quinta-feira, dezembro 25, 2008

Natal

Minha irmã.

Natal é a manifestação da Karma. Se comportou durante o ano? Karma.
Agora imagine que não é só no natal. Mas o tempo todo.
Deixou alguém magoado? Se fudeu. Heheh.
Feliz natal.

terça-feira, dezembro 23, 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

Travessa dos Venezianos, 631

Lú,

tem um papel junto com os meus pertences listados e o destino de cada um. Não esquece de mandar flores para minha mãe no natal, tu sabe que ela adora. Bom resto de vida para ti.

Adorava sentir teu líquido escorrendo pelas minhas pernas durante o resto da tarde. Era assim que sentia tua falta; precisava de ti para me encher, gozar dentro de mim. Quando tu viajava ficava louca, me coçava, estava sempre de mau humor, não conversava com mais ninguém.
Até que ele veio.
Era uma sensação quase de alívio algumas vezes. Não sentia mais a mesma compulsão, não precisava tanto de ti enchendo o meu vazio. Eu e ele cresciamos dia após dia e sentia que tu fazia parte do processo. Vocês dois dentro de mim, me preenchendo, me enchendo de vontade de viver.
Lembro quando reparou na primeira marca dele. Nunca te enxerguei tão furioso. Não contei antes por que tive vergonha; um sentimento tão bobo e algo tão grande. Mas não seria diferente se tivesse descoberto antes, seria ainda pior. Não ia ter passado tanto tempo.. Tua decisão foi rápida e sem consultas.

Depois daquele dia me senti sem alma. Por mais que tu gozasse dentro de mim, jamais ia preencher meu vazio denovo. Então tentei de tudo, é. Perdi a conta. Fugi de ti como louca. Mandei te baterem. Tomei de tudo, até aquela droga do amigo do nosso amigo. Mas o gozo de todos continuava saindo frio e estéril de mim.

Hoje faz um ano. Voltava para casa quando um homem gritou para mim de dentro de um carro: "Vocês nunca vão se amar denovo". Nem pensei em ti. Só no filho que tu mandou matar junto comigo.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Acosta

Vamos deixá-las para evitar sofrimento.

Sofrimento. Viver é sofrer, morrer é sofrer. A vida já estava bem complicada antes de você aparecer. Estava? A vida? Aquela empresa de dois cômodos que funciona em cima de uma danceteria? E daí me aparece alguém mais complicado ainda. E seguindo a onda de complicar, quis descomplicar.

Vamos lá comer com nossos sócios chamados amigos. Nos empanturrar de carne, comer um boi inteiro. Um boi que não teve chance de caminhar, enxergar a luz, namorar. E agora está ali na ponta do garfo. Agora na minha barriga. Continuamos a comer. E beber. E fumar, maconha, claro. Estamos aqui, financiando o assassinato de bois com a carne e de pessoas com a maconha. E para não pensarmos muito nisso, beberemos em excesso. Bateremos nossos carros. Nos mataremos. Genocídio seguido de suicídio.

Renasceremos. Como um boi, uma barata, um gato, uma árvore, um mosquito. Quem sabe daqui uns mil anos renasceremos como humanos novamente. Outra oportunidade para desperdiçarmos que nem temos feito até agora. Muito bem.
Siga em frente, caminhoneiro. Ou pare agora mesmo.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Meninos e Anjos

É verdade que perdemos a inocência quando crescemos. Mas se a perdemos, é só para conquistá-la novamente. Voltar à inocência não é ser ingênuo, fácil de iludir. É voltar com tudo aquilo que passamos, ou seja, fortes, determinados e atentos. Não há nada ingênuo. Na realidade, quando voltamos a esse estado, somos mais inocentes do que nossas crianças. A verdade é crua e está ali. E por saber o que somos e o que os outros são, não há ilusão. Não há sequer a idéia de ilusão.
Certa vez Aristótoles disse: "Se eu ganhei ao menos uma coisa por causa da filosofia, foi isto: faço o que faço por quê quero fazer, enquanto outros fazem apenas por medo da lei". Adiquirimos isso quando crescemos, o medo da lei. Seja a lei dos costumes, dos pais, do governo, há algo que nos restringe os movimentos e nos leva em outras direções. Com a frase do nosso filósofo grego não quero dizer que todas as leis estão certas. Apenas que existem algumas que nunca paramos para refletir o quão benéficos são para todos e que sem eles o convívio se tornaria extremamente penoso.
Seres que voltaram à inocência são como nós. Cumprem as leis, fazem sua parte. Mas do seu modo e por quê querem fazer aquilo.

domingo, novembro 30, 2008

Amigo

- E tu esperava que ela quisesse continuar saindo contigo depois de tudo que tu fez?
- Não fui só eu
- Ah, pára. Tu teve a oportunidade de fazer as coisas darem certo e jogou no lixo.
- Poxa tchê. Tu é meu amigo ou dela?
- Desculpa. Só queria te acordar. Tu tá sendo ridículo exigindo dela uma coisa que tu não quer.
E assim voltei pra casa atordoado na mais bela manhã dos últimos tempos.

Febre

Na mesma noite em que virei homossexual, descobri que era amante do Queen, a banda. Aqueles dentes cavalares do vocalista me impressionam deveras, mas a música deles é o principal. Ela contém uma mágica homo; se tivessem que eleger uma banda para compôr a trilha de um filme sobre homossexualismo, seria essa. Claro que deveriam eleger mais de uma banda, acho que o nosso universo é tão grande, muito maior do que o hetero, que é impossível exprimir todos os sabores com apenas uma. Mas a questão é que Queen é top 1.
Um trechinho:
"So you think
You can stop me and spit in my eye"
Qualquer homem que já levou uma na cara sabe o que significa 'spit in my eye'.
Outro trecho da mesma música, para não acharem que estou exagerando:
"Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality"
Ele não sabe se AQUILO é real. Landslide = 1. desmoronamento, desabamento 2. vitória esmagadora. Né. Pensem o que quiserem puritanos.
"Open your eyes
Look up to the skies and see"
Olhe para cima... ele está embaixo. Embaixo do que exatamente? ...

Desde aquela noite tenho outra perspectiva da vida. É verdade aquela maxima "Todo homem é hetero até provar o fruto". Talvez não seja uma maxima e tenha inventado agora. Mas a maioria das pessoas já ouviu algo assim. E é.

Lembrando aos nossos leitores que todos os textos aqui são autobiográficos, verdadeiros e não contém forma alguma de ironia. São os fatos e os fatos não mentem.

sábado, novembro 29, 2008

Ainda sobre ontem

Vai na festa, bebe. Diz que não. Bebe. Diz que não. Bebe. Diz que agora não. Bebe. Diz que depois. Bebe. Diz ai. Bebe. Bebe, bebe, bebe, bebe, sua alcoólatra prostituta.
Te ligo às 2, 3, 4, 5, 6 da manhã. Ligo pra tua casa e tua mãe me atende. Saiu com as amigas.
Ha-ha.
Hoje eu bebi. Não o suficiente pra trocar os passos, mas o bastante pra dar risada.

E bebi o bastante para chorar enquanto assisto casais se beijando nos campos de trigo. A primavera traz o calor e faz vocês sairem de casa. Passear no campo. Enquanto a noite corre veloz, os nossos sentimentos se desfazem como um castelo de cartas. Veloz dentro do carro dele, que dirige até a casa, até a cama, até os teus orgasmos. É com outro. Com outro que tu terás os nossos filhos, a nossa casa e os nossos planos.
Queria fechar os olhos e acordar em outro mundo.

ÓDIO

ÓDIO É UM SENTIMENTO, NÃO UMA VERDADE.

Eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio, cacete, te odeio muito pra caralho. Queria escrever palavras que fizessem verter sangue da porra dessa tela, que espirrasse na minha cara enquanto eu golpeasse a merda do teclado e cada tecla fosse uma paulada no teu coração de merda que se decidiu por seguir aquele bosta que tanto odeio, porra!
Fui fiel como uma navalha passando pela artéria de um suícida, meu pau não subiu sequer em sonho por tua causa, dispensei mais de trinta mulheres em uma semana, e tu pede o que? O que tu quer mais de mim? Um dia se fosse fazer um último ato antes de morrer, arrancava meu coração com as mãos e entregava pra ti ainda batendo e banhado em sangue pra que tu sentisse a minha vida se esvaindo na porra das tuas mãos de velha.
Velha, velha, velha, velha!
POR QUÊ, eu me pergunto. Mataria ele com certeza, mas antes faria ele cuspir cada palavra de amor que já te disse pra fora, ia fazer elas virarem uma poça de sangue no chão, ia mergulhar as feridas dele, ia queimar ele vivo.

E no dia seguinte me liga e pede que eu compareça na tua casa, como se fosse um disk sexo ou algo do gênero. Depois de passar a noite trepando com ele, teu corpo ninfomaníaco ainda quer mais, quer uma última dança com a tua foda fixa. POIS VÁ À MERDA.
Me cansei de ser teu capacho. De te encontrar e ficar evitando que as pessoas nos olhem juntos, de não te beijar em público, de não ser ser ser SER alguma coisa mais.

Hoje à noite

Espero que hoje tu estejas transando, não, trepando, com ele. Assim a faca vai até o fundo e quando ela chega lá, não tem mais dor. Só alívio. Meu coração apunhalado cravado na tua parede vermelha como um troféu. Troféu daqueles sentimentos que se matou e não voltam mais, como se fosse a cabeça de um alce atingido. Alívio! Alívio por não guardar mais aquilo que foi e não esperar tudo aquilo que não foi. Alívio! Por não esperar impaciente em casa enquanto tu passeias com as tuas amigas. Por não sentir ciúme de algo que tu nem consideras algo. Por não sentir o que tu não sentes. E, quando amanhã tu confirmares, vou me prostar no chão e chorar até abrir buraco na terra.
Mas a partir de então, não tem mais ligações e nem encontros casuais. Não tem mais culpa. Chega.

sexta-feira, novembro 28, 2008

No vale encantado

Vamos voltar a nossa falsa segurança, aos nossos reinos de fantasia e heróis.
Hoje minhas mãos tremem, não saio de casa sem olhar para os lados, nutro sentimentos de ódio e estou só.
É.

...

quarta-feira, novembro 26, 2008

Eu queria que a vida fosse fácil como pintar paredes, que as decisões corressem rápidas como pintar calçadas. Os vizinhos chamariam a polícia e nós sairiamos correndo que nem loucos, talvez fazendo barulho de loucos, para brincar nos balanços de pneu do parcão.
Uma vez quebrei o brinquedo do meu melhor amigo, deixei um relacionamento sem dar explicações, fui ao psicólogo e sai assustado, bati no meu filho, tentei pular pela janela, ... E às vezes, quando fecho os olhos, tudo que consigo lembrar são esses momentos. Que não fui uma boa pessoa.
Me sinto completamente responsável por todos àqueles ao meu redor. E me sinto muito mal quando não atendo as expectativas e sou diferente; não ligo, não falo, não penso, não sinto.
Isso não é um pedido desculpas. Não que não sinta vontade de me ajoelhar na frente de todos e pedir as maiores desculpas com lágrimas escorrendo pelo rosto; mas este texto não é uma desculpa. É uma constatação. Por mais que me esforce em ser uma boa pessoa com todos, não é possível. Enquanto eu ainda for apegado e ignorante, qualquer um que se relacionar comigo vai se magoar.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Caixinha de Tesouros

Tenho uma caixinha de tesouros escondida no meu coração. Já falei dela, mas faz anos. Agora ela está bem cheia. Pesa no coração toda vez que preciso medir um relacionamento. Todos aqueles momentos lindos, que pareciam um filme de tão especiais, olhando pra ti com um pedido de mais uma vez. DÓI pra caralho dizer não pra eles.

Que fazer?

Que fazer? Já perguntava Lênin.

Mudei o layout do blog, mas vai ser temporário. Agora se você clicar nos autores ali no menu direito, recebe só os textos do selecionado. Só que é complicado, preciso marcar o texto, então às vezes não vão estar marcados.

domingo, novembro 23, 2008

- Vocês ao menos usaram camisinha?
- Tu tá me irritando com esse tipo de pergunta.
- É que um dia eu queria ter um filho contigo, daí sabe como é.. não quero que tu tenha doenças.
Sinal de ocupado. Desligou na minha cara novamente.
Cansaço é a palavra-chave. Devia agradecer?

Outro dia.
- Eaí.
- Eaí, tudo bem?
- Tudo. E contigo?
- Tudo ótimo.
(pausa)
- Olha só, não quer vir dormir aqui?
- Quero, muito. Muito mesmo.
- Tá, então me liga quando tiver aqui embaixo.
(despedida)
5 minutos depois:
- Eaí
- Ué, tá tudo bem?
- É que não sei se é uma boa tu vir
- Por quê?
- Ah, por quê amanhã às 7 vou levar minha irmã para fazer ginástica na redenção.
- Mas ela dormiu mesmo com todo o barulho de vocês aí?
- Sim sim.. foi dormir cedo.
- E tu tá indo dormir às 5.
- É, mas vou acordar cedo pra acompanhar ela.
- Ah, tá. Então tá.
- Que foi? Ficou brabo?
- Eu? Não, imagina.
- Sério.
- Não, tá tudo bem.
- Tá. Então tá, beijo, tchau.
- Beijo, tchau.
Está bem. A bebida está me levando para todos os lados da cadeira. E da vida. Eu não pareço ligar? Ah bem. Eu. L-i-g-a-r.

Diálogo real:
- Oi.
- Oi. Olha só, aparece aqui pra gente trepar.
- Tá bem.
(5 minutos depois)
- Oi.
- Oi, olha só, não vai dar, arrumei outra transa aqui e tu fica pra amanhã, pode ser? Tipo, sei que tô te fazendo de trouxa e tal, mas não tem problema, né?
- Claro que não. Amanhã a gente se encontra. Te adoro. Beijo, dorme bem! Bom sexo!
- Obrigada, beijinho.

Oi. Isso é exagero, mas vamos combinar que não nasci ontem. E que às 7 horas da manhã, ainda estou acordado escrevendo essa merda.

sábado, novembro 22, 2008

Amores Perdidos

Tentei atuar em outros departamentos já. Mas a minha especialidade é amores perdidos. É triste enxergar os clientes chegando depois das quatro da manhã para bater na minha porta de vidro, pedindo ajuda. Eu e meu ventilador barato girando em torno da vida deles que é cuspida na minha frente.
Se a maioria ao menos se interessasse em fazer algo, seria ótimo. Mas apenas querem um ouvido para contarem seus problemas amorosos. Como ele/ela os deixou sozinhos, frustou, traiu, morreu. Alguém que me lê pela primeira vez pode dizer: morreu? Se morreu, por quê vai ao detetive procurar? Querido. A morte não é o fim, temos meios de procurar aquele alguém especial, apenas não garanto que será um ser humano. É bom você se lembrar disso da próxima vez que matar uma barata, pode ser o seu grande amor da vida passada. Ou um qualquer, como eu.

A vida me deu vários dons, alguns desperdicei com bobagem e me arrependo profundamente. É o karma. Tive muita gente acreditando nas minhas palavras, confiando em mim, e desperdicei isso por essa ou àquela emoção. Seria bom voltar aos tempos de criança / pré-adolescente e consertar todas as cagadas que fiz, mas não é possível. Não é possível sequer voltar ao dia de ontem, quando perdi mais um caso. Enquanto não consigo lidar com essa variedade de coisas, sigo queimando casos de amor como se fossem palitos de fósforo. Algumas vezes os palitos caem no feno e iniciam um grande incêndio, mas o comum é cairem no lodo e se consumirem rapidamente. É assim que funciona com um detetive de casos amorosos.. perdidos.

Ontem à noite ele bateu na minha porta denovo. Fazia tempo que recusava seu caso, mas como insistiu (sabe que sou o melhor na área), acabei abrindo uma exceção. Ouvimos Neil Young até chorarmos todas as nossas mágoas, fizemos muitas ligações e comemos polenta com queijo servida na esquina do escritório.
À certa altura me perguntou: E todos aqueles casos que não podem mais se realizar? O que eles são? Bom. São casos de amores perdidos também. Aqueles que nunca se concretizam. Aquele garoto que fazia sushi tão bem e sempre lhe convidou para ir na casa dele, mas você estava namorando. Aquele outro que tocava baixo tão bem e sempre lhe convidou para tocarem juntos, mas você estava namorando. Ou aquela garota que fez você prometer que iria assistir ao filme e nunca assistiram. Ah, porquê você estava namorando. E todos esses casos que a nossa tão estimada mogonomia impede que tenhamos? São casos de amores perdidos. Mas quando o desejo é forte, ele espera. Espera, espera e espera. Um dia tudo acaba, mesmo os melhores relacionamentos. E aí os amores que pareciam tão perdidos voltam.

Parece brincadeira, mas tenho uma compilação de casos assim em casa. Todos os meus amores têm uma página dedicada no meu bloco (esse bloco é lindo, uma cópia idêntica ao que Hemingway usava), onde anoto tudo que é interessante. Às vezes algumas características muito chamativas, como o peito batendo palmas, mas a maior parte se trata dos amores perdidos. Aquele dia, 16 de janeiro do ano tal, está lá. 4 de abril, lá. 21 de fevereiro do outro ano, lá. O garoto do colégio, de santa maria, do sushi, o ex, o do baixo, da bateria, ... todos ali listados. É engraçado que.. depois de anos trabalhando com isso, sinto o cheiro do desejo. Então há graduações de desejo, um método infalível. Mas não vem ao caso hoje.
Sou monogâmico. Completamente. Me dedico à pessoa. Mesmo quando sei que ela está fazendo as maiores burrices da vida dela e estragando completamente o nosso relacionamento, cá estou firme e fiel. É natural. Nunca acreditam em mim. Demoram para entender que não minto. Está bem, eu faço PIADAS. E escrevo FICÇÕES. São os momentos que escrevo ou digo coisas que não condizem com a realidade. POSSUEM MUITAS VEZES ELEMENTOS DELA. Mas não são reais. Eu só queria que entendessem..

Estou divergindo da nossa apresentação, desculpem. Acabo me empolgando com os meus casos perdidos e já que vocês são audiência cativa, estou aqui ocupando suas telas. Onde estava? Ah! Sim. Amores perdidos que voltam ao término do relacionamento, na maioria das vezes são como a bebida que volta pelo esôfago e é regurgitada em cima da mesa de café da manhã. Ou seja, servem para você se livrar dos embalos da última noite e estragar sua próxima refeição.
Dizem que apenas depois de três meses você está pronto para encarar denovo outras pessoas. Acredito que isso se trata de uma grande mentira. Você NUNCA está pronto para encarar outros relacionamentos, eles simplesmente aparecem do nada quando tiver que ser e cabe a você aproveitar ou não. Deixar pronto ou não.

Meu cliente foi comprar outra garrafa de úisque naquele bar da esquina que nos vendeu polenta. Já não agüento mais beber. Faremos o seguinte: deixarei este programa aberto. E meu cliente vai acabar o meu texto, por quê já não tenho condições.

...

quinta-feira, novembro 20, 2008

Meus amores passados (com carinho)

Quando a noite está cheia daquele cheiro de saudade, lembro de ti. Dos cartazes que queríamos colar pelas paredes da cidade, dos filmes que não assistimos juntos, dos filhos que não tivemos, dos velhos que não nos tornamos, do Romeu e Julieta que não fomos.
Não tem como esquecer o que se passou, o que se planejou, o que se foi.
Não tem como não listar tudo aquilo que lembro agora e não tenho como listar.
Hoje tu faz biologia, design, ... artes. É casada, tem um filho, trabalha todos os dias de manhã e ganha 5 mil por mês. Aposto que quando tu faz sexo teus peitos ainda batem palmas, que tua fruta preferida ainda é manga, que ainda sei muitos segredos que vão ser sempre nossos.
E eu? Meus dedos do pé direito ainda são daquele jeito e me doem de vez em quando, agora meu chá favorito não é mais funcho e tenho freqüentado um centro zen budista.

Mas na verdade os segredos nunca sairam do nosso relacionamento. Depois que acabamos, mudamos, deixamos de fazer pum com as mãos e comer manga. Passamos a comer melancia e bater palmas. Como um dia alguém falou que nunca cruzamos o mesmo rio duas vezes. Aquela vez, aquele relacionamento, foi único e sempre será.
...

Fiquei com aquele riso bobo no rosto enquanto esperava a sua resposta. Mas você levou a sério e me disse tchau, seca. Disse aos marujos para se prepararem para partir, enquanto isso lhe observava de longe, vestida com seu vestido cheio de babados, esbarrando nos homens sujos do cais. Seu guarda-chuva seguia à frente, como que testando o caminho nos paralelepípedos irregulares que lhe conduziam até a cidade.
Os contornos da cidade não estavam bem delimitados, era uma manhã fria cheia de névoa, mas já era possível observar os traços da cúpula da igreja onde casamos. Era uma manhã como essa quando fizemos nossos votos, com a diferença de que não tinhamos sua irmã a conspirar nos seus ouvidos.. ah! Se pudesse pôr as mãos naquela mulher. Você bem sabia que a viagem era necessária, como sua irmã, certamente com olhos invejosos na companhia de comércio, poderia ter presenciado eu nos bordéis de São Paulo? Tinha vontade de lhe dizer que para saber algo assim, só trabalhando no local, mas isso me renderia horas de discussão vã.
Ainda fez questão que levasse esse homem enjoado a bordo, de nome tão exótico... É marido de sua irmã, mas não parece fazer questão de honrar o bom nome. Quantas histórias não ouvi dela e dele saindo com outros, e para isso parece que você não presta atenção.

...

Hoje de noite

Hoje de noite fui assaltado por não sei quem. Um desses, igual a todos os outros.
Celular, dinheiro, pode ficar com os documentos. Não repara no meu nike schócs, na minha calça da adidas, no moleton da quick silver. Eu sei que tu tá vestindo e levando menos dinheiro do que eu levo só nas roupas, mas passa aí o que tem vai.
Celular modelo 2001? Não tinha nem fundo colorido nessa época, cara. Toma aqui um novo pra ti e já aproveita e pega um troco pra comprar um tênis novo, valeu?

domingo, novembro 16, 2008

Quando era criança, queria muito ser piloto de avião. Certa vez, quando íamos para Santa Catarina, minha tia me levou à cabine do piloto. Estava ele e o copiloto sentados, sorriram quando entrei. Tinha muitos botões por todos os lados, alavancas, pedais, rádios, mostradores, etc. muito bacana.
Nessa viagem conheci e morei com a nova esposa do meu pai. Eu odiava aquela mulher que me fazia de capacho, que não me deixava em paz e parecia vigiar cada um dos meus movimentos. Um dia não agüentei mais e comecei a berrar todos os impropérios que uma criança conhece até seus doze anos. Ela do lado de lá do sofá, próxima da janela. Eu do lado de cá, de costas para a porta. Não deixei ela falar em momento algum, só berrava e berrava, repetia o que já tinho dito para que não pudesse me responder.
Então recebi uma bofetada na cabeça, completamente inesperada. Olhei para trás, a porta estava aberta e o meu pai logo atrás de mim. Meu pai nunca tinha me batido, foi assustador. Corri até o banheiro, tranquei a porta e comecei a chorar sem parar. Talvez meu pai fosse a pessoa que eu mais gostava naquela época e receber assim uma bofetada me magoou muito.
Não quis mais ser piloto de avião depois disso. Voltei a querer outras coisas, mas não isso. Estar no avião era estar com as pessoas que eu gostava. E o que aconteceu foi como uma traição, quebrou o encanto que ele tinha comigo, fez que eu não quisesse mais dirigir o avião-família.

Depois cresci, passei a me relacionar com mulheres.
A primeira, meu deus, me traiu de todas as formas possíveis com as piores pessoas possíveis. Antes de falar mais sobre ela, vou falar outra coisa.
Eu fazia aulas de artes marciais com um mestre muito bacana, gostava dele. Uma vez fiz uma cagada grande com ele, mas sempre me esforcei em consertar isso. Aí levava muito a sério a opinião dele, seguia as instruções, era dedicado.
Voltando a falar dela.
Estudava junto dela, era o primeiro ano do segundo grau, a gente se encontrava todos os dias na aula. No começo da nossa relação, fiquei sabendo que ela tinha uma namorada. E quando começamos a namorar, o pescoço dela aparecia sempre roxo, a namorada dela era muito ciumenta. E eu também, mas como era o começo, deixava isso pra lá. Depois acabaram. Depois voltaram. E assim sucessivamente, criando grandes calos no meu coração. Por fim acabaram definitivamente. E foi minha vez de sentir muito ciúme. Uma vez estava esperando ela sair do banheiro e comecei a mexer no caderno dela. Achei um trecho escrito que ela tinha beijado o mestre de kung fu. Ótimo. No ano seguinte ela acabou comigo, estava com outro cara. Mas fazia tempo já. E era o primo dela, meu conhecido!
Bom. Depois tive outros relacionamentos, mas esse foi marcante.
Teve outro, que uma semana depois de eu acabar com a garota, ela já estava se deitando com outro.
E teve o último. Para explicar melhor, vou expôr minha lista:
- Meu colega
- O colega dela
- O atual prefeito de Porto Alegre
- A atual governadora do RS

Não gosto dessas quatro pessoas. Esse ano teve épocas em que pensei em matar eles, os dois primeiros principalmente. Agora já não penso assim, graças à meditação, à beleza do mundo e à bondade. Compreendo essas pessoas e são parte de mim. Me reconheço neles. Não quero dizer que somos iguais, apenas que reconheço motivações, por quês, frustrações que já senti muitas vezes.
A garota do último relacionamento adicionou o colega dela (o top 2) em seu msn no mesmo dia que acabamos. Três dias depois estava trepando na casa dele.

Consigo, de alguma forma obscura, arranjar mulheres com esse perfil. E isso é uma volta à bofetada do meu pai; é a traição da pessoa querida. Recrio a história milhares de vezes com mulheres, com amigos, com desconhecidos. Estou sempre procurando alguém que possa me bater com força quando estiver frágil.

sexta-feira, novembro 14, 2008

quinta-feira, novembro 13, 2008

Arando o Campo

A falta de um lar sempre foi uma constante, não tenho residência fixa e preciso me deslocar de casa em casa conforme me descobrem. É terrível, às vezes saio durante a madrugada correndo por quê soltam esses cães de guarda no jardim da casa; não é raro estar com as roupas esfarrapadas e ensangüentadas.
Gostava de me relacionar com mulheres, muitas vezes me era concedido um dia de permanência dentro de um ambiente bem cuidado, limpo e calmo. Ficava assim desprovido de preocupações por um dia ou dois, certas vezes até mais. Mas sempre era expulso de volta para "casa" por quê no fim ninguém agüentar viver o tempo todo do lado de outro alguém. Nem de si mesmos, na maioria das vezes. Conheci uma mulher que não possuia espelhos em casa, saia para se arrumar sempre no banheiro da quitanda da frente, dizia que os espelhos faziam ela pensar que existia mais alguém dentro de casa.
Tenho muitas histórias para contar, isso é algo que atrai público. Sempre consigo um almoço e uma janta, é gostoso. Esqueci de falar: não trabalho, não estudo, não tenho hobbies. Tudo que sei fazer é ler, escrever e pensar. E me sinto maravilhosamente bem assim. Mas a questão é que isso me gera o incoveniente de precisar arranjar alguém que me pague as refeições e conceda sua casa diariamente. Não que eu não durma embaixo de outros tetos que não são de casas, como pontes e marquises, mas convenhamos que não convém conquistar pessoas enquanto se está emporcalhado da rua.
Voltando a questão das mulheres: escrevi gostava. Não gosto mais. Não que tenha virado homossexual, antes pelo contrário. Aprendi que mulheres gostam muito mais do que os homens. E que eu, como homem, devo impedir que gostem de mim. É a melhor forma que tenho de tratar essa relação; como nunca vou gostar tanto de uma mulher como ela é de mim, melhor que ela sequer chegue a gostar de mim que assim estarei fazendo o melhor.
No fim, é uma relação altruísta.

terça-feira, novembro 11, 2008

Contos Machistas I

Não sou inteligente, mas há certas coisas que um homem nunca pode deixar de reparar numa mulher após um relacionamento:

1. Algo MUITO importante sempre está com você e é pretexto para um reencontro. Isso inclui desde pulseiras até amizade.
2. Mesmo que a casa dela fosse inspecionada por um grupo de arqueólogos, restaria algo não catalogado que é seu e vai lhe fazer falta.
3. Ela certamente ficará furiosa ao enxergar você lendo este conto.

Quando era jovem, costumava namorar. Cheguei a apresentar vinte pessoas diferentes para a família e para a alegria da vovó. Mas há aquelas que não assinaram a ata na entrada da casa da família, isso por quê nunca lá estiveram. Com essas é fundamental não deixar suas coisas.
Talvez tenha um compromisso dali quinze minutos, sua primeira entrevista de emprego, e não quer levar sua jaqueta devido ao calor e a impressão que passaria aos entrevistadores. Pense nisto:
- Quanto custou a jaqueta
- Quanto você irá ganhar
Feito o cálculo, é simples. Não vá na entrevista!

Quais são os elogios verdadeiros? "Tua forma é tão perfeita que me sinto diante de Deus", "Teus olhos são como duas pedras de jade que brilham no fundo do oceano", "Você cortou o cabelo por quê lhe pediram para o filme da Rapunzel" ... esses são ditos verdadeiros, você "criou" eles fazendo uma alegoria de uma característica da pessoa; a forma, os olhos, o cabelo. Claro que não são os melhores elogios, qualquer mulher riria da sua cara ao ouvir isso (mas fale mesmo assim, além de elogiar vai passar por um cara divertido). Agora, NUNCA diga que uma mulher é: "linda", "bonita", "inteligente" (em ordem decrescente de importância). Quando você diz "linda, te amo", a mulher pensa em todas as outras namoradas que já ouviram isso e fica furiosa. Por mais que seja verdadeiro. Por mais que você NUNCA chame alguém de linda. É um desses clichês fantásticos que os pedreiros utilizam e caiu no imaginário feminino. Todo homem que usa esse tipo de adjetivo deve ser como os pedreiros, um porco, cachorro, cafajeste, bêbado que bate na mulher.

Senhor, paciência. Somos meros mortais diante de víboras maquiavélicas, é preciso expressar-se, é preciso falar aos meus semelhantes os perigos que seres do sexo feminino e dos outros sexos que jogam no mesmo time representam para nós!

segunda-feira, novembro 10, 2008

S.

Tudo que tenho é um pedaço do teu cabelo e a lembrança de que seríamos felizes.

sábado, novembro 08, 2008

Queria escrever até meus dedos verterem sangue, um sangue escuro e viscoso que iria verter pelo teclado e pingar no chão. Meu gato viria com os olhos inchados e miaria e começaria a limpar o sangue enquanto ainda martelasse o teclado.
Né. Inspirações terríveis! Heheh

sexta-feira, novembro 07, 2008

Rá!

RÁ! Se tu soubesse, ah! Se tu soubesse!
Se tu sequer DESCONFIASSE.
Não. Tu não tens idéia do que existe aqui!
Livre! Livre! Livre!

FreeCell

Não odeia quando o jogo diz que você perdeu?
Fico tentando encontrar uma última chance.

Amor

Como seria bom amar em paz. Deixar de elaborar histórias, aproveitar o tempo que temos juntos.
É engraçado. Tocam a campainha de casa e penso que é você. Me chamam na rua e é a sua voz que escuto.
Talvez a gente faça bobagem a noite toda e nunca consiga acordar para o compromisso no outro dia. Mas quanto tempo faz que o tempo não passa assim tão rápido, tão leve e tão inocente?

segunda-feira, novembro 03, 2008

Amar é um Jeito Próprio de Sentir

"O amor é um sentimento
feliz
que fica no coração
por toda a vida.

O amor vem devagar
e, no entanto, é de repente
que a gente o sente chegar.
Já não estamos mais sozinhos
e em nós já não há
tristeza nenhuma."

Joan Walsh Anglund

Acho que nunca coloquei citações aqui.
Hoje é um dia especial.
Sinto que estou só, triste por enquanto. Mas quero me encher de luz como no dia dos pássaros ao nascer do sol.
A vida é bela e temos que amar.
Amadurecer talvez seja amar apesar de nos machucarem. Saber amar a rosa é saber que ela também é espinho.

Há momentos em que sinto muita raiva das pessoas. Que, talvez, se estivessem na minha frente, eu lhes faria muito mal. Mas depois que a raiva passa e depois que acabo de chorar durante horas, uma compreensão gratificante surge em mim.
Sei que ainda não desejo de todo coração o que vou dizer, mas quem sabe um dia: Quero aprender a amar todas as criaturas.

domingo, novembro 02, 2008

Vazio

Nas horas mágicas enchemos o pulmão de ar e temos alegria de estarmos vivos. Quando você estiver voltando para casa e sentir que podia apenas seguir adiante, talvez entenda o vazio.
O vazio infinito.
Não posso fazer nada para amenizar, não posso enganar, ele volta sempre e sempre. O pesado leve vazio de existir; ainda se pudesse responder através de frases: é ser feliz - é aprender sempre - é cultivar a si mesmo... todas carecem de sentido ao pararem na frente do grande e imenso vazio que impera dentro de mim.
Mas ao olhar o nascer do sol, ouvindo o canto dos pássaros em júbilo, caminhando sozinho e dialogando com o vazio, de repente a vida se enche de ar denovo, se renova e o vazio é completamente cheio de alegria e felicidade.

Estou beirando ao brega, sei disso.
Não sei explicar o vazio. Acho que é indescritível, talvez por isso que não aceita que lhe taxem respostas prontas. Descobrir que o vazio pode se tornar um calor, uma fonte de alegria, é extraordinário.

sábado, novembro 01, 2008

A vida é transbordante de alegria e felicidade; basta querer.
Tu! Tu que trabalhas todo dia, que tens que dar de comer para vinte crianças, agüentar o marido te esbofetear quando chega em casa bêbado e todas as mazelas que puder te infligir e pensar para ti mesma; aceita meu carinho, tudo que tu precisas é de um abraço pra mudar de vida. Dentre as oito bilhões de pessoas no mundo, nunca alguém foi capaz de te destinar o menor gesto de afeição e esse abraço que te dou vale o mundo inteiro.

Um Dia de Querer

Quando a noite acabar e não houver mais barril em que se apoiar, vou estar aqui. E se tu precisar de carinho, abraço, consolo e colo, pode contar comigo. Mesmo que a gente não se fale mais, mesmo que um mude de país, vai ter um dia de querer.
O saxofone sempre vai chorar por nós naquele cd de jazz árabe. E no meio da noite, entre colunas de uma mesquita em Istambul, vou te ligar pra dizer que sinto tua falta, que deveríamos voltar no tempo, fazer tudo denovo bem do começo.
Talvez a gente não se entenda mais, fale outra língua e tenha esquecido o português, tenha vinte filhos, três carros, uma mansão de quadra inteira ou talvez a gente não tenha nada, estejamos na rua passando fome, pensando no que poderíamos ter feito. Então, quando tu receber a minha ligação, vai dizer adeus aos vinte filhos ou ao cachorro da rua teu companheiro e vamos seguir juntos rumo a cidade do sol.
E uma era completamente nova e inesperada e inebriante vai nos encher de vida e vamos nos sentir fortes e invencíveis mais uma vez; então vamos ter nossos oitenta, cem, duzentos anos ou talvez mais prontos para enfrentar qualquer situação.
A morte vai vir bater na nossa porta e nos dizer que está na hora e o brilho de anos na cidade solar vai ofuscar até mesmo ela, que sem saber o que dizer vai ficar impressionada quando caminharmos na sua direção e dissermos que estamos prontos para ir ao outro mundo. Exatamente! Estaremos tão felizes e realizados que nem mesmo a morte será um impecilho para nós, caminharemos juntos para além do mundo e realizaremos coisas ainda maiores no que estiver por vir.
E assim será durante toda a eternidade.

sábado, outubro 25, 2008

Déscora

Tu descora minha alma desse jeito; o que tu quer dizer com isso? é sempre a mesma história; como se tu não soubesse. Estou farta já, tua ignorância me repugna, metida à esperta, e se for?
Um foi para um lado e outro pro outro. Como naquele filme e naquela música e naquele dia, tudo pretendia o eterno. Nunca mais, diria, como se fosse solução para seu choro interno.
Céus, quem me dera, que os cantos fossem lindos e ressoassem significados mil. A eterna chance de fazer diferente; é o que espero e desejo.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Chegou em casa cansado e embriagado.
Estava levemente triste pela noite, uma janta de negócios num domingo; daquelas que não se decidem coisas, apenas se discutem e aumentam as possibilidades. Há muito tempo não fazia mais comentários nessas reuniões, se sentia oprimido pelas opiniões dos outros, tão abundantes, tão lógicas, tão horríveis.. maquiagem azul na modelo vestindo roupas de oncinha?
Não se entendia com os outros, isto é, tinha sua forma de se entender. Deixava-os discutir e discutir e no final da discussão surgia com uma idéia que parecia resplandecente. E sempre funcionava, lhe felicitavam pela idéia genial; o que não entendiam é que ela já estava lá desde a primeira reunião.
Adorava ler sobre viagens, pensava em empreender uma. Quando tivesse mais dinheiro, tempo, disposição, segurança e companhia. Ou seja: nunca. Assistia aos filmes também; diário de motocicleta, viagem à natureza selvagem, viagens do famoso velejador brasileiro, ..
Juntava equipamentos pela casa, barracas, botas de alpinismo, sacos de dormir, comida em conserva, fogareiros, tudo ainda dentro dos devidos pacotes. A última vez que acampara tinha dezoito anos, uma viagem terrível junto dos escoteiros. Fome, frio, jogos odiosos, pessoas odiosas, mau humor, mau tempo.
Quem sabe outro dia prestam atenção em ti no ônibus e não te pisam.
Te ouvem e não te calam.
Te olham nos olhos como quem quer te escutar e fazem quase chorar por te receberem de forma tão sincera.
O mundo poderia ser noventa por cento melhor se cada um escutasse de verdade.
Ou pelo menos é o que o último laço de otimismo dizia a ele.

E você? Ficou com as formigas enquanto seu amigo lhe abria a alma?

quarta-feira, outubro 15, 2008

Djinn

Um djinn.
Escuto dentro da minha cabeça que não estou mais onde estou.
É o djinn, me provocando.
Mas não quero acordar no dia de ontem.

terça-feira, setembro 30, 2008

As noites de Amelie

A Escada

Sobe os degraus, corre, corre, a torre, meu deus, corre.
O barulho dos passos atrás, próximos, fortes e duros, mais rápido e mais rápido, mais rápido, mais rápido, dizia para si mesma. As botas de couro batendo contra o assoalho, a risada, meu deus, a risada, a gargalhada que vomitava, escorria pela barriga protuberante de anos de comilança, escorria pelo casaco de veludo vermelho aberto para respirar, escorria pelas calças arriadas e escorria, principalmente, pelo vermelho duro e latejante entre suas pernas.

A Porta e o Quarto

A porta, enfim. Abriu e se trancou. Os passos deixaram de soar do lado de fora. Um silêncio tão estarrecedor comprimiu o ambiente, fez as narinas dela se dilatarem e sorverem o ar na busca do perigo. Uma tontura, como uma onda indo e vindo, cada vez mais forte, mais forte, mais forte, meu deus, a janela, meu deus!

A Janela

A janela refletia o quarto. Do lado de fora fazia frio.
Aproximou-se e olhou. Abriu e uma corrente fria entrou, passou pelo seu vestido rasgado, crispou seus pêlos. Não era só a corrente fria que lhe deu um arrepio quando abriu a janela.

Era a multidão parada em fronte.
Maria, mãe de dois, prostituta, pecadora, desgraçada, pega, vadia, mata.
Uma multidão silenciosa que se movia de um lado ao outro da movimentada borges de medeiros, enquanto Maria esquadrinhava a rua assustada pela janela da escola.

terça-feira, setembro 23, 2008

W.

Era comovente, não, era chocante, a impiedade, a falta de tato, a busca pelos prazer fugazes.

Se tratava de um rato, fumante passivo de ciganas no centro. Dia sim, dia não, faziam-lhe um agrado e lhe contavam seu futuro olhando para suas mãos. Uma brilhante carreira como jornalista, psicólogo, médico, maratonista, cineasta, ator, biólogo, farmaceutico, mas, gostavam de enfatizar, somente se largasse seu vício.
Um rato poderia ser viciado em queijos, álcool, drogas, sexo, festas, e muitas outras coisas que seriam possíveis de listar, mas tornariam o texto enfadonho.
Não, dizia-lhes o rato. E era um não sincero. Permanecia calado o resto do dia, meditava sobre o que deixava passar e o que ganhava em troca. Olhava seus colegas no balcão do bar, todos acima dos trinta anos, acabados, com roupas surradas daquelas que ganharam anos atrás. Olhava o outro extremo, os crentes fervorosos todos os dias na igreja da esquina de sua casa. Às vezes lhes fazia companhia, mas seu objetivo lá era muito diferente e longe Dele.
O rato olhava para um lado e para o outro.
De um.
Para o outro.
Não compreendia que, entre os dois lados poderia haver um meio. Ora ia à igreja, ora ia ao bar. Não ia à igreja rezar, não ia ao bar beber.

Era muito pior o que fazia.
Sentia-se impelido ao vício. Pensara certa vez se o fazia por vontade própria, mas chegara à conclusão de que só poderia ser um vício genético. Não sabia de outro caso na família, mas era forte demais para não se reconhecer uma, como se diz, predisposição? ao vício.
O rato era um colecionador, ora, um colecionador pode colecionar muitas coisas, selos, moedas, notas de cem, cds do america online. Mas não era nada disso.

Se tratava de um colecionador de pessoas.
Continua.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Circo

Rondavam os portões com olhos famintos, como se fossem atacar.
15 anos e três meses depois continuavam com o instinto, embora enfraquecido, da luta pela sobrevivência.

quarta-feira, setembro 17, 2008

A prima Vera rondava os bairros, amava tanto.

Partiu numa noite de breu, séria. Queria que fossemos como dois animais, homem e mulher, e ficou tão triste quando não tive pena. Minha namorada, minha prima Vera, queria que lembrasse de mim, das nossas horas que levamos a paixão na poesia. Estou só e só existe esse lamento triste, que de um momento para outro surge e vira uma palavra, uma frase, algo para se ler, enfim.

Hoje comprei uma xícara e enxerguei prima Vera do outro lado da rua. Esperava o ônibus, olhava para o céu, os pombos, as árvores. Parecia triste, mas um triste alegre, se é que pode, se é que você deixa.

Nos deixa com um outono assim meio primavera.

terça-feira, setembro 02, 2008

Foi assim

E foi assim.. meio ao som de Vitor Ramil, meio à sirene do farol, que a gente ficou assim, meio junto, meio separado. Ali não dava pra ouvir o mar, ali não dava pra ouvir as pessoas, só o Vitor e a sirene, meio como em outro mundo.
Foi no metrô. Meio que num dia de eleições, meio que num dia de trabalho. Eram nove e meia, a gente ia viajar, ia visitar os mundos de sempre de um jeito diferente; um jeito meio assim apaixonado tímido.
No mesmo dia aquele que batemos a cabeça, que pedi teu rosto, que a gente chegou assim meio perto, meio longe.

O sol meio que brilhava entre a gente, aquecia. O silêncio da tarde de domingo, os dois sem roupas, meio que paquerando a janela, meio que rindo o tempo todo. A gente ria tanto de se amar que até esquecia, esquecia e voltava pra casa só tarde.

Oooo

Mãe, olhei na tv.
Aquele ali é filho de ditador, o outro tá na corrupção;
aquele gosta de feijão, o outro de arroz;
aquele tem família, o outro adota crianças;
aquele brinca de bolha de sabão, o outro anda de bicicleta;
Aiai, sei não =/

Romance

Era um desses romances de outubro ou novembro, não sei bem, talvez fosse janeiro ou fevereiro. Num desses bares, talvez não fossem bares, que a gente finge que não se importa. Numa daquelas mesas, acho que eram mesas, com aquelas cadeiras, que não são bem cadeiras. Não importa. A gente tinha uns comprimidos, talvez fossem cinzas, talvez fossem rosas, enfim, comprimidos, que caem bem a qualquer pessoa com mais de trinta anos. Um prazer caro com uma droga barata, gostava de falar isso como se fosse rima, e a gente achava graça toda vez que o outro ouvia o outro e pedia e ouvia e falava. Eu pensava e ele pensava e os pensamentos iam os pensamentos vinham, ah, a gente delirava, naquelas mesas que não eram bem mesas com cadeiras que achavam que eram gente. Foi tudo assim, de sopetão, eu não entendia, minha pele ficava de marfim. Não se mexia, não falava, só ouvia. Os elefantes tinham cruzado a sala e a gente, que tava ali pra não sei bem, olhava e olhava e pedia e pegava. Umas asas de marfim, que vinham não sei bem donde, uma coisa meio elefante assim. E a gente pensava e pensava. E um dia acordava.
Num dia de trabalho.
Numa sala.
Numa mesa.
Como quem nunca tinha falado assim.
Como quem é assim.
O computador ali.
A gente aqui.
E a gente trabalhava.
Em novembro ou fevereiro, a gente conseguia.
Conseguia.

sexta-feira, julho 04, 2008

Ele

Ontem sai pra passear com meu pai e coletar umas taxas. Chegamos na galeria Pinto Bandeira – pra quem não conhece, fica no centro da cidade, próxima do mercado público – e a primeira coisa que nos acontece é da loja de discos estar fechada. Como qualquer bom católico faria ao cobrar seus impostos, abrimos a porta com o pé-de-cabra. O lugar cheirava a sacanagem; meu pai disse “vai lá pegar a gasolina”. Quando trouxe de volta, o dono tinha chegado. Eu disse “vamos fazer um piano”, adorava fazer um piano com esses filhos da puta. Peguei o pé-de-cabra e fiz o serviço; nem um dentista faria melhor.

Odeio me sujar. Deixei papai junto do meu irmão e fui pra casa tomar um banho. Um bando de filho da puta no trânsito, eu enfio meu carro onde quero. Chego em casa e está tudo do jeito que gosto, minha mulher sabe o que precisa fazer. Mas se tem uma coisa que me deixa puto é a falta de gás. Sai molhando a casa, não podia me secar com todo aquele sabão no corpo, fui até o vizinho e bati na porta. Bando de putos, nunca ajudam. Ah, abriram. É, tô com o pinto de fora, e daí? Quer que eu esfregue na tua cara, é? Ótimo, chuveiro. Excelente essa ducha, preciso ter uma assim, uma potente. Se meu vizinho fosse mulher, morava com ele; o puto sabe das coisas.

Tempos Modernos

Um presunto cai na bandeja. São 150g do mais gordo. As rodelas de gordura são muito brancas e grandes. Não há nenhum prazer em comer esse presunto; é como perguntar qual marca de água prefiro; você pode dizer que há diferença, mas vamos ser honestos, não há diferença alguma. Dizem que é o motivo da minha obesidade; ridículos. Ora, há um único motivo para existirem caras gordos como eu: a falta de mulheres. Os caras magros estão lá fora, trepando o tempo todo. Se um deles passa o dia numa esquina perguntando a cada mulher que olha: “vamos transar?”, no fim do dia está com duas garotas em volta do braço. É fato, eu sei das coisas. E eles trepam tanto, que ficam magros. Gordos como eu não trepam. A maioria é virgem, as putas cobram caro quando você é desse jeito. Mas carrego uma coisa todo dia pra cama comigo: não existem velhos magros, chegando aos 40 os magros só tem duas opções, ou ficam gordos, ou desaparecem. Meu avô é uma exceção, 80 anos e bem magro; bons tempos aqueles.

segunda-feira, maio 12, 2008

Uma fila no ônibus. Empurra dali, empurra daqui, PÁRA, CACETE.
Silêncio no ônibus.
Uma buzina do lado de fora e tudo começa novamente, o movimento, o empurra-empurra, agora com cautela pra não tocar em mim, chego em casa e sento aqui para escrever isso. Penso no dia, chegando atrasado logo na primeira aula, pensando ainda que poderia apresentar um seminário onde não li texto algum, mas não, ficou pra próxima, ótimo, assim a gente pode pensar com calma naquilo que não vamos ler. 3 perguntas, 3 textos, 11 grupos = tédio. Então entramos pela contra-mão na prova de direção, falta eliminatória, 90 reais. Chego na aula de áudio, atrasado por causa da prova anterior, descobrimos que não temos aula de áudio aquele dia. Bate crachá, pega presença. Dizem que querem conversar comigo, que não estou bem focado na edição, 100% do documentário é edição, ok, estão certos, então agendo quarta e quinta de manhã. Nova prova, me dou mal, tento dar uma editada agora de noite, não consigo, tem que marcar horário, pô tchê. Venho pra casa, ônibus lotado, ..

segunda-feira, maio 05, 2008

Paha Maa

Queria começar esse texto de forma enérgica, provocativa e despejando o que me corre aqui dentro, o que talvez signifique vomitar no teclado.
Acabei de assistir ao filme Paha Maa... não consigo pensar em comentários como geralmente se coloca em críticas cinematográficas, transformado todos os filmes na mesma pasta para serem deglutidos sem problemas. A crítica hoje tem medo, não se fazem comentários ofensivos, tudo é aceitável, tudo é uma linguagem inovadora e revela uma nova faceta do nosso mundo.
Por favor.
Esse filme é doente. Para entender melhor vou fazer uma relação com outro assunto:
Hoje ouvi música clássica junto da minha namorada e ela me contou que as sonatas são feitas em geral em cima de idéias opostas, amor e ódio, vida e morte, felicidade e tristeza, saúde e doença.. enfim, mas sempre contemplam essas duas idéias. Gostaria de acrescentar a esse pensamento que os dois lados da música têm o mesmo peso, a mesma quantidade.
Paha Maa não, é um filme de um lado só do começo ao fim. O professor demitido que bate no filho, o filho que foge de casa e cheira e bebe e fuma e falsifica uma nota de 500 euros, compra um rádio, a nota é passada adiante para um alcoólatra que é preso, tem o carro arrombado, então rouba um carro, xinga todo mundo na rua, quebra outro carro parecido com o antigo, bebe, conhece outro alcoólatra e zomba dele o tempo todo, daí esse outro enquanto assiste o cara do carro arrombado transando com uma mulher, decide matar os dois com um aspirador de pó e daí.. enfim, uma sucessão de fatos horríveis. Por quê o filho precisava cheirar, beber, fumar e falsificar aquela nota?! Por quê passam a nota adiante?! Por quê, por quê, por quê!
Ora, em nenhum momento do filme parece ter um reflexo consciente, ninguém parece se dar conta do que está fazendo e parar com isso! Ok, estou sendo sentimental aqui e querendo que as coisas tenham fim, que parem de se fazer mal.
Mas vamos voltar ao assunto das sonatas.. para mim são completas, os dois lados se complementam formando uma coisa só. Você vai ao concerto e não sai chorando ou rindo adoidado, se for ouvir a música realmente. Existe um sentimento de leveza, uma beleza que irradia da música, uma compreensão do mundo. Mas se te dão uma coisa de um lado só, um lado horrível, que pesa e pesa e no fim.. não tem contrapeso, como fica? Você sai da sala de cinema ou da frente desse computador arrastando o peso do mundo nas costas. Ou com uma vontade danada de vomitar, que nem eu.

Ah, acho que um monte de gente deve gostar desse filme. Mas pra mim não dá mais, gosto da vida e não quero e não preciso me sentir mal. Não acho que todos os trabalhos artísticos precisam ser alegres para deixar as pessoas felizes, também não é isso. Acho só que precisam ser como as sonatas, ter um pouco dos dois, serem completos.
Precisava digitar isso tudo.. pode estar tudo confuso, mas as coisas foram pro ar, minha carência do outro lado da moeda e sua manifestação estão aí, agora é só pescar.
Se quiserem.

segunda-feira, abril 28, 2008

Às vezes quero ser uma gotinha minúscula no meio do oceano.
Às vezes quero ser o oceano inteiro.

sábado, abril 26, 2008

Minhas mãos tremem por causa de ontem.
Preparei um café bem forte na xícara do nescafé. Preciso ler uns textos e responder três perguntas até segunda-feira, discutindo com as colegas. Chatíssimo.
Algumas pessoas deixaram de falar comigo, não entendo bem por quê. Talvez devesse ir atrás delas e reatar alguma coisa. (A alça da xícara do nescafé é bem bonita, parece uma orelha. Tive medo de ter quebrado a xícara ontem, mas não aconteceu nada.) Deixei um recado no orkut faz umas semanas já, acho que não tem entrado lá.

Não consigo escrever com essas coisas por fazer.
Já repararam na nata do leite quando ferve?

sexta-feira, abril 25, 2008

Adoro teu cheiro junto do meu, esse calor que fica depois que a gente se despede.
Venho pensando na trilha que deve acompanhar esse meu escrito e só consigo pensar no que tu tocou hoje. Sei que se abrir outra música vou estragar meu fluxo.
Bebi café na minha xícara vermelha da nescafé, um café com leite, sem açúcar. É meia noite e estou aqui tomando café, não sei o que vai ser dessa noite, uma daquelas que me reviro na cama e sinto que minha cabeça vai explodir de tanto que pensa. Falei contigo pelo telefone. Acho que uma vez tu me disse que não sei falar pelo telefone, mas já é mentira isso. Se não disse isso, tô inventando, mas bem que podia ter dito.
Às vezes ando por aí e me ocorrem frases soltas que poderiam criar personagens.
Hoje me ocorreram algumas:
"Sobre esse sol escaldante de dezembro"
"Não sei o que tinha errado com aquele relacionamento. Melhor, eu sei, mas não queria admitir. A verdade é que nunca gostei dela e éramos muito diferentes. Se hoje a encontrasse e me perguntasse o por quê do fim, diria que era muito burra. Imaginei-a revoltada, como burra?! diria, e eu, pensando já nessa frase desde então: burra por isso mesmo, por fazer essa pergunta. Claro, a palavra certa não é burra. É uma palavra que denota outras coisas, burra, parece falta de inteligência. Não era o caso, passando em primeiro lugar de direito, concurso para juíza, nota A em todas as cadeiras, não, era inteligente. Mas muito ignorante. Ignora que existe música, fotografia, cinema, artes plásticas. Como a maioria, só lhe atrai quando for prazerosa. Filmes de ação, comédia, drama, norte-americanos em geral."
Me alonguei nessa última frase. Acho que no original ia até o "por fazer essa pergunta". Quis fazer essa declaração, essa fala que nunca vou ter. Queria que ela fosse uma simples personagem, que não existisse, nem que minimamente, uma pessoal igual a ela.
A ordem das frases não é temporal, ocorreram inversamente. Tive a segunda quando peguei ônibus próximo do prédio de direito da ufrgs, lembrei da última vez que tinha pego aquele ônibus, acho que lá por outubro ou novembro, e conhecia essa pessoa semelhante à personagem. Não foi uma lembrança de "Ah, como eram bons aqueles tempos".
É uma lembrança que faz parte de uma série de lembranças de outras coisas. Tenho passado pelos lugares e lembrado de pessoas que estiveram comigo, amigos, namoradas, conhecidos, família, e refletido sobre esses momentos.
No caso do prédio de direito, me senti ridículo. Ridículo por ter namorado aquela pessoa. É uma dessas pessoas que dou risada na rua e sinto pena, era, mais ou menos, como a personagem da frase. Talvez ela ria de mim. Provavelmente. Pouco importa.
Essa série de lembranças tem me deixado contente. Gosto de quem sou agora, de quem são meus amigos, minha namorada e minha família. Não os trocaria por nenhum outro momento que já tive. Toda hora que tenho esses "flashes" me dou conta de como tava fazendo cagada e como as pessoas tavam cagando em mim. Hoje não é assim, faço as coisas certas, sei que as pessoas fazem as coisas certas, tudo flui, é bonito, como se antes estivesse no país dos ladrões, onde todos tentam roubar algo um do outro e agora estou em outro lugar, talvez o paraíso. Bom, a idéia de paraíso é não ter problemas, então acho que não vão aceitar essa palavra. Mas se tivesse que definir o paraíso da minha vida, seria esse agora.
Me sinto bobo, como diria ela, falando assim. Apaixonado talvez, mas não é só isso. Sinto que cresci, que me tornei uma pessoa melhor e que selecionei aqueles que ficariam a minha volta através disso.
(essa última parte, a partir do "sinto que.." daria um belo slogan dos Alcoolátras Anônimos ou Narcóticos Anônimos)

Ah, estava com vontade de escrever nos últimos tempos. Qualquer coisa, o que me viesse. Foi o que fiz agora. Desculpa àqueles que me lêem se fui chato em algum momento. Pelo menos tento ser engraçado. Funny.
Espero ter esclarecido bem por quê lembro das pessoas. Não é saudade, como disse, é uma avaliação.
Vou mandar o texto, o blogger tá dizendo que tem problemas pra salvar. Mas ainda escreveria mais.
O dia foi tão bonito hoje, o sol quente e as cores bem feitas.
Ah sim, relendo o texto agora faltou dizer: a primeira frase tive quando estava descendo do ônibus lá pelas 4 da tarde e fiquei parado no sol esperando o sinal fechar.

segunda-feira, abril 14, 2008

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

domingo, fevereiro 10, 2008

O disquete abriu!

Arquivos dentro dele:
Especificações de atenuação carrefour.eml
Orç. Relatório PUB Lima e Silva.doc
Ref. Téc. Eng. DMJ.doc
Rei Do Bailão Project.doc
San Marino Acoustic Project.doc
Sob_cob.jpg

Quanta emoção! Heheh
O que abriu até agora me disse que o dono do disquete é um tal de Daniel.. Engenheiro talvez? Por causa do DMJ ali em cima... Não tá abrindo nenhum arquivo, quer dizer, abriu a imagem, é de um telhado projetado para cobrir outro telhado mais antigo =p
Ah, tentei abrir o resto, mas hoje não foi =/
Hoje invadi o carro que tinha aqui na frente de casa. Puxei o freio de mão para deixar a dona Gema em paz e roubei um disquete. Estou tentando abrir o disquete aqui no meu computador, mas nada acontece. Tô meio leve, não bêbado, mas próximo disso. Puxei o freio de mão, nossa, será que o carro vai descer durante a noite? Espero que não bata em ninguém.
É, esqueci de dizer, o carro não desceu quando puxei o freio. Empurrei, mas nada de se mexer. Que se vai fazer?

Sono.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Fui no banheiro agora à pouco e quando passei a primeira leva de papel, veio tudo vermelho vivo. E continuou saindo vermelho vivo por um bom tempo.

Se o sintoma se repetir, irei no médico. Talvez devesse ir agora.
Não sei. Fiquei meio chocado no começo, agora já estou melhor. Pensei que podia ser algo grave e repentino. A gente pensa tanta coisa nesse meio tempo...
Vou tocar saxofone, tomar banho. Espero que nada aconteça.

domingo, janeiro 27, 2008

Sonho

Lembra quando a gente caminhava naquelas ruas de paralalepípedo (e que palavra hem) ?
Agora tem o asfalto quente para queimarmos os pés e os carros circularem com mais conforto.
Ontem abriram minha rua denovo, volta e meia fazem essas incisões, se fossem médicos estariam ralados de tanto esquecer coisas dentro do paciente. A terra embaixo do asfalto é morta, não tem rastro de umidade, não tem rastro de planta. Com os paralalepípedos (dificuldade de escrever isso) não acontecia isso, tinha vezes até que a rua ficava tão bonita, com o verde crescendo entre as pedras.
Mas é melhor assim para os carros. Sabe, é tanta gente no Brasil usando carro. Tanta gente sem ter o que comer, usando carro. Sem ter o que beber, usando carro.
Alguns precisam de vários modelos, mãe, pai, tio, filho, filha. Cada qual com seu motivo, carro de velho, carro popular, carro caro.
Eu lembro de quando a gente caminhava nas ruas de paralalepípedos. Lembro quando não tinha grade na minha casa, nem cerca elétrica, nem trava de segurança na porta. E acontecia tanta coisa, os políticos roubavam, as condições eram ruins, o capitalismo era brutal, mas a gente tava em cima.
Hoje não tem ninguém em cima.
Eu não fiz nada. Não fui em cima. Instalei a cerca elétrica, a grade, a trava, o cadeado, contratei o guarda, paguei o colégio do meu filho, paguei a faculdade, fui assaltado, colaborei com gente que queria roubar, comprei coisas sem pensar, vivi a vida sem pensar nisso.
Me pergunto por quê não fiz nada. Não sei o que responder, não posso dizer que não sabia o que fazer, nem que sabia. Talvez o certo seja que eu não queria fazer.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Sobre mim e o que vier

Larguei a chave na mesa. Perguntei:
- Então, o que vamos fazer?
- Não sei, mas queria esperar um pouco até secar minha calça
Me deu vontade de rir, a situação com a calça estava digna de várias piadas, mas não podia fazer nenhuma àquela hora. Caminhei pra sala, puxando ela pelo braço. Me desanimei no caminho e sentei no sofá como que largando o peso do mundo dos meus ombros. Lá fora tinha um céu lindo, azul forte com nuvens muito brancas em formatos grandes e irregulares passando. Pensei em Deus, por quê Ele não falava pra mim que existia? Que vontade de morrer me bate às vezes, saber o que tem depois, se é que tem depois. Talvez seja um motivo original pra um suicídio, mas o mais provável é que não.
Ela sentou do meu lado do mesmo jeito que eu, largando o mundo dos ombros e fitando o céu. Joguei as almofadas pro lado e deitei com a cabeça no colo dela, tudo que precisava era de um bom cafuné, fechar os olhos e deixar de pensar que tava fodido. Lá pelas tantas, pergunta:
- Tu tá com sono?
- Não
Respondi seco de propósito, apesar de estar com os olhos fechados não estava com sono? Então que foi? Se deitou do meu lado, a cabeça na minha, me encarando com aqueles olhos verdes tão lindos. Que dor me bate quando penso que aqueles olhos verdes podem deixar de estar ali por mim. São daquele tipo que batem em alguma profundeza, que refletem o céu mesmo no breu absoluto. Quantas coisas ainda tenho pra aprender com essa garota, penso pela primeira vez que talvez queira realmente passar a vida com alguém. Me pergunto se vou aprender por uma vida inteira, não sei. Não é um pensamento realmente sério, não acho que vá passar a vida inteira só com uma. Ela:
- Tu tá chateado com essa história?
- Tô
- Eu também tô um pouco
É. Uma história fodida. Tu é a garota agora, só tu. Eu preciso de ti. E tenho que aprender um negócio pra lá de difícil. Algo que não aprendi a vida toda, que é me concentrar na vida. Puta que pariu, não converso com ninguém mesmo, não toco mesmo, não faço nada mesmo. É tudo fingimento, é tudo uma sombra do que sou, nunca estou presente na minha vida, estou sempre com a vida dos outros ou tão dentro de mim que esqueço que estou em mim. E o que essa garota aqui na minha frente com olhos verdes lindos tá me pedindo é isso, me pedindo. Pedindo que eu esteja aqui na frente dela, que respire com vontade, que ande com vontade, que fale com vontade, que viva com vontade e à vontade. E não é só ela que me pede, sou eu também, estou aqui implorando pra mim mesmo que comece a viver logo, que acorde.
A questão não é um problema com ela, quer dizer, sofrerei se ela me deixar por causa disso, mas é muito mais profunda, esses olhos verdes me vêem por dentro e refletem o que sou. Ela deixa de ser ela, passa a ser algo meu, falhar com ela não é assim algo simples, é de uma dimensão muito maior, é falhar comigo mesmo, falhar com o que quero.
E como falar tudo isso pra uma garota sem parar pra pensar muito e sendo coerente? Qualquer outra garota fugiria de mim quando comecei, mas essa ficou. Ela acredita e gosta de mim. Se esforça pra entender o que eu nem mesmo disse ainda ou mesmo o que não vou dizer. Quer abstrair o meu ser, não acho que somos simples namorados, me sinto tão unido, uma conversa nossa exige apenas poucas palavras, todo o significado do que queremos passar é passado por todos os outros meios possíveis.
Acabo de explicar o que me acontece, ela me acolhe. Pergunto como vai fazer para me ajudar, sentindo uma vontade imensa de pedir pra me sacudir sempre que eu dormir e ela responde, justamente, que não vai fazer isso, não por me querer mal, apenas por quê não lhe bate com os princípios e, apesar de relutante, concordo. Também não me bate com os princípios.
De pronto lhe prometo a mudança.
Me prometo a mudança.


Obrigado.