quarta-feira, abril 17, 2024

Atenção

Pensei em ler nossas conversas como se fossem um livro para ver o que encontraria. Perceberia meu padrão de comportamento ao longo de linhas e mais linhas? Veria a repetição infinita de eu te amos?

Era um hábito comum guardar cartas. Hoje ninguém mais as escreve, mas eu ainda tenho algumas guardadas. Memórias de amores e amigos. Nem eu, nem quem escreveu, é mais o mesmo, talvez a gente nem mais se fale. 

Mas a memória, ah.


Quantas pessoas nos amaram, trataram bem, mal, com indiferença ou absoluta devoção. Uma geração antes costumava guardar fotografias, grandes álbuns repletos de fotos de outras épocas.

O equivalente moderno são cartas do WhatsApp e fotos do Instagram. Vídeos do TikTok para quem é mais novo. Por isso o analógico guarda para além da nostalgia um valor de independência. Ser analógico na nossa coleção de memórias é, claro, um privilégio e também revolucionário.

É engraçado que tantas coisas do passado hoje tenham ganhado caráter revolucionário em certos contextos. Ter filho sendo uma mente com inclinações críticas é difícil e deixado para depois dos 35. Uma construção de anos que talvez nunca se edifique. Interessante essa palavra porque é justamente o que tenho sentido falta, construir é estreitar laços, erguer algo na terra dos vivos que dura no tempo.

Como se fixar em algo quando tudo parece tão interessante e atraente? São pesos, algo se ganha, algo se perde, numa eterna lista de prós e contras. Talvez seja a lua em gêmeos que me deixa assim. Tão bom poder culpar os astros.

domingo, abril 07, 2024

Oração é um pedido que se faz ao céu

Oração é um pedido que se faz ao céu


Onde vamos ou deixamos 

Quem deixamos

Soltar para voar não é um hino poligâmico

é realidade concreta


o muro que nos contém

pede para extravasar

lágrimas, secreções várias


Somos areia no deserto

a força constante, bruta

o pulsar insistente da

vida

 

Ela mesma que por si só

faz correr esse rio do tempo

Talvez não tenha nada mais 

lindo que dois rios coincidirem

três, quatro, oceanos imensos

daqueles que a gente não vê a outra

margem

 

A margem que nos limita e aprisiona

essa é a oração do espaço

 

 

Não tenho muito o hábito da poesia, mas é uma linguagem bonita e quem sabe ajude a tornar a minha e a sua vida mais bonitas também