É verdade que perdemos a inocência quando crescemos. Mas se a perdemos, é só para conquistá-la novamente. Voltar à inocência não é ser ingênuo, fácil de iludir. É voltar com tudo aquilo que passamos, ou seja, fortes, determinados e atentos. Não há nada ingênuo. Na realidade, quando voltamos a esse estado, somos mais inocentes do que nossas crianças. A verdade é crua e está ali. E por saber o que somos e o que os outros são, não há ilusão. Não há sequer a idéia de ilusão.
Certa vez Aristótoles disse: "Se eu ganhei ao menos uma coisa por causa da filosofia, foi isto: faço o que faço por quê quero fazer, enquanto outros fazem apenas por medo da lei". Adiquirimos isso quando crescemos, o medo da lei. Seja a lei dos costumes, dos pais, do governo, há algo que nos restringe os movimentos e nos leva em outras direções. Com a frase do nosso filósofo grego não quero dizer que todas as leis estão certas. Apenas que existem algumas que nunca paramos para refletir o quão benéficos são para todos e que sem eles o convívio se tornaria extremamente penoso.
Seres que voltaram à inocência são como nós. Cumprem as leis, fazem sua parte. Mas do seu modo e por quê querem fazer aquilo.