sábado, setembro 26, 2009

sexta-feira, setembro 25, 2009

Cheiro

A verdade é que, às vezes, você não cheirava bem.
Então tivemos que acabar.

A seguinte fedia quando voltava do banheiro. Parece esquisito, mas é verdade. Tinha um cheiro de bunda terrível.

Depois vieram pessoas muito cheirosas. Love. perfume importado.
Não sei, sei que cheiravem bem.

Parei nelas. No cheiro. O vício, talvez, final.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Gostar

É muito difícil gostar das pessoas, ainda mais hoje, que tudo é público.
Acaba sendo um exercício de confiança constante.

Pra um dia levar uma cagadinha na cara.
Acaba sendo um exercício de frustração constante, você insiste em acreditar na não-cagadinha e sempre leva uma.

Chega uma hora em que você começa um relacionamento se perguntando onde e quando vai ser a cagadinha. As pessoas que se perguntam isso são as que chamo de "fodidas ninfomaníacas".

As fodidas ninfomaníacas perderam qualquer interesse no amor e não tem brilho no olhar. Se leva muito tempo pra estabelecer qualquer tipo de relacionamento com elas e geralmente não vai a lugar algum. Alguns exemplos de nichos onde costumam se acumular: universidades, agências de publicidade, boates alternativas. São de sexo fácil e amizade difícil. Em geral utilizam ou já utilizaram em larga escala algum tipo de droga ilícita do momento. Claro que existem vários estágios de uma fodida ninfomaníaca, mas não cabe descrever isso num texto curto como esse.

Existem algumas alternativas para não se tornar (ou deixar de ser) uma dessas. A primeira coisa a se pensar é se você gosta ou não de ser assim. Tem gente que gosta de ser uma fodida ninfomaníaca e vai levar isso por um bom tempo, não discuta com eles. A segunda coisa é pegar uma dessas pessoas que ainda tem brilho no olhar (dependendo do grau vai ser necessário que esse alguém tenha muita disposição). Então estabeleça uma meta: vou me manter nesse relacionamento pelos próximos três meses. Faça o necessário (denovo, pode ser necessário métodos drásticos dependendo do seu grau fodido). Tenha certeza que a pessoa gosta de si, mas não seja psicopata. Se não funcionar em três meses, tente mais seis com um psicólogo.

Quando voltar a acreditar na não-cagadinha, você está a um passo do amor.

terça-feira, setembro 22, 2009

Comum

Todo mundo faz ->
- Eaí, que vai fazer hoje?
- Tô pensando em ir no xx
- Hmm.. vou lá também. Quer carona?
- Ah.. não.. acho que vou caminhando.. gosto de olhar.. hã.. os postes na rua..
- Certo o.O

sexta-feira, setembro 18, 2009

Besteira demais

Não gosto quando faço besteira demais. Parece meio ridícula essa frase, mas acho tão necessário expressar ela pra mim. "Besteira demais".

Dá um caráter quase de confessionário: "perdoe Deus, pois pequei. Bati umazinha em casa, depois fiquei de pau duro quando minha prima assistia ao rei leão comigo". (isso foi aos 14)

quinta-feira, setembro 17, 2009

Astronauta

Nunca entendi esse teto de ser astronauta. Nunca quis, nem quando colecionava aquelas figurinhas do espaço que vinham no chocolate. Um astronauta leva uma vida muito chata.

Queria ser cobrador de ônibus, o que, na minha cabeça, significava poder ler quase todo o tempo.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Da tua mão

Hoje queria tanto, precisava tanto, segurar tua mão na minha. Sentir um carinho gostoso no cabelo, deitar no teu colo e me embalar contigo falando da tua rotina. Ia sentir aquele cheiro doce do teu perfume misturado com a tua pele.
Nessa noite de sol quente, ia olhar pra lua acariciando teu rosto, com esse teu sorriso bonito e constrangido.

Tua mão de dedos finos, unhas pintadas (verde?), pele branca e veias tão azuis. Ia se acomodar tão bem, como se não fosse minha cabeça, só meu cabelo, ali, pronto, mexido. E ela ia me dizer tudo o que tu não dissesse. Não só da tensão na tua casa, da indignação com teu amigo, do teu ciúme, mas do teu amor. Da tua dúvida, se aquilo é verdadeiro, se é possível perdoar.

O peso da tua mão

O trem passou e continuei. Queria seguir ela, não, ela desceu e continuei.
Começou a chover forte. Então desci, caminhei um pouco pela estação são pedro, sentei num banco. O vento começou a me molhar, junto de um cheiro agradabilíssimo, lembrando a grama recém cortada pelo vô na praia.

O vô insistia em manter as pedras do jardim sem grama, sem limo, sem nada. Limpas num bonito xadrez verde e preto. Que nem eu, anos depois, ia limpar. Criar denovo aquela época do céu azul com grama verde, das flores plantadas no jardim dos fundos, do maracujá com gosto ruim florescendo, da bola caindo no vizinho, da família entrando na água salgada e fria. Cuidando da criança, não indo fundo, montando castelinhos de areia, correndo de um lado pra outro numa imaginação fértil de faroeste.

Quando a família se separasse, quando o pai batesse, quando a água afogasse, ia restar essa lembrança bonita e boa de algo que nunca mais existiu e que o medo ensinou a nunca mais deixar existir.

Éramos tão juntos. Sabe qual foi o peso daquele tapa?
Hoje sento num banco e fico encharcado. Tu não entende por que faço esse "tipo de coisa". Eu até hoje não entendo o peso daquele tapa, que ainda me dói. Qual é o peso?

quarta-feira, setembro 09, 2009

Sonambulismo

Não era "vez em quando", era desses de "sempre".
Absurdo, neurótico, carismático.

Quê?! Mesmo absurdo, continuava lá.

Voltava com dor de cabeça. De tanto bater no vidro do ônibus?

Chovia. Na cabeça dele? Era apenas um reflexo no vidro do ônibus. Não, era ele mesmo. Com respingos, molhado. Tomou banho de chuva. Não, o vidro.

Sexo, sexo, sexo.
Trabalho, atrapalho.
Sono. Sonho. Ônibus.

E a espaçaneve? Espacoçanve? Espaçonave.
Espaçogirl. Espaçogiro. Espaçogente.

É, cansado dessa espaçogente, acho que era isso. Com seus espaçoassuntos e espaçopensamentos. Espaçoautocondicionamentos. Espaçobandas. Espaçolugares. Espaçoemos. Espaçocafés. Espaçocomida. Espaguete. Espasmo, com o que? Com a loucura. Espaçoloucura.

Cacete. 6 horas de sono. 12 de trabalho. 4 de. De que?
Nem se dava mais conta que a falta de conta fazia falta em duas horas.

Lazer, pura diversão. Gastar o dinheiro do trabalho. Lança-perfume, crack, cocaína, maconha, peiote, cogumelo, lsd, álcool. Tylenol. Astro. Ritalina. Anti-depressivo, anti-convulsivo, anti-gente, anti-droga, anti-novas-regras-ortográficas.

Cansado de se cansar, pelo menos acha graça.

domingo, setembro 06, 2009

#

Teu corpo rescendia a vinho, te sentia já do saguão.
- Sua louca.
Viciada é a palavra certa. Queria que fosse vinho, assim qualquer um podia te comprar num buteco de esquina. Mas tu viciou no meu corpo, grudou que nem uma sangue-suga, vem sempre me secando aos poucos.
Às vezes tenho vontade de te matar; quando tu pede pra apertar assim forte, falta tão pouco pra sufocar, querida, que não dá vontade de largar. Já pensei, é, no que fazer com teu corpo. Dividir-te-ia em pedacinhos, com o auxílio de uma furadeira. Ia te embrulhar em pequenos sacos plásticos, desses do Zaffari, que a gente usa pra trazer o sabão em pó e o leite pra casa. Talvez com mais alguma coisa dentro, assim afundava e ficava no fundo quando te atirasse no rio.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Crônica

Olha que bonito isso que meu pai escreveu para a escola da minha irmã pequena:

A vida desativou meu tempo


As ruas eram nossas linhas telefônicas. Tudo era mais pessoal e direto no meu tempo. A gente ia a pé pra escola, voltava, almoçava, fazia os temas e ia pra rua. Nossa zona era muito legal. O que chamo zona era o triângulo formado pelas ruas Benjamin Constant, 16 de julho e Zamenhoff. No corner superior ficava a nossa pracinha. Não tinha nada lá, nem bancos, nem balanços, nem goleiras. Só um pouco de capim nos cantos. Era ótimo, porque não era nada e podia ser tudo. Um dia virava um lugar para jogar taco, outro dia, bolinha de gude, ou futebol. Era também lugar pra festas. No dia de São João, tinha fogueira que nós mesmos montávamos, tinha pinhão, pipoca e quentão. Tudo grátis, porque como não tínhamos telefone, passávamos de casa em casa pedindo contribuição pra festa, que podia ser em dinheiro ou em milho, pinhão, etc. Ninguém tinha cara de dizer que não. Sincronizávamos as informações diariamente, na hora da pracinha, depois dos temas, ou seja, das 15h30 até as 18h30. É isso mesmo, tínhamos no mínimo 3 horas de brinquedo por dia!. Dá pra acreditar? E não tinha nada disso de recreacionista. Nos aniversários, nós mesmos decidíamos do que brincar.

E não dava briga? De vez em quando dava, mas nós mesmos é que tínhamos de segurar a barra. Ninguém tinha coragem de chamar a mãe e ser chamado de manteiga derretida. Uma vez meu irmão brigou com o Paulo por causa de uma falta no jogo de futebol. Ele levou um soco que doeu em mim. Mas a regra era não se meter, respeitar a briga. A não ser, claro, quando alguém ficava maluco, como aconteceu com o irmão do Bichoclau (apelido do Cláudio). Ele apanhou numa briga e ficou tão furioso que voltou em casa pra pegar um facão. Bom, aí foi preciso uma ação coletiva pra tirar aquilo dele e levá-lo pra se acalmar em casa. Era assim a zona. Também ninguém se metia nas nossas ruas. Aqueles tempos eram muito tranqüilos, dava pra caminhar na Dom Pedro II de madrugada. Eu fazia isso com 14 anos. Hoje, nem pensar.

Dinheiro só virou uma coisa importante pra mim depois dos 12 anos, quando comprei minha primeira calça Lee. A gente quase não precisava de dinheiro pra brincar. Brinquedos comprados nós só ganhávamos no natal e no aniversário. O legar era fazermos os próprios brinquedos: pandorga, carrinho de lomba, forte apache, funda, taco, mesa de botão, espada, casa na árvore, coleção de tampinha, etc. Lembro que teve um ano em que todos pediram autorama de natal. Depois juntamos todos os autoramas numa só pista, na casa do Xande, aquele cara que agora toca num bar chamado Sergeant Pepper’s. Até cinema a gente tinha de graça. O padre da Igreja Sagrado Coração de Jesus passava filmes na Rua do Beco (Travessa Engenheiro Alfredo Mayer Waldeck), que ficava a duas quadras da nossa zona. A projeção era na rua e os filmes tinham sempre motivos religiosos, como Marisol, Marcelino Pão e Vinho e outros que não lembro. Da Igreja só lembro que fui reprovado no teste para o coral e que no dia da primeira comunhão a óstia grudou no céu da minha boca. Ah, lembro também das confissões, quando era pecado ter maus pensamentos.

É, naquele tempo, acho que grana só se tornou uma coisa importante quando comecei a ocupar cada vez mais meus pensamentos com garotas. Aí era importante usar coisas da moda, como calça Lee, que eram importadas e comprávamos de contrabando nos fundos de uma casa na Rua América, perto do Hospital Militar. Antes disso, uma parte das minhas roupas era feita pela minha mãe. Meu avô era alfaiate. Aprendeu o ofício em Aveiro, Portugal, de onde veio antes da Segunda Guerra Mundial. Trabalhou muitos anos nas Lojas Guaspari. Andava sempre elegante, de terno e gravata. Minha mãe aprendeu com ele a fazer camisas e calças. Meu pai era muito conservador naquele tempo, nos obrigava a cortar o cabelo estilo militar, o que complicava muito a aparência junto às garotas. Assim que esse poder afrouxou, lá pelos meus 13 ou 14 anos, eu e meu irmão viramos cabeludos, o que durou muitos anos.

Bom, eu tinha também uma madrinha naquele meu tempo, que de vez em quando me dava brinquedos caros, como a bicicleta em formato de moto, que meu primo Aguinaldo destruiu no próprio dia do aniversário. De vez em quando ela me dava dinheiro, minha avó também. Em geral eu usava pra comprar gibi. Mas uma vez eu percebi que tinha já um bom dinheirinho acumulado. Acho que era lá pelos meus 8 ou 9 anos. Tinha uma livraria na Benjamin Constant onde meus pais compravam material escolar. Eu tinha visto ali uma miniatura de DKV Vemag e passava dias pensando como seria bom brincar com aquele autinho. Até que tomei a decisão de comprar. Foi minha primeira grande compra. Mas o brinquedo durou apenas uns dois dias, logo quebrou uma das rodinhas. Quando meu pai viu que eu tinha usado meu próprio dinheiro sem pedir licença, ficou furioso. Me obrigou a ir na loja devolver o brinquedo e pedir o dinheiro de volta. A dona da loja se recusou a devolver, porque o carrinho estava estragado. Me custaria uma vida entender o efeito do dinheiro sobre o desejo.

terça-feira, setembro 01, 2009