Hoje senti vontade de voltar à delicadeza; aquela de abraçar o mundo.
Por esse breve momento cansei de ser um brutamontes, de rir na tua cara, não levar o povo a sério.
E me arrependi de tudo até ali. Mesmo das coisas que sou só remotamente culpado, como a péssima alimentação da minha irmã (que mora só com ignorantes). Esses ignorantes são parte da minha família e por isso culpa minha. Se ao menos soubesse como tratar, como fazer pra que me escutassem. Como fazer pra que me respondessem, não peço nem que mudem. Só que escutem e me respondam com sinceridade. Atravessando o muro de máscaras que eles fizeram ao longo dos anos.
Bah. E em breve ia me arrepender de atravessar esse muro todo e tocar neles. Quanta responsabilidade. Quando o brutamontes voltasse, ia esmagar tudo com um murro daqueles. Ia ser a vingança da minha máscara. Abrir o coração deles todos e pisar em cima.
Não. Não quero que seja assim. Quero que seja diferente. Denovo.
A próxima vez, claro, vai ser diferente. Quando chegar no coração de alguém, denovo, vou cuidar. Vou tratar com todo o mimo.
Pra logo pisar em cima depois, é. Por que no fim sou meio louco. Gosto do gosto que fica depois que a gente magoa; só pode.
Isso é mentira, faz parte daquela máscara. Daquela depressiva que diz "tu não vai amar".
Não é que não vá amar. Amar, no fim, é uma força. Ela existe, ou não, e a gente alimenta, ou não.
Bah, não sei de nada. E tenho muita vergonha disso. Parece que todo mundo sabe alguma coisa. Ó, tchê, isso aí que tu tá fazendo não se faz não. É, certo. Como se precisasse fazer o que se faz. Ficar preso nesse mundo de máscaras e tititi.
Vocês é que não sabem de nada. Eu e meu ego vamos nos virar muito bem; por um tempo.
É óbvio que daqui nós vamos brigar. E daí vou perguntar denovo o que fiz de errado.