Oi mãe,
o lugar aqui é muito interessante. As pessoas se renderam para Deus,
largaram tudo que faziam das suas vidas pra formar o Reino Dele. E é
uma entrega completa, não existe meia verdade, não é um centro
ecumênico misturando todas as religiões, é algo profundo vivendo o dia
a dia dessas pessoas. É muito legal, as pessoas são muito amorosas,
atenciosas, respeitosas e é verdadeiro, é um lugar onde se pode
confiar, porque todos estão buscando o mesmo ideal e estão em torno da
mesma idéia, existe uma unidade. Ninguém está se aproveitando de
ninguém, não existe pretensão de enriquecer, lucrar em cima dos
outros, explorar, ou praticar quaisquer atos egoístas. Claro que
ninguém é perfeito aqui, mas todos estão buscando a mesma trilha,
bebem da mesma fonte e dessa forma se ajudam mutuamente.
Foi a experiência em comunidade mais transcendental que já tive, aqui
realmente existe uma comunidade.. não é cada um buscando seu benefício
próprio, mas cada um buscando se entregar uns para os outros através
de Deus. A comunidade é mais um resultado da busca deles, dessa
vontade de servir ao propósito Divino do que cada um ter a sua
família, suas coisas, seu lotezinho de terra, seu dinheiro, seu carro,
suas verdades, sua vontade de fazer isso e não aquilo, sua preguiça,
sua ira, sua alegria, sua inveja, seu rancor, seus pensamentos, suas
emoções, ...
É preciso olhar sem preconceitos. É preciso ouvir de verdade. Aqui,
mais do que em qualquer outro lugar, o exercício de ouvir, realmente
ouvir, é fundamental, é exigência básica. Se você fica pensando que a
bíblia está errada, que não foi Deus quem criou o homem, que o homem é
resultado da evolução darwiniana, que não existe UMA SÓ VERDADE, que
Deus isso e aquilo, que não existe inferno nem céu, que não há vida
eterna, que é fantasia pensar no apocalipse, que ...
então isso significa que você não está ouvindo de verdade. Pra ouvir,
ouvir mesmo, é preciso prestar muita atenção. Toda a atenção do mundo.
Sem preconceito. Sem idéias. Sem pensamento. Somente ouvir.
Ah, daí você pode dizer que é impossível ficar sem pensamentos, sem
julgamentos, que o ser humano é feito disso e daquilo.. bom.. então
isso significa que você não está ouvindo de verdade o que acabei de
escrever. Porque é tão difícil a gente se entregar e ouvir, OUVIR, o
que o outro tem pra dizer? Porque a gente se protege tanto e se agarra
com tanta força no que pensamos que é certo?
Existe alguma forma da gente ouvir de verdade sem se entregar completamente?
Eles escutam a mensagem da bíblia, do evangelho e se entregam
completamente. Não existe ouvir meia parte. Ah, isso aqui vou
interpretar segundo a geografia moderna, isso aqui é um princípio
budista, isso aqui tem no xintoísmo.. pronto, já não está ouvindo.
Como que você pode escutar alguém enquanto seus ouvidos estão ocupados
com seus próprios pensamentos?
Miguel
domingo, abril 29, 2012
segunda-feira, março 26, 2012
Segurança
Foi foda e está sendo foda abrir mão da segurança mesmo.. tem vezes que bate uma saudade que quase largo tudo e me mando de volta pra porto alegre, pra ela, pra arca e pro conforto que eu tava. Isso talvez seja o mais forte de se largar: o conforto. Conforto de saber o que vai ser do amanhã, do hoje e do ontem.
Aqui em Floripa tá muito legal, tô cercado de gente boa. Mas, ao mesmo tempo, agora que já tô faz 18 dias, o conforto começa a pesar no cotidiano.
Começo a me chatear com a gente, com o trabalho, com as pedrinhas do caminho. E daí tudo começa a parecer um grande peso.
E eu sei que não tem nada de errado com o mundo! O problema é esse meu jeito que não se ajeita!
Aí é que tá a verdadeira caminhada.
Aqui em Floripa tá muito legal, tô cercado de gente boa. Mas, ao mesmo tempo, agora que já tô faz 18 dias, o conforto começa a pesar no cotidiano.
Começo a me chatear com a gente, com o trabalho, com as pedrinhas do caminho. E daí tudo começa a parecer um grande peso.
E eu sei que não tem nada de errado com o mundo! O problema é esse meu jeito que não se ajeita!
Aí é que tá a verdadeira caminhada.
sábado, março 24, 2012
terça-feira, julho 05, 2011
sábado, junho 25, 2011
Googleplex
Existe um cômodo antigo de madeira. Três gavetas, fotos, anotações, cadernos.
Uma tentativa de saber quem sou eu.
Foram várias. Primeiro o colégio. Os colegas. A namorada, o sexo, dormir de conchinha, o ciúme, a dor. (denovo e denovo).
Escrevi muito aqui. Numa espécie de diário.
Fui zenbudista. Luterano. Ateu. Panteísta. Meio-termo religioso. Historiador, fotógrafo, empresário, jornalista, saxofonista, sexofonista, vagabundo, mesquinho, hippie.
Tentei ser gay e não deu certo. Tento ser hetero, mas não sei direito o que isso significa. às vezes não faz sentido nenhum definir o sexo.
Sexo nunca foi importante. Dinheiro também não. Nem status. Nem tristeza ou alegria.
Fui vegetariano. Hoje sou carnívoro.
Já viajei mais dentro de um apartamento do que a minha vida toda. Esse foi o LSD.
E pensei: meu deus, nunca mais vou tomar isso na vida. Até que tomei Daime.
Durante vários meses o Daime conduziu minha percepção do mundo.
Os homens ficavam de um lado e as mulheres do outro. Cada um ia tomar o Daime quando quisesse. E quanto quisesse. A cor é laranja escura e tem o pior gosto. Vomitei em seguida. Pensei, nossa, isso tem um gosto tão ruim e nem faz efeito.
Sentei na cadeira. O mundo começou a tremer, mas não como num terremoto, mais como se o mundo inteiro estivesse tremendo, o chão, as pessoas, o ar, as velas, Paris, Porto Alegre. A única coisa estática era meu corpo. Pensei que pelo menos ainda tinha meu corpo. Mais tarde ele sumiu e só fiquei com o pensamento.
Não havia outras pessoas - às vezes sim, mas não estavam na mesma época que nós - nem limites materiais. A sala virou uma floresta. Os sons dos pássaros voaram. O chão ficou molhado de terra. E quando tudo ficava escuro eu só pensava "se continuar pensando, continua existindo". Que a existência era só o meu pensamento que mantinha.
Aquele dia tinha pedido ao Daime: quero saber o que é o aqui e agora.
Só que a minha jornada sempre tem sido "quem sou eu?". Essa é a pergunta que gostaria de fazer.
Porque não tenho a menor idéia do que essa pessoa que já foi tantas.
Essa busca me devasta. Vivo num processo de colocar tudo abaixo pra erguer denovo. Erguer sobre os princípios certos. Derrubar sobre os novos princípios certos. Já ouvi chamarem isso de aprendizado. Não é.
Não se trata de corrigir minhas idéias por outras melhores e depois outras e depois denovo...
Não existe nenhuma idéia certa. Não existe ponto algum em ficar corrigindo uma atrás da outra. É como um ratinho correndo na rodinha. Não vai chegar a lugar algum!
E daí o que me vem logo em seguida é essa outra idéia de que... isso também é uma idéia e também vai ser corrigido por outra que pareça melhor. E que não existe ponto em querer que exista um ponto.
Finalmente: não existe verdade absoluta. Essa mesma idéia que me joga denovo na depressão de não realizar nada por não existir verdade absoluta em nada do que faço. E lá vai denovo o ratinho correndo da depressão de "oh meu deus, não existe nada nesse mundo que seja verdadeiro, que devo reverenciar, admirar, me dedicar" pra euforia do "ahh não, existe sim, a explicação X é o caminho!".
Uma tentativa de saber quem sou eu.
Foram várias. Primeiro o colégio. Os colegas. A namorada, o sexo, dormir de conchinha, o ciúme, a dor. (denovo e denovo).
Escrevi muito aqui. Numa espécie de diário.
Fui zenbudista. Luterano. Ateu. Panteísta. Meio-termo religioso. Historiador, fotógrafo, empresário, jornalista, saxofonista, sexofonista, vagabundo, mesquinho, hippie.
Tentei ser gay e não deu certo. Tento ser hetero, mas não sei direito o que isso significa. às vezes não faz sentido nenhum definir o sexo.
Sexo nunca foi importante. Dinheiro também não. Nem status. Nem tristeza ou alegria.
Fui vegetariano. Hoje sou carnívoro.
Já viajei mais dentro de um apartamento do que a minha vida toda. Esse foi o LSD.
E pensei: meu deus, nunca mais vou tomar isso na vida. Até que tomei Daime.
Durante vários meses o Daime conduziu minha percepção do mundo.
Os homens ficavam de um lado e as mulheres do outro. Cada um ia tomar o Daime quando quisesse. E quanto quisesse. A cor é laranja escura e tem o pior gosto. Vomitei em seguida. Pensei, nossa, isso tem um gosto tão ruim e nem faz efeito.
Sentei na cadeira. O mundo começou a tremer, mas não como num terremoto, mais como se o mundo inteiro estivesse tremendo, o chão, as pessoas, o ar, as velas, Paris, Porto Alegre. A única coisa estática era meu corpo. Pensei que pelo menos ainda tinha meu corpo. Mais tarde ele sumiu e só fiquei com o pensamento.
Não havia outras pessoas - às vezes sim, mas não estavam na mesma época que nós - nem limites materiais. A sala virou uma floresta. Os sons dos pássaros voaram. O chão ficou molhado de terra. E quando tudo ficava escuro eu só pensava "se continuar pensando, continua existindo". Que a existência era só o meu pensamento que mantinha.
Aquele dia tinha pedido ao Daime: quero saber o que é o aqui e agora.
Só que a minha jornada sempre tem sido "quem sou eu?". Essa é a pergunta que gostaria de fazer.
Porque não tenho a menor idéia do que essa pessoa que já foi tantas.
Essa busca me devasta. Vivo num processo de colocar tudo abaixo pra erguer denovo. Erguer sobre os princípios certos. Derrubar sobre os novos princípios certos. Já ouvi chamarem isso de aprendizado. Não é.
Não se trata de corrigir minhas idéias por outras melhores e depois outras e depois denovo...
Não existe nenhuma idéia certa. Não existe ponto algum em ficar corrigindo uma atrás da outra. É como um ratinho correndo na rodinha. Não vai chegar a lugar algum!
E daí o que me vem logo em seguida é essa outra idéia de que... isso também é uma idéia e também vai ser corrigido por outra que pareça melhor. E que não existe ponto em querer que exista um ponto.
Finalmente: não existe verdade absoluta. Essa mesma idéia que me joga denovo na depressão de não realizar nada por não existir verdade absoluta em nada do que faço. E lá vai denovo o ratinho correndo da depressão de "oh meu deus, não existe nada nesse mundo que seja verdadeiro, que devo reverenciar, admirar, me dedicar" pra euforia do "ahh não, existe sim, a explicação X é o caminho!".
sexta-feira, junho 17, 2011
PORRADA
Porrada no delinqüente! Porrada no anti-manifesto de pais e mestres!
PORRADA!
não esquece que a gente não faz nada. a gente é o pai de não fazer nada de se manifestar pelo virtual e dizer que esteve lá!
tô cansado de ficar na cama me revirando. de ficar na cama dormindo. de não levantar e bater a mão na tua cara filha da puta.
de perder cabelo. de ser vulgar. de me embriagar e me drogar.
quero te matar.
Chega do teu paternalismo! não quero ouvir da revolta pacificista. Não existe revolta pacifiscita, exige revolta AGRESSIVA.
Bichos de pelúcia não fazem mais minha vontade de SEXO. Não dá pra ser feliz com tua boneca de borracha e essa buceta mecânica que come meu caralho.
PORRADA!
não esquece que a gente não faz nada. a gente é o pai de não fazer nada de se manifestar pelo virtual e dizer que esteve lá!
tô cansado de ficar na cama me revirando. de ficar na cama dormindo. de não levantar e bater a mão na tua cara filha da puta.
de perder cabelo. de ser vulgar. de me embriagar e me drogar.
quero te matar.
Chega do teu paternalismo! não quero ouvir da revolta pacificista. Não existe revolta pacifiscita, exige revolta AGRESSIVA.
Bichos de pelúcia não fazem mais minha vontade de SEXO. Não dá pra ser feliz com tua boneca de borracha e essa buceta mecânica que come meu caralho.
domingo, junho 05, 2011
Sábado
Bebi vinho no sábado. Branco e tinto. Depois cerveja e cachaça. E mais cerveja.
Fui trabalhar no domingo com dor de cabeça, bafo e uma sensação meio zonza.
Tive uma sensação intensa de comunhão no set de filmagem. Um fluxo quase palpável de energia perpassava por todos nós.
Estive bem humorado o dia todo. Agora, meia-noite, estou cansado, um pouco revoltado (mas contente) e com algumas idéias na cabeça.
Fui trabalhar no domingo com dor de cabeça, bafo e uma sensação meio zonza.
Tive uma sensação intensa de comunhão no set de filmagem. Um fluxo quase palpável de energia perpassava por todos nós.
Estive bem humorado o dia todo. Agora, meia-noite, estou cansado, um pouco revoltado (mas contente) e com algumas idéias na cabeça.
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