor favorito é uva. Roxa e grande, daquelas bolas inchadas que enchem o copo e dão água na boca.