terça-feira, março 30, 2010

A importância das histórias de janelas

Esse vento doido batia na janela querendo entrar a todo custo, mas a persiana não arredou pé.

Tinha algo frio, escuro, pegajoso, lá dentro.

O vento cansou de bater. Ninguém abriu.

segunda-feira, março 29, 2010

Inverno

A gente se sentou muito cansados naquelas cadeiras gastas pelo tempo e ficamos olhando o mar até amanhecer. Ninguém ia na praia naquela época do ano, era tudo tão vazio, calmo e bonito.

Fazia falta um cobertor e bati os dentes de frio.

Ninguém falou nada por muito tempo. Uma gaivota daquelas com penas muito brancas, voou até perto do quiosque e bicou algumas vezes no assoalho esburacado de madeira. Comentei algo sobre ela procurar comida ali embaixo. Não lembro direito o que tu disse, acho que era algo sobre gaivotas não fazerem esse tipo de coisas, que buscavam a comida no mar.

Tu gostava de me ensinar umas coisas. Era importante pra ti se sentir assim. Nunca comentei muito, queria alimentar esse teu sentimento, mas às vezes te deixava presunçosa.

No caminho de volta tu dormiu. Foi tão bom te levar pra casa dormindo. Era uma das primeiras vezes que experimentava essa sensação gostosa de confiança. Depois comecei a sentir mais e mais, em momentos bem diferentes. Mas obrigado por essa primeira vez.

quinta-feira, março 25, 2010

Doce

É só ilusão isso de compreender os outros.
Ninguém se entende, estamos todos perdidos patetas procurando fazer o outro nos ouvir. Besteira, ninguém tem tempo.
Nem sequer quer.

Querem tua atenção. Escuta, consegue, escutar os meus problemas, o que estou falando de verdade e não o que sai por essa boca suja cheia de porra? Claro que sim. Estou te ouvindo. Estou olhando nos teus olhos, mirando aquele brilho que reflete quando tu balança a cabeça daquele jeito. E tu me pergunta o que fico olhando pro teu rosto, meu deus, é tão lindo, tão lindo esse brilho no fundo do teu olho, que mesmo quando machuca, e machuca muito, eu quero continuar olhando, quero saber que existe alguém além de mim no mundo, que é possível compreender mais alguém além de mim, que existe diálogo, que existe amor, que existem sentimentos, que não sou eu e eu.

E tu me machuca dia após dia, vai, trepa com ele, janta com a família dele, dorme com ele, assiste filme com ele... e eu aqui chorando pra ninguém, sei que tu nem vai ligar, sei que tu acha que eu vou ficar super bem com isso denovo.

Eu queria ter a mesma certeza. De que posso ser o quão filho da puta puder e que tu vai continuar do meu lado, mas desculpa, não dá. Não. Eu sei que não dá. Tenho certeza. Tu já mostrou mais de uma vez.

Tenho que continuar pateta, idiota, mais bonzinho que a guria das chiquititas, sem te fazer mal. Por que no menor sinal tu vai embora. E isso só mostra o quão frágil e ridículo somos. Eu te dando tanto amor e tanta compreensão e tu exigindo nada menos que perfeição.

Quero que tu saiba: vai tomar no cu. No cu mesmo. Cansei de ser otário. Agora quero me vingar. Quero te fazer sangrar e vou fazer o possível pra isso. Quieto. Fingindo a tua amizade.

Tenha uma boa noite, doce.

quarta-feira, março 24, 2010

If I Fell

Sei lá

Ela tentou ser grossa, ser o mais brutal, o mais límpido, selvagem, possível.

Não conseguiu, óbvio.

Quando, ele se pergunta, vai se tocar do necessário. Da essência. Do Daime.
Nunca, pensa. É um pensamento raivoso, nunca, ora.
As pessoas mudam, conseguem crescer, viver.

Então vai, amor. Muda.

Eu sei do teu brilho no fundo do olho. E tu esconde.
Guarda no fundo do coração esse brilho. Qual é o teu problema, porra?
Que eu te fiz pra não me deixar tocar nisso?
Ou tu ainda pensa que te tocar vai te encolher?

terça-feira, março 23, 2010

Masturbação, um método de vida até 2012

Homem:

É possível atingir um nível mental razoavelmente saudável com a masturbação.

Problemas com traição? Masturbação neles!
Morte na família? Masturbação neles!
A pessoa não lhe dá bola? Masturba bem. Tira umas fotos dela. Rouba uma calcinha se puder.

Se bem que me ligo mais em meias. Todas têm aquela deliciosa consistência de seda na ponta, uma mancha amarelada, aquele cheiro de chulé, é, chulé. Tenho um par de meias de cada namorada que já tive. E não só namorada, essas trepadinhas esporádicas também.

"Tua meia deve estar suja, usa essa minha ó". E deixa a tua que eu lavo, guardo, devolvo depois. É tudo mentira, gente, a meia vai pro saco. No inverno é gostoso usar uma em volta das bolas, dá aquele quentinho agradável. Eu devia ser responsável por uma fábrica de meias para bolas, ia fazer grande sucesso e colaborar nos métodos contraceptivos.

E masturbação não significa chegar nos finalmentes sempre. Pode ser bem mais simples e empolgante, como ficar de pau duro dentro de um ônibus lotado. Ah, delícia esfregar o tico na bunda dessas mulheres do ônibus, às vezes num ombro desprotegido e santo.

Nesse sentido o verão foi uma grande invenção. Esse negócio de ficar pelado na praia e mar, meu deus, dá pra pintar o oceano de branco. Não dava pra fazer isso lá nos anos 50 com aqueles maiôs enormes. Aquilo era capaz de brochar um homem. Ainda bem que proibiram e agora temos peladas.

Pensando numa retrospectiva, teve várias coisas legais acontecendo. Acho que uma bem importante foi todo esse lance do feminismo, agora é tão mais fácil tratar a mulher que nem um objeto feito pra trepar - e ela nos tratar da mesma forma! Fora que abriu a possibilidade das mulheres pensarem e agirem como homens, então elas também estão prontas para a masturbação do século XXI.

Tem uma galera religiosa por aí dizendo que depois de comer a fruta aquela do jardim do éden, teve uma orgia generalizada, pessoal ficou trepando durante dias, meses e anos. Acho que não foi bem assim. Depois da fruta, começaram a bater punheta. E como nunca, NUNCA, tinham gozado, e isso fazia mais tipo uma eternidade, devem estar gozando até agora. Daí o fim do mundo, agora em 2012, é quando finalmente vai parar a ejaculação.

Isso pode significar vários lances. Tem um lado que diz estarmos prontos para conhecer outras pessoas agora que conhecemos a nós mesmos (pelo menos no que toca ao sexo). Outro diz que toda essa porra vai ser roubada por feministas, que através de um banco de espermas e um vírus mortal para o cromossomo Y, vão exterminar os homens restantes.

De qualquer forma, a masturbação acaba em 2012. Seja por não estarmos aqui ou por ter alguém pra fuder o tempo todo (por que se o cara leva uma eternidade pra gozar se masturbando, imagina trepando). Então vamos aproveitar até lá,

abraços brancos de um pinto masturbador.

Carta de Outro País

Querida,

todas essas coisas que eu disse foram pra te fazer melhor.
Não que tenham dado muito certo, afinal, tu seguiu o oposto de tudo que mandei fazer.

Continuo aqui te esperando. Tenho certeza que tu vai voltar.

Ô coisinha tão bonitinha do pai

sábado, março 20, 2010

Sobre deixar ir

Sempre comentei que o objetivo de se ter filhos era deixar eles irem embora.

Por causa da minha mãe, no começo. Sempre tão presa a mim, tão grudada, tão apaixonada. Só queria que ela largasse do meu pé.

Mas me dei conta: não se trata de ter filhos e deixar eles irem embora. É deixar tudo ir embora. A namorada, o gato, o trabalho, o dinheiro, os pais, os filhos, o carro, a casa, a cama, o postal, o gosto por roupas, o favorito do sorvete, a intransigência, os sentimentos, os pensamentos, a vida.

É difícil abandonar a esperança de que alguma dessas coisas é pra sempre, é durável, é confiável, mesmo que essa coisa seja eu mesmo. Vai chegar o fim da vida, na velhice, num acidente de carro, num ataque cardíaco, e vou me agarrar com todas as forças no que tiver ao meu alcance. E não vai adiantar.

Me dá vontade de sair correndo. Enxergar: estou me agarrando NISSO e correr muito rápido e pra bem longe. Pra que, pra me agarrar na corrida. Não vai adiantar também.

Então que seja bom. Agradável. Feliz. Enquanto dure.

sexta-feira, março 19, 2010

Perdão

Nesse sol amarelado da noite, a gente correu pelas ruas brincando.

Sem restrições. Até sangrar mesmo.

E daí, quando tu enxergou esse sangue todo, quis se despedir.

Não quis te deixar ir. Brigamos.

quarta-feira, março 17, 2010

Jesus Beethoven

Aposto que você não reparou que sempre deixava o lugar da janela pra ti. Não deve ter visto também quando fiquei encarando o chão. Não ouviu quando desviei meu pensamento daquilo. Quando fechei a porta.

Não.

Sou um filho da puta. E não Jesus Cristo.

terça-feira, março 16, 2010

La Donna è Mobile

La donna è mobile
qual piuma al vento
muta d'accento
e di pensiero

Sempre un'amabile
leggiadro viso
in pianto e in riso
è menzognero

La donna è mobil
qual piuma al vento
muta d'accento
e di pensier
e di pensier
e di pensier

È sempre misero
chi a lei s'affida
chi le confida
mal cauto il core

Pur mai non sentesi
felice appieno
chi su quel seno
non liba amore

La donna è mobil
qual piuma al vento
muta d'accento
e di pensier
e di pensier
e di pensier

segunda-feira, março 15, 2010

O olhar da Larissa

Youth

Não quero vocês ao meu redor. Isso não quer dizer que vocês homens deveriam se atrever, pelo amor de Deus, saiam de perto.


Só quero ficar só.
Não me atormentem. Do jeito que vocês fazem, vocês sabem que fazem.

domingo, março 14, 2010

N'antes

Sabe quando se sente aquela palavra que não existe?

É assim que me sinto quando tenho que te responder.
N'antes é.

A questão no agora é brutal. Não existe meio termo para o que preciso te dizer.
É direto, cru, sem se importar contigo.

sábado, março 13, 2010

Vazio

Às vezes é tão horrível estar sozinho que me dá
vontade

de chorar.

Esboço

As paredes vazias, o teto sem lâmpadas, a cozinha sozinha,

o banheiro super ocupado, vaso, pia, chuveiro.

terça-feira, março 09, 2010

Do meu carpete verde

Embaixo do carpete existem tábuas antigas de madeira.

Não lembro mais delas, se é que posso.

Tinha meus bonecos de um lado, o Black Kamen Rider, ou seja lá como se escreve, era um dos favoritos. Perto deles tinha uma televisão, passei algumas noites assistindo à "Praça é nossa".

Meu pai, ao contrário da minha mãe, não gostava muito de contar histórias, talvez daí essa programação. E não sabia coçar minhas costas, era daqueles que usava só as pontas dos dedos, sem as unhas.

Uma vez pediu que eu contasse uma história (sempre pedia uma pra ele, apesar dele nunca contar - e não quero mentir, é verdade que quando a história estava num livro, até dava uma lida e improvisava umas vozes, mas quando se tratava de inventar algo novo...) e fui contando, conforme minha mãe me ensinou a contar histórias.

Dormiu.

É uma história boa, fez o papel de adormecer.
E é uma péssima história, não foi capaz de manter meu pai acordado até o fim, que nem minha mãe sempre fez comigo.

segunda-feira, março 08, 2010

Cheiro

Quero, como quero, lembrar dele.
E do teu.
E da tua.
E do jeito que. Quando.

Bento Gonçalves

Foi dia de reinventar.
Me senti limpo.

Agora fico triste de pensar em voltar ao ar sujo de Porto Alegre.

sábado, março 06, 2010

Gabriela II

Mas que porra, sabe.

Gabriela

Escuta: queria não sentir.

Não é um desejo verdadeiro - por que preciso sentir, preciso provar que dói.

Mas, superficialmente, queria mesmo.
Ser capaz de ignorar, assim como todas as outras, você.

Acontece, maravilhosamente, que não sei fazer isso. Não sei colocar essa parede, que nem você, entre nós. Não sei não deixar você tocar em mim.

Claro, logo quem fui escolher, os amigos e os pais já me disseram com quem estou. Que estupidez. Mas estou satisfeito de ter escolhido a si.

Me sinto completo quando diz que não me quer. Finalmente, depois de tanto tempo, consigo chorar por alguém. Sentir dor de cabeça de tanta lágrima que resvala pelo canto dos olhos. E lhe enxergo toda vez que me miro no espelho. Que converso sozinho no banheiro, aliás, não sozinho, consigo.

Me diz que tem certeza, mesmo com tanto amor. Me mata, vai, diz.

sexta-feira, março 05, 2010

Laços

"Eles estão jogando o jogo deles.
Eles estão jogando o jogo de não jogar um jogo.
Se eu lhes mostrar que os vejo tal qual eles estão,
quebrarei as regras do seu jogo
e receberei a sua punição.
O que eu devo, pois, é jogar o jogo deles,
o jogo de não ver o jogo que eles jogam"

R.D. Laing

Roda Viva

quinta-feira, março 04, 2010

Avant La Haine

"Sais-tu ma belle que les amours
Les plus brillantes ternissent
Le sale soleil du jour le jour
Les soumet au suplice
J'ai une idée inattaquable
Pour éviter l'insupportable
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là s'il te plait
Mais je t'embrasse et ça passe
Tu vois bien
On s'débarrasse pas de moi comme ça
Tu croyais pouvoir t'en sortir
En me quittant sur l'air
Du grand amour qui doit mourir
Mais vois-tu je préfère
Les tempêtes de l'inéluctable
A ta petite idée minable
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là dis-tu
Mais tu m'embrasses et ça passe
Je vois bien
On s'débarrasse pas de toi comme ça
Je pourrais t'éviter le pire
Mais le meilleur est à venir
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout"

Canto IX

O RELATO DE ODISSEU

CÍCONOS, LOTÓFAGOS E O CICLOPE

(trecho)

"Por nove dias dali me levaram os ventos funestos,
por sobre o oceano piscoso; somente no décimo à terra
nos foi possível descer dos Lotófagos que comem flores.
Nessa paragem descemos, a fim de fazermos aguada.
A refeição junto às naves velozes os sócios fizeram.
Mas, tendo assim, a vontade da fome e da sede saciado,
sócios escolho e os envio, com o fim de notícias obterem,
sobre que gente aí morava, e se vive de pão, como todos,
tendo escolhido dois homens e o arauto, o terceiro, por sócio.
Ei-los que vão, sem demora, e se mesclam aos homens lotófagos.
Esses Lotófagos não empreenderam fazer nenhum dano
aos nossos homens, mas logo fizeram que loto comessem.
Quem quer que viesse a provar uma vez desse fruto gostoso
nunca a resposta haveria trazer, nem de novo empregar-se;
desejaria, isso sim, morar sempre com os homens lotófagos,
a comer loto somente, esquecido, de vez, do retorno.
Mas, apesar de suas lágrimas, trouxe-os à força, de novo,
para as naus côncavas, onde os atei sob os bancos dos remos,
tendo, em seguida, ordenado aos queridos consócios de viagem
que para as céleres naves, sem perda de tempo, subissem.
Não fosse a alguém esquecer o retorno por causa do loto.
Sobem, por isso, os demais para bordo e se sentam nos bancos,
todos em ordem, batendo com os remos nas ondas grisalhas.
O coração apertado, vogamos daí para diante."

Odisséia - Homero

Chan Chan

quarta-feira, março 03, 2010

Desaparecendo

Queria me esconder atrás das palavras, dar uma forma bonita para todo essa dor que insiste em viver dentro de mim.

Mas tudo que faço é beber, tentando amenizar, apagar.

E tudo que consigo é sumir cada vez mais de mim.

segunda-feira, março 01, 2010

Linhas

Começou com a falta dos teus lábios molhados entre os meus e foi se espalhando pelo resto do corpo. Não demorou muito para chegar nas extremidades, entre os dedos dos meus pés e das minhas mãos.

Meu corpo pulsava, pleno, pela tua carícia, teu toque, teu cheiro, tua sensação.

Guiado por isso te visitei. Nosso bom-dia foi formal, um leve aceno da cabeça e umas palavras mal formuladas nas bocas. Imediatamente senti um cansaço. Não queria batalhar por algo que já era meu, queria ter a certeza de te chegar com a boca sedenta e nos jogarmos numa espiral de prazer até o fim da noite.

O ar ao teu redor se modificou, pareceu mais seco, teus lábios e teus olhos de súbito ficaram levemente roxos, tua expressão mais séria. Óbvio que sentias o mesmo.

Fomos para dentro da casa. Comentários vagos sobre o dia, não quero água, obrigado, sentei no sofá, enquanto te arrumavas no banheiro. A TV queimada. Olhei o aparelho da cabo ligado, canal 46. Não senti vontade de me levantar mais. Algo me dizia que devia desligar teu aparelho, não era certo isso de ficar ligado se nem podia funcionar. Apoiei a cabeça no encosto do sofá e fechei um dos olhos.

Fechei um dos olhos para descansar. Fiquei observando a mudança na perspectiva dos móveis, enquanto te sentavas logo à minha frente. Culpa do cansaço que sentira antes, comecei a sentir mudanças em ti, físicas.

Era difícil focalizar algo que não teu rosto e, ao mesmo tempo, parecia que ele se afastava cada vez mais. Reparei que não sentia mais o sofá abaixo. Se mesclara ao meu corpo, numa sensação quase prazerosa. Meu rosto adquiria linhas fortes, costuravam minha boca, meu nariz, meus ouvidos, meu cabelo, me puxando para junto do sofá.

Como a tua falta, teu sofá me sugou e logo sentia linhas trespassando meu corpo inteiro. Deixei de ouvir teu assunto, de sentir teu cheiro excitante na sala, de sentir meu pênis duro dentro da calça. Cada um dos sentidos me faltou, exceto os olhos.

Ainda te enxergava. Vaga, quase desfocada, distante, mas ali.

Depois de um tempo levantaste, parecia que tinha se dado conta de alguma coisa e saiu da sala. Restou uma mobília marrom desfocado e o cansaço e o prazer.

Só fechei meu outro olho.