Lú,
tem um papel junto com os meus pertences listados e o destino de cada um. Não esquece de mandar flores para minha mãe no natal, tu sabe que ela adora. Bom resto de vida para ti.
Adorava sentir teu líquido escorrendo pelas minhas pernas durante o resto da tarde. Era assim que sentia tua falta; precisava de ti para me encher, gozar dentro de mim. Quando tu viajava ficava louca, me coçava, estava sempre de mau humor, não conversava com mais ninguém.
Até que ele veio.
Era uma sensação quase de alívio algumas vezes. Não sentia mais a mesma compulsão, não precisava tanto de ti enchendo o meu vazio. Eu e ele cresciamos dia após dia e sentia que tu fazia parte do processo. Vocês dois dentro de mim, me preenchendo, me enchendo de vontade de viver.
Lembro quando reparou na primeira marca dele. Nunca te enxerguei tão furioso. Não contei antes por que tive vergonha; um sentimento tão bobo e algo tão grande. Mas não seria diferente se tivesse descoberto antes, seria ainda pior. Não ia ter passado tanto tempo.. Tua decisão foi rápida e sem consultas.
Depois daquele dia me senti sem alma. Por mais que tu gozasse dentro de mim, jamais ia preencher meu vazio denovo. Então tentei de tudo, é. Perdi a conta. Fugi de ti como louca. Mandei te baterem. Tomei de tudo, até aquela droga do amigo do nosso amigo. Mas o gozo de todos continuava saindo frio e estéril de mim.
Hoje faz um ano. Voltava para casa quando um homem gritou para mim de dentro de um carro: "Vocês nunca vão se amar denovo". Nem pensei em ti. Só no filho que tu mandou matar junto comigo.