Vós me pedistes por conselho, pois sentai vossa divina bunda e lede.
Não sois perfeito, melhor que outros. Usai vosso divino cérebro para observar: o que vos parece muito pequeno para outro é mui grande, o que vos parece muito grande para outro é mui pequeno.
Vede as criancinhas. Para elas, vós sois un monstro, entretanto, para vós, uma estrela Gospel. Não vos quero ofender, mas assim é e assim foi. Se nem Buda, o Iluminado, foi poupado de vossa crítica, se até mesmo Cristo, filho de vosso Deus, foi crucificado por vós, que direis de vosso irmão chafurdando na lama? Afundai logo sua cabeça e afogai.
Tende que mudar vossa atitude. O crucificado vos disse para amar o próximo como a vós mesmo. Não vos posso confiar o mesmo, pois sequer amai a vossa pessoa. Aprendei sobre amor.
domingo, maio 28, 2017
sábado, maio 13, 2017
Carta
Hoje tive vontade de te escrever uma carta de amor, mas eu te amo não resolve as coisas instantaneamente. engraçado que na minha mente, de alguma forma, como um mantra, se falado verdadeiramente e com um quê até devocional, resolveria, seria o suficiente para deixarmos diferenças de lado, para aceitarmos o que o tempo fala e nos entregarmos ao novo momento, talvez se não tivesse te entupido os ouvidos com minha indolência, preguiça e mentiras, também não te peço mais desculpas, não é minha culpa, nem tua, passei um bom tempo refletindo tuas palavras. Não é amor.
Queria um cartaz, não é amor, andei com esse slogan na testa, não que te faça diferença, mas já que mais falo comigo mesmo do que contigo, andei, não é fácil receber críticas, ainda mais quando saem da boca de quem a gente (ama). Dói. Mas tudo bem, como dizem, aceita que dói menos, aceitei tudo calado concordei e estou te esperando, te esperando olhar pra trás, ver o que tem depois das nuvens e também não é fácil esperar e eu sei que as coisas estão falando contigo, são várias e estão todas ao teu redor, preenchem os cômodos da tua casa, as frestas entre um pensamento e outro, como uma composteira maturando lentamente toda e qualquer coisa.
Não vai ser instantâneo.
quinta-feira, março 09, 2017
domingo, março 05, 2017
Cilada
Uma vez te segurei forte fora da entrada do supermercado, não lembro direito o motivo, lembro de tu me pedir pra soltar porque estava te machucando.
É uma das primeiras memórias que tenho de agredir outro ser vivo. Mas pra ser justo, talvez a primeira mesmo tenha sido com o gato ou a gata em casa, não me lembro bem, que segurei pelo pescoço. Enxerguei as pupilas incharem e ficarem prestes a saltar pelas órbitas. Percebi que mais um pouco, poderia matar. Aí soltei.
Muito tempo depois matei mesmo. Um lagarto apareceu na porta de casa, ferido, mal se mexia. Cortei a cabeça dele com o facão. Na mesma casa, armei ratoeiras que mataram e aleijaram ratos, os quais encontraram o martelo ou o facão depois também.
Quando criança tinha um passatempo que era matar moscas, gostava muito. Às vezes na ausência de um mata-moscas plástico, ia com a mão mesmo. Lembro uma tarde que matei uma centena num clube.
Outra vez dirigindo, um cachorro atravessou a estrada, matei. Esses tempos também ajudei a matar uma vaca. Já matei aranha, bicho-cabeludo, mosquito, besouro, barata, pra falar alguns.
Matei também frangos, porcos, outras vacas e bois, peixes, ovelhas e javalis, comendo carne.
E isso só o que lembro.
O mais marcante dessa seqüência foi a última que participei diretamente, a vaca. A vida foi embora devagar. Não vou detalhar, porque sei que não leria mais a partir daqui. E eu quero que você leia até o fim.
Diretamente creio que nunca participei da morte de outro ser humano. Mas agredi e agrido vários.
Uma época andava me perguntando qual o sentido de tudo? De tomar o ônibus por duas horas até o trabalho, fazer algo sem sentido, voltar, dormir, repetir. No final de semana pegar o papel sem sentido e gastar em coisas sem sentido.
Poucas pessoas entendiam essa pergunta e a resposta do sem sentido das suas vidas. Como sem sentido? As pessoas buscam ser felizes, um trabalho com significado (que pode muito bem ser somente o dinheiro), sair com os amigos, se divertir, conhecer gente nova, viajar, ter experiências fantásticas, gozar muito.
Eu tentei. Mas então o trabalho não pagava o suficiente, os amigos não eram tão amigos como gostaria, a diversão sempre acabava, as pessoas novas sumiam ou decepcionavam, as viagens davam saudade de casa, a casa dava vontade de viajar, o desejo por sexo depois de satisfeito dava lugar a um vazio, vazio que às vezes se preenchia de mais desejo.
Nada é o suficiente.
E isso machuca. Meu amor por ti não é o suficiente? O que faço não é o suficiente? Quem eu sou não é o suficiente?
Quanta gente magoada. Por não ser você, por ser você, por ser nova, velha, bonita, feia, grande, pequena, azul ou preta. Nunca satisfeito, nunca em paz, buscando a felicidade sempre no virar da esquina, no banco do ônibus, em outro país, nesse país.
É uma Cilada. Armadilha do não-amor.
Não é amor. Não é amor. Isso não é amor.
Irônico que depois de tanta morte, tristeza, mágoa e ódio, me dê conta de que o sentido, de tudo, talvez só pra mim, é o amor.
E amar tem sido suficiente. Aqui, agora, do exato jeito que as coisas estão e são.
É engraçado isso de amar. Sempre tive na mente uma idéia boba do esforço em amar os outros. Aí não é amor. Amor brota naturalmente. É espontâneo e é por tudo e por todos. E, cuidando bem, só cresce.
E a partir dessa certeza que o amor brota e cresce, sei que um dia vai chegar aí e que aquele coração radiante vai crescer e pintar dentro de você também.
É uma das primeiras memórias que tenho de agredir outro ser vivo. Mas pra ser justo, talvez a primeira mesmo tenha sido com o gato ou a gata em casa, não me lembro bem, que segurei pelo pescoço. Enxerguei as pupilas incharem e ficarem prestes a saltar pelas órbitas. Percebi que mais um pouco, poderia matar. Aí soltei.
Muito tempo depois matei mesmo. Um lagarto apareceu na porta de casa, ferido, mal se mexia. Cortei a cabeça dele com o facão. Na mesma casa, armei ratoeiras que mataram e aleijaram ratos, os quais encontraram o martelo ou o facão depois também.
Quando criança tinha um passatempo que era matar moscas, gostava muito. Às vezes na ausência de um mata-moscas plástico, ia com a mão mesmo. Lembro uma tarde que matei uma centena num clube.
Outra vez dirigindo, um cachorro atravessou a estrada, matei. Esses tempos também ajudei a matar uma vaca. Já matei aranha, bicho-cabeludo, mosquito, besouro, barata, pra falar alguns.
Matei também frangos, porcos, outras vacas e bois, peixes, ovelhas e javalis, comendo carne.
E isso só o que lembro.
O mais marcante dessa seqüência foi a última que participei diretamente, a vaca. A vida foi embora devagar. Não vou detalhar, porque sei que não leria mais a partir daqui. E eu quero que você leia até o fim.
Diretamente creio que nunca participei da morte de outro ser humano. Mas agredi e agrido vários.
Uma época andava me perguntando qual o sentido de tudo? De tomar o ônibus por duas horas até o trabalho, fazer algo sem sentido, voltar, dormir, repetir. No final de semana pegar o papel sem sentido e gastar em coisas sem sentido.
Poucas pessoas entendiam essa pergunta e a resposta do sem sentido das suas vidas. Como sem sentido? As pessoas buscam ser felizes, um trabalho com significado (que pode muito bem ser somente o dinheiro), sair com os amigos, se divertir, conhecer gente nova, viajar, ter experiências fantásticas, gozar muito.
Eu tentei. Mas então o trabalho não pagava o suficiente, os amigos não eram tão amigos como gostaria, a diversão sempre acabava, as pessoas novas sumiam ou decepcionavam, as viagens davam saudade de casa, a casa dava vontade de viajar, o desejo por sexo depois de satisfeito dava lugar a um vazio, vazio que às vezes se preenchia de mais desejo.
Nada é o suficiente.
E isso machuca. Meu amor por ti não é o suficiente? O que faço não é o suficiente? Quem eu sou não é o suficiente?
Quanta gente magoada. Por não ser você, por ser você, por ser nova, velha, bonita, feia, grande, pequena, azul ou preta. Nunca satisfeito, nunca em paz, buscando a felicidade sempre no virar da esquina, no banco do ônibus, em outro país, nesse país.
É uma Cilada. Armadilha do não-amor.
Não é amor. Não é amor. Isso não é amor.
Irônico que depois de tanta morte, tristeza, mágoa e ódio, me dê conta de que o sentido, de tudo, talvez só pra mim, é o amor.
E amar tem sido suficiente. Aqui, agora, do exato jeito que as coisas estão e são.
É engraçado isso de amar. Sempre tive na mente uma idéia boba do esforço em amar os outros. Aí não é amor. Amor brota naturalmente. É espontâneo e é por tudo e por todos. E, cuidando bem, só cresce.
E a partir dessa certeza que o amor brota e cresce, sei que um dia vai chegar aí e que aquele coração radiante vai crescer e pintar dentro de você também.
quarta-feira, fevereiro 22, 2017
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