quarta-feira, março 26, 2014

seleção natural

A seleção natural funciona como um mecanismo que se programa através da seleção dos indivíduos mais aptos a sobreviver e capazes de transmitir essa característica adiante. Entretanto, esses indivíduos são interdependentes - que também altera e é alterado - do seu meio, então o mesmo mecanismo (de seleção dos organismos em função de sua sobrevivência no tempo) atua sobre populações em espaços determinados que só se separam um dos outros por nível de grandeza do escopo escolhido (que nesta disciplina podem ser chamados de nichos ecológicos, populações, famílias...).

Mas, na minha opinião, esse mecanismo de seleção se aplica desde um nível atômico até gigantezas infinitas como o universo e em funções temporais desde a velocidade da luz até o infinito, ampliando o conceito sobre o que é vida, que não é apenas organismos que nascem e morrem num determinado período perceptível de tempo, mas sim um mecanismo (programa, idéia) que perdura ao longo do tempo. Nesse sentido, o nosso papel como humanidade, assim como cada outro "conjunto" de seres (mamíferos, rãs, micróbios, comunidade do RS, recife de corais, etc) metafisicamente falando, está inserido dentro de idéias mais amplas e ao mesmo tempo menores do que podemos conceber, então o que cabe a nós? Por que dentre as milhares de formas de se transmitir essa informação, foi criada uma (ou mais) com a capacidade de ter consciência disso? Enfim, o que existe de propósito na consciência? 

Alguém pode perguntar como assim propósito, que a seleção natural não atua para o futuro, e sim em relação ao passado, entretanto isso só ocorre se olharmos num período de tempo pequeno e apenas em relação aos ditos seres vivos. Em grandes períodos de tempo e espaço é perceptível como o universo segue em expansão a níveis de complexidade cada vez maiores e mais diversos. A seleção natural possui um propósito em si mesmo, sobreviver e ser passada adiante. 

Mas, reduzindo o escopo novamente a nós, seres humanos, existindo um propósito com a consciência da sobrevivência da idéia de sobrevivência, a vontade parece se misturar com propósito, o que nos torna, em consciência, meros observadores. 

Vemos a vida diante de nós, tomamos atitudes em relação a ela, mas estamos o tempo todo tomados pela idéia da sobrevivência. E quiçá tenha chegado nesse exemplo somente por ter iniciado respondendo uma questão de seleção natural, mas o mesmo princípio parece se aplicar a outras idéias. Vemos a vida diante de nós, mas estamos tomados por tristeza, alegria, angústia, amor, paixão, ... e tomamos atitudes em relação a ela. Até a ordem das palavras é interessante:

Vemos a vida diante de nós,
tomamos atitudes,
mas estamos o tempo todo tomados por uma idéia. 

ou seria

Vemos a vida diante de nós,
mas estamos tomados por alegria,
tomamos uma atitude. 

ou ainda

Tomamos uma atitude,
somos tomados por uma idéia
e ainda vemos a vida!