A prima Vera rondava os bairros, amava tanto.
Partiu numa noite de breu, séria. Queria que fossemos como dois animais, homem e mulher, e ficou tão triste quando não tive pena. Minha namorada, minha prima Vera, queria que lembrasse de mim, das nossas horas que levamos a paixão na poesia. Estou só e só existe esse lamento triste, que de um momento para outro surge e vira uma palavra, uma frase, algo para se ler, enfim.
Hoje comprei uma xícara e enxerguei prima Vera do outro lado da rua. Esperava o ônibus, olhava para o céu, os pombos, as árvores. Parecia triste, mas um triste alegre, se é que pode, se é que você deixa.
Nos deixa com um outono assim meio primavera.