sábado, novembro 01, 2008

Um Dia de Querer

Quando a noite acabar e não houver mais barril em que se apoiar, vou estar aqui. E se tu precisar de carinho, abraço, consolo e colo, pode contar comigo. Mesmo que a gente não se fale mais, mesmo que um mude de país, vai ter um dia de querer.
O saxofone sempre vai chorar por nós naquele cd de jazz árabe. E no meio da noite, entre colunas de uma mesquita em Istambul, vou te ligar pra dizer que sinto tua falta, que deveríamos voltar no tempo, fazer tudo denovo bem do começo.
Talvez a gente não se entenda mais, fale outra língua e tenha esquecido o português, tenha vinte filhos, três carros, uma mansão de quadra inteira ou talvez a gente não tenha nada, estejamos na rua passando fome, pensando no que poderíamos ter feito. Então, quando tu receber a minha ligação, vai dizer adeus aos vinte filhos ou ao cachorro da rua teu companheiro e vamos seguir juntos rumo a cidade do sol.
E uma era completamente nova e inesperada e inebriante vai nos encher de vida e vamos nos sentir fortes e invencíveis mais uma vez; então vamos ter nossos oitenta, cem, duzentos anos ou talvez mais prontos para enfrentar qualquer situação.
A morte vai vir bater na nossa porta e nos dizer que está na hora e o brilho de anos na cidade solar vai ofuscar até mesmo ela, que sem saber o que dizer vai ficar impressionada quando caminharmos na sua direção e dissermos que estamos prontos para ir ao outro mundo. Exatamente! Estaremos tão felizes e realizados que nem mesmo a morte será um impecilho para nós, caminharemos juntos para além do mundo e realizaremos coisas ainda maiores no que estiver por vir.
E assim será durante toda a eternidade.