No aeroporto todos usavam seus celulares enquanto aguardavam o avião.
Não estranhei, afinal, o que fazer enquanto aguardamos?
Chegando na casa de amigos, cada um pegou seu telefone para verificar suas coisas.
É natural, temos trabalhos, a saída do final de semana, aquele compromisso mais para o fim do dia.
Na mesa de jantar com minha mulher, ela passou mais tempo no celular do que comigo.
Era para mostrar coisas da nossa conversa. Um quadrinho, um diálogo, uma música, pesquisar uma informação, coisas importantes para construir a conversa.
Mas não sei.
No fim do dia fico com a sensação de que interagimos com o aparelho e não com nós mesmos e a vida real. O virtual permeia até minha intimidade. E isso me faz chorar.