Cuidado quando for pra fronteira, não vai pegar a gripe.
Eu tive um tremor quando te encontrei naquele dia. Tão contente, usando nosso cachecol (teu agora), caminhando feliz na minha direção, com uma pontinha de ciúme da menina conversando comigo. Tinha o mesmo olhar desde a primeira vez que percebi que tu tava apaixonada.
Meu coração disparou, umas gotas de suor frio apareceram nas minhas mãos e na minha nuca, o resto do mundo ficou desfocado e só consegui me concentrar no teu rosto e no que tinha pensando em te dizer a noite inteira.
- Vamos pra lá, tenho um negócio pra te contar.
E teu rosto quase não demonstrou preocupação, de tão confiante. Quanto tempo, se é que houve um tempo, fazia que alguém não me olhava assim? Nem meus pais me olham mais dessa forma.
Depois começou a chover. Enquanto teu cabelo voava, grudando um pouco no teu rosto por causa das lágrimas. E tu não se esforçava pra tirar esse incômodo, só segurava minha mão, meio fraca, desestabilizada. Não pensei duas vezes na decisão que tinha tomado naquela hora, se pensasse, certamente ficaria.
Em casa ainda tem aquele cachecol vermelho com o teu cheiro. Eu sei que já vai sumir e daqui a pouco só vai restar aquele cheiro salgado lembrando o mar. Não devia passar tão rápido.