domingo, junho 28, 2026

Ozymandias

Conheci um viajante de ermas terras
Que disse: Duas enormes pernas de pedra sem corpo
Encontrei no deserto. Próximo delas, na areia,
Meio enterrada, uma face partida, cujo cenho,
E um lábio torcido, e um quê de autoridade impassível,
Tornam claro que o escultor soube ler suas emoções
As quais ainda sobrevivem, estampadas nessas coisas sem vida,
A mão que as imitou e o coração que as alimentou:
E no pedestal, estão estas palavras:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas façanhas, ó Poderosos, e se desesperem!"
Nada além disso resta. Ao redor da decadência
Desse colosso destruído, sem limites e vazias
Areias solitárias e silenciosas se estendem em todas as direções.

 

Tradução livre de Percy Bysshe Shelley (1876)