Eu queria que a vida fosse fácil como pintar paredes, que as decisões corressem rápidas como pintar calçadas. Os vizinhos chamariam a polícia e nós sairiamos correndo que nem loucos, talvez fazendo barulho de loucos, para brincar nos balanços de pneu do parcão.
Uma vez quebrei o brinquedo do meu melhor amigo, deixei um relacionamento sem dar explicações, fui ao psicólogo e sai assustado, bati no meu filho, tentei pular pela janela, ... E às vezes, quando fecho os olhos, tudo que consigo lembrar são esses momentos. Que não fui uma boa pessoa.
Me sinto completamente responsável por todos àqueles ao meu redor. E me sinto muito mal quando não atendo as expectativas e sou diferente; não ligo, não falo, não penso, não sinto.
Isso não é um pedido desculpas. Não que não sinta vontade de me ajoelhar na frente de todos e pedir as maiores desculpas com lágrimas escorrendo pelo rosto; mas este texto não é uma desculpa. É uma constatação. Por mais que me esforce em ser uma boa pessoa com todos, não é possível. Enquanto eu ainda for apegado e ignorante, qualquer um que se relacionar comigo vai se magoar.