Não sei bem se esse é o melhor título para o que vou descrever. Talvez devesse começar pelo final.
Uma mosca me fez companhia durante o dia. Agora à noite, sempre à noite que escrevo, são os mosquitos que me acompanham. Eles zumbem nos meus ouvidos, me mordem, me tiram a paciência e muitas vezes me fazem desistir.
O calor brota das paredes. As portas e janelas perdem a função, ficando sempre abertas.
Se pudesse moraria num daqueles edifícios altos, claro, lá no topo, onde os bichos não chegam e faz sempre vento. As janelas cantam e as portas batem.
Mas não é sobre isso que vou escrever.
Quero contar da minha vida. Ou pelo menos dessa presença.
Um dia. Com menos barulho. Talvez num lugar mais frio e sem ninguém na cama me esperando. Sempre alguém. Ou um besouro, com azar, uma barata. Quem diria, Kafka aparecendo na cama.
Ninguém paga para ver o senhor Samsa.