Queria escrever algo tão bonito
que te desse vontade
de recitar
Te falei do meu pai, da vontade
de ter a atenção que nunca tive
Oi, pai. Curioso te encontrar
numa mulher qualquer né.
Ela é do Pará. Tem um negócio lá, pai.
As pessoas são diferentes, mas, assim
ninguém é você.
Hoje eu tive um sonho. Nele, um buraco
na parede levava para a chaminé desativada
da casa de tijolos em que a gente vivia
tinha uma tartaruga enorme lá dentro,
dessas de Galápagos
e teu cachorro vinha feliz da vida
no disfarce de tartaruga dele
Me dar as boas-vindas.
Meu apelido de criança era Tututa.
eu falava isso quando chamava nossa tartaruga
Por que teu cachorro veio disfarçado de apelido de infância?
Por que saindo da chaminé que queima tudo?