Às vezes me vem o frio, apesar dos cobertores, dos amigos, da namorada.
Uma insegurança, uma bomba contando o tempo, algo assim, sobe por dentro do abdômen e fica paradinho em cima do peito, esfriando todos os sentimentos. E daí enquanto observo, começa uma queda, onde não dá pra enxergar o fundo.
Nos primeiros dias dá pra escutar as outras pessoas normalmente, até trabalhar se não for muito complicado o que tiver que ser feito. Depois vai ficando complicado, por que fica longe demais de tudo, é difícil até levantar da cama, exige um esforço tremendo dizer pro teu corpo levantar quando já está tão longe.
Conforme entra menos luz por aquele buraco lá em cima, mais fácil fica se distrair com o que não sei se existe. O certo é que não existe fora do buraco, mas lá dentro, tem outras pessoas caindo junto e te puxando. Opinando em tudo, desde levantar da cama até a resposta pros sentimentos - que parecem então - medíocres das outras pessoas.
Passam duas semanas, aparece um ânimo revigorante, acontece um pulo e tudo fica claro de repente. Não se está mais caindo, é chão sólido, tem pessoas contigo, todos preocupados e te acompanhando. Parece tudo bem aí. Até quando se tem certeza de que está tudo bem denovo, então ninguém mais vai estar preocupado daquele jeito contigo e vem o frio, apesar dos cobertores, dos amigos, da namorada...