Não era "vez em quando", era desses de "sempre".
Absurdo, neurótico, carismático.
Quê?! Mesmo absurdo, continuava lá.
Voltava com dor de cabeça. De tanto bater no vidro do ônibus?
Chovia. Na cabeça dele? Era apenas um reflexo no vidro do ônibus. Não, era ele mesmo. Com respingos, molhado. Tomou banho de chuva. Não, o vidro.
Sexo, sexo, sexo.
Trabalho, atrapalho.
Sono. Sonho. Ônibus.
E a espaçaneve? Espacoçanve? Espaçonave.
Espaçogirl. Espaçogiro. Espaçogente.
É, cansado dessa espaçogente, acho que era isso. Com seus espaçoassuntos e espaçopensamentos. Espaçoautocondicionamentos. Espaçobandas. Espaçolugares. Espaçoemos. Espaçocafés. Espaçocomida. Espaguete. Espasmo, com o que? Com a loucura. Espaçoloucura.
Cacete. 6 horas de sono. 12 de trabalho. 4 de. De que?
Nem se dava mais conta que a falta de conta fazia falta em duas horas.
Lazer, pura diversão. Gastar o dinheiro do trabalho. Lança-perfume, crack, cocaína, maconha, peiote, cogumelo, lsd, álcool. Tylenol. Astro. Ritalina. Anti-depressivo, anti-convulsivo, anti-gente, anti-droga, anti-novas-regras-ortográficas.
Cansado de se cansar, pelo menos acha graça.