sábado, junho 25, 2011

Googleplex

Existe um cômodo antigo de madeira. Três gavetas, fotos, anotações, cadernos.
Uma tentativa de saber quem sou eu.

Foram várias. Primeiro o colégio. Os colegas. A namorada, o sexo, dormir de conchinha, o ciúme, a dor. (denovo e denovo).
Escrevi muito aqui. Numa espécie de diário.

Fui zenbudista. Luterano. Ateu. Panteísta. Meio-termo religioso. Historiador, fotógrafo, empresário, jornalista, saxofonista, sexofonista, vagabundo, mesquinho, hippie.

Tentei ser gay e não deu certo. Tento ser hetero, mas não sei direito o que isso significa. às vezes não faz sentido nenhum definir o sexo.

Sexo nunca foi importante. Dinheiro também não. Nem status. Nem tristeza ou alegria.

Fui vegetariano. Hoje sou carnívoro.

Já viajei mais dentro de um apartamento do que a minha vida toda. Esse foi o LSD.

E pensei: meu deus, nunca mais vou tomar isso na vida. Até que tomei Daime.

Durante vários meses o Daime conduziu minha percepção do mundo.


Os homens ficavam de um lado e as mulheres do outro. Cada um ia tomar o Daime quando quisesse. E quanto quisesse. A cor é laranja escura e tem o pior gosto. Vomitei em seguida. Pensei, nossa, isso tem um gosto tão ruim e nem faz efeito.

Sentei na cadeira. O mundo começou a tremer, mas não como num terremoto, mais como se o mundo inteiro estivesse tremendo, o chão, as pessoas, o ar, as velas, Paris, Porto Alegre. A única coisa estática era meu corpo. Pensei que pelo menos ainda tinha meu corpo. Mais tarde ele sumiu e só fiquei com o pensamento.

Não havia outras pessoas - às vezes sim, mas não estavam na mesma época que nós - nem limites materiais. A sala virou uma floresta. Os sons dos pássaros voaram. O chão ficou molhado de terra. E quando tudo ficava escuro eu só pensava "se continuar pensando, continua existindo". Que a existência era só o meu pensamento que mantinha.

Aquele dia tinha pedido ao Daime: quero saber o que é o aqui e agora.


Só que a minha jornada sempre tem sido "quem sou eu?". Essa é a pergunta que gostaria de fazer.

Porque não tenho a menor idéia do que essa pessoa que já foi tantas.

Essa busca me devasta. Vivo num processo de colocar tudo abaixo pra erguer denovo. Erguer sobre os princípios certos. Derrubar sobre os novos princípios certos. Já ouvi chamarem isso de aprendizado. Não é.

Não se trata de corrigir minhas idéias por outras melhores e depois outras e depois denovo...

Não existe nenhuma idéia certa. Não existe ponto algum em ficar corrigindo uma atrás da outra. É como um ratinho correndo na rodinha. Não vai chegar a lugar algum!

E daí o que me vem logo em seguida é essa outra idéia de que... isso também é uma idéia e também vai ser corrigido por outra que pareça melhor. E que não existe ponto em querer que exista um ponto.

Finalmente: não existe verdade absoluta. Essa mesma idéia que me joga denovo na depressão de não realizar nada por não existir verdade absoluta em nada do que faço. E lá vai denovo o ratinho correndo da depressão de "oh meu deus, não existe nada nesse mundo que seja verdadeiro, que devo reverenciar, admirar, me dedicar" pra euforia do "ahh não, existe sim, a explicação X é o caminho!".

sexta-feira, junho 17, 2011

PORRADA

Porrada no delinqüente! Porrada no anti-manifesto de pais e mestres!

PORRADA!

não esquece que a gente não faz nada. a gente é o pai de não fazer nada de se manifestar pelo virtual e dizer que esteve lá!

tô cansado de ficar na cama me revirando. de ficar na cama dormindo. de não levantar e bater a mão na tua cara filha da puta.

de perder cabelo. de ser vulgar. de me embriagar e me drogar.


quero te matar.

Chega do teu paternalismo! não quero ouvir da revolta pacificista. Não existe revolta pacifiscita, exige revolta AGRESSIVA.
Bichos de pelúcia não fazem mais minha vontade de SEXO. Não dá pra ser feliz com tua boneca de borracha e essa buceta mecânica que come meu caralho.

domingo, junho 05, 2011

Sábado

Bebi vinho no sábado. Branco e tinto. Depois cerveja e cachaça. E mais cerveja.

Fui trabalhar no domingo com dor de cabeça, bafo e uma sensação meio zonza.

Tive uma sensação intensa de comunhão no set de filmagem. Um fluxo quase palpável de energia perpassava por todos nós.

Estive bem humorado o dia todo. Agora, meia-noite, estou cansado, um pouco revoltado (mas contente) e com algumas idéias na cabeça.

quinta-feira, maio 19, 2011

Fábrica Psicopática

A maior parte do tempo preciso vestir um personagem que anda, fala, respira idêntico ao original, mas não pensa igual ao original. Enquanto sou todo sorriso e o mais amável possível com o resto da humanidade, por dentro me corrói um sentimento de ódio e mágoa que cria um fogo intenso dentro da minha cabeça expelindo imagens de bombas, gás lacrimogênio, tacos de beisebol e espadas samurai.

Meu casaco, minha camiseta, minha cueca, minha calça, a cadeira, o computador, a cuia, o livro, o desodorante, a água, a comida, o prédio, a rua, a luz, o semáforo, o parque, meus pais, meus avós, minha namorada, meus amigos, caminhar, ouvir música, tocar um instrumento, saúde, drogas, álcool e tudo mais que englobe o mundo foi, está e vai ser explorado.

Toda a vida é explorada para satisfazer algo que não está e nunca estará ali. Toda vida trabalha com sua riqueza, sua imensidão, sua originalidade e é expropriada pela exploração. Não se pode dizer: meu trabalho vale tanto. Trabalho não é mensurável monetariamente, quando se diz que o trabalho vale ALGO que não é trabalho, está acontecendo um roubo.

Só resta perguntar pra onde se caminha quando o caminho não é de graça?

terça-feira, maio 17, 2011

denovo a mesma coisa

Hoje tampei meus ouvidos com as mãos, fechei os olhos, tirei os pés do chão, calei a boca e tranquei a respiração. TUDO pra me sentir fora desse mundo.

Queria ser tipo o RAIDEN do Mortal Kombat. Eletrocutar TODO MUNDO. Virar relâmpago e sumir da porra do banheiro onde me tranco pra pensar que quando abrir a porta, vou estar em outro lugar, OUTRO PAÍS QUE SEJA, ONDE NÃO TENHA EMPRESAS, ONDE NÃO TENHA EXPLORAÇÃO, ONDE AS PESSOAS SE IMPORTEM E SE RESPEITEM.

Mas aí abro a porta depois de toda essa divagação e tenho.. essa porra me esperando.

"vamos combinar um valor justo, não vamos te pagar pouco".
"o lucro é quase nulo, pois temos os custos de alimentação, transporte, hospedagem, putaria e cerveja"
"a empresa está no começo, então temos que arcar com certos custos. TUDO BEM SE O CLIENTE DEMORAR DOIS MESES PRA PAGAR E ATRASAR O ALUGUEL DA CASA"

é sempre a mesma coisa.

Ah, tu trabalha com algo muito subjetivo, não tem como quantificar esse tipo de trabalho. Ok. FAÇO PNEUS, QUANTIFICA PRA MIM. Ah sim, o chefe ganha 3 milhões pra SENTAR A BUNDA NO CAFOFO.

E é justo.

quinta-feira, maio 12, 2011

Cretinagem

O mundo anda tão cretino. Não dá pra confiar em ninguém.

Antigamente não dava também. Mas pelo menos a gente era criança e acreditava em todo mundo.

segunda-feira, maio 09, 2011

Capitalismo Selvagem

Hoje derramei lágrimas nem sei bem porquê. Vivo de forma bem confortável, apê próprio, dividido entre três, internet, água, luz, ... No entanto, parece que não me basta ganhar 500 reais por mês. Enquanto ganho 500 reais, sei que a empresa na qual trabalho ganha 25 mil reais. E, ainda por cima, isso é considerado um trabalho barato. Quem dera eu fizesse esse trabalho barato de 25 mil! Imagino o que é o trabalho em conta. 100 mil? 200? 500? 1 milhão?

Imagino além. Ganhando 100 mil por mês... em um ano teria mais de 1 milhão, o que é o suficiente para render 10 mil na poupança por mês. Puxa vida. 10 mil por mês. Dá pra comprar uma casa, um carro, um jornal, várias viagens, móveis pré-montados, bilhetes da megasena, ... e sem se preocupar, porque no próximo mês mais 10 mil vão vir.

Então a pergunta é. O que fazem essas pessoas que já acumularam o suficiente? O que faz alguém que ganha mais de 100 mil por mês? Enfia no cu? Compra uma lancha de ouro? Compra outras pessoas? Pra QUE continuar ganhando? Qual é o sentido? Passa a bola adiante! Deixa oportunidade de mais alguém ser rico.

Rico. E ser rico pra que? Digo, depois que tu passa da parte pagar as contas e ter um pouco de lazer (duas vezes no cinema, teatro, música e circo), o que resta é tão insignificante. Ser rico pra ter um porsche? Uma harley davidson? Ser rico pra esnobar? Pra montar uma fundação? Pra comer pampacats? Sabe..

O NEGÓCIO É AMAR. Do fundo do coração. Todos os seres. Parar com essa idéia de que a gente é mais do que um inseto ou um outro ser humano. E amar tudo e todos.

Eu tive uma irmã quando tinha -89527253895 anos. Digo, ela nasceu quando meu pai tinha 21 e quando eu nasci, meu pai tinha 34. Faz o cálculo.

Ela nasceu com o coração do lado errado, virado pra direita, tá ligado? E a cirurgia na época custava 10 mil reais (hoje dizem que custa uns 38 mil), não tinha plano de saúde e meu pai e a mãe dela não tinham grana pra pagar ou financiar. Ela morreu dois ou três meses depois de nascer. A mãe dela entrou em depressão, desenvolveu diabetes e morreu no mesmo ano.

Enquanto isso, tinha o dono do hospital, o dono do banco, o dono da padaria, o dono e o dono e o dono de tanta coisa ganhando tanto. E comprando lá o carro do ano, viajando pra não sei onde, fazendo gato e sapato. Esse cara roubou o dinheiro da minha irmã e matou ela.

O capitalismo mata. Isso é um exemplo doido de algo que aconteceu comigo e certo que tem uma calharada de gente com exemplos muito piores. A questã é por quê? pra que a gente trata tão mal quem tá do nosso lado? quem é humano com(o) a gente?