quinta-feira, maio 19, 2011

Fábrica Psicopática

A maior parte do tempo preciso vestir um personagem que anda, fala, respira idêntico ao original, mas não pensa igual ao original. Enquanto sou todo sorriso e o mais amável possível com o resto da humanidade, por dentro me corrói um sentimento de ódio e mágoa que cria um fogo intenso dentro da minha cabeça expelindo imagens de bombas, gás lacrimogênio, tacos de beisebol e espadas samurai.

Meu casaco, minha camiseta, minha cueca, minha calça, a cadeira, o computador, a cuia, o livro, o desodorante, a água, a comida, o prédio, a rua, a luz, o semáforo, o parque, meus pais, meus avós, minha namorada, meus amigos, caminhar, ouvir música, tocar um instrumento, saúde, drogas, álcool e tudo mais que englobe o mundo foi, está e vai ser explorado.

Toda a vida é explorada para satisfazer algo que não está e nunca estará ali. Toda vida trabalha com sua riqueza, sua imensidão, sua originalidade e é expropriada pela exploração. Não se pode dizer: meu trabalho vale tanto. Trabalho não é mensurável monetariamente, quando se diz que o trabalho vale ALGO que não é trabalho, está acontecendo um roubo.

Só resta perguntar pra onde se caminha quando o caminho não é de graça?