terça-feira, março 09, 2010

Do meu carpete verde

Embaixo do carpete existem tábuas antigas de madeira.

Não lembro mais delas, se é que posso.

Tinha meus bonecos de um lado, o Black Kamen Rider, ou seja lá como se escreve, era um dos favoritos. Perto deles tinha uma televisão, passei algumas noites assistindo à "Praça é nossa".

Meu pai, ao contrário da minha mãe, não gostava muito de contar histórias, talvez daí essa programação. E não sabia coçar minhas costas, era daqueles que usava só as pontas dos dedos, sem as unhas.

Uma vez pediu que eu contasse uma história (sempre pedia uma pra ele, apesar dele nunca contar - e não quero mentir, é verdade que quando a história estava num livro, até dava uma lida e improvisava umas vozes, mas quando se tratava de inventar algo novo...) e fui contando, conforme minha mãe me ensinou a contar histórias.

Dormiu.

É uma história boa, fez o papel de adormecer.
E é uma péssima história, não foi capaz de manter meu pai acordado até o fim, que nem minha mãe sempre fez comigo.